bruno galan diz

Ficar sem rede social é como estar no mundo não invertido, sem uma parede / janela que dê para o outro mundo, o bizarro, onde as pesoas brigam por ideias ditas pelo fígado e sem realmente acreditar naquilo, onde se treta por shift-maçã-4, desentendidos no inbox por delay na resposta. Agora que os piratas e góticos da web standart não podem mais se expressar sem cadastrar o celular, no more fake account, ordens do Demoraes.

Sendo não nerd, amante do ócio, baiano na casa da Louco, Harriet Andersson da buceta dele, jogando com a morte um xadrêz melancólico e cômico como Von Sydow, sem jamais perder a elegância sueca cearense e o rosto anguloso na selfie da vida. Twitter é uma redação de jornal fria da Bielorrússia onde se caça como em Serra-Pelada uma pepita viral que o faça mitar por 4 a 5 dias, caindo no ostracismo posteriormente ou sendo acusado de plágio ou fascismo por esquerdieitistas patrulheiros do ciberespaço, os nazi a gente nem vê, relaxa. Não alimente. Não me tague, não me toque. Printa a mãe pra ver se quica. Não me tague não, não, não, não, não.

Por favor, não me provoque.

Um nude de Duane Michals despretensioso causou um rebuliço em alguma mente pura. Ou será um robô que não passou pela catraca do captcha e está a denunciar e stalkear quem faz crossmidia e tuíta no Face o caminho do caveirão rumo à casa do ilegítimo? Vai Sabatth. Se dando muita importância, ein. Sipan. pode bem ser. ‘Ou não’, o filho de Canô haveria de dizer. Em todo caso, a abstinência remete à dependencia, junto com o ‘showroom dummies’ da coisa e o quentinho do Like. Magina na ditadura, ter face. Céloko dano bandera ae, se fecha. Já colocaram um mané do Geraldo até no Tinder. A vida corre lá fora como um casal em slow em qualquer praia near Garujá.

Se cuidem, Little Monsters, o barato tá loko.
Da ponte prá cá, as coisa é diferente.
A instagrama do vizinho é sempre mais verde.
A Lei, com seus braços de estivador do porto de Santos, não é para todos.
Rua e vias imateriais estão comprometidas.

Repassem.

image

ninguém luta pela esquerda garantista pois são todos punitivistas.

preciso urgentemente encotrar um amigo. na pompéia quatrocentã, uns bem nascidos entoavam seus riffs, como diziam os jovens. criminalizar a burguesia me parece otário, infanto-político-cabaço esquerdo dumb. o que fica é o discurso ingerido, digerido e vomitado. derby suave, vem verão, indie institucional com piano e beat. bitch, please. reclame que muda o sistema, comercial que emociona, filme de dove que bate de frente com a figura do esquerdomacho, mas sem sinalizar à direita. saca? não. pfv, meu pão na champa com ovo, poco sal, vitamina sem mamão. dá pra por na gazeta? bob fernandes já dizia, o alvo é o lula. e niti. ah. esse. diria como marx manero: os B.O. começa como tragédia, depois como farsa. gil já dizia. vai fazer mais que isso?

quem nunca disse? qual canção não se encaixa?

chaves acozel. a combinar com o zelador. vai descê, motô.

••¶••

COMUNICADO IMPORTANTE

a fofa da Lucila quer ser mestre

Este comunicado importante visa tranquilizar a cadeia produtiva na qual se insere a Touro Bengala Livros Fictícia, de autores a papeleiros e feirantes. Nossa funcionária do mês de abril, Lucila, vinha chateando alguns gestores por sair, bem ou mal, no horário combinado. Se ia ou não ia parcelar no cartão peças da zara depois, sinceramente não nos compete. Deixa a Lucila.

Ontem de madrugada ela ligou e tive que por duas vezes que ela não falasse como secretária, mas como filha, amiga e principalmente irmã, princesa da baia não justo do lado, mas três baias para lá. Eis o drama. A moça quer licença remunerada para mestrar-se na baixada fluminense. Eu ri. Lucila, disse, mestrar é possível, sempre é, tanto mais se for possível. Mas com a uninove aqui ao lado, há que ir àquelas serras indistintas? E ela, Você não entende. Eu reviso seus contratos por email, qual o problema? Bem, Lucila teve amnésia pois é ela quem me traz o cacau e o papaya desidratado da rua santa rosa, coisas que não vivo sem. Certo, Lucila (ela tem 22 anos, a rádio peão insiste que é amplamente virgem), você prefere mestre ou mestra? Ela desligou. Uma razoável funcionária talvez, neste momento, vai caindo pelos dedos de seu role model paterno, espôsico e artesanal. Que vá? Horas depois, eu sem dormir por confundir no escuro a ulmária com o ginko, brota um email da engraçada. Não vou comentar. Vocês avaliem, por favor.

Assuntos urgentes da seara da Lucila podem, desde já, ser encaminhados à Ramira Casablanca no email casa@tourobengala.com

Desculpem a bagunça.

=====================

from.. Lucila Java
to.. “bossy-grumpy-daddy”
assunto.. Projeto de Mestrado

Glee, seguinte. vou aplicar em 74 instituições da baixada. numa vai dá certo. segue o one page do projeto

bsous, v se dorme queridoooOOoooO,,,

xLoCxLo

 

PROJETO DE MESTRADO

por Lucila Java, 22, amerínda castanha, solteira

TÍTULO

A Gueixa e Hilda Hilst, Alice de Carroll e Roberto Piva, Mafalda e Pagu, Liza Simpson e Cecília Meirelles, Riot Girls e Ana Cristina César: princesas populares e seus duplos literários, rosas-dos-ventos solteiras.

MÉTODO

– O duplo literário é um convite à suspensão da descrença.
[o corpus de texto universo de cada personagem é considerado literatura em bruto, enquanto a obra de seus duplos a projeção polida da mesma expressão, dos mesmos desejos e do mesmo ser]
– Música e rosto, ave e silêncio — uma cabala particular.
[o ferramental tradicional e esquivo da arte cabalística opera nas ligaduras entre os caracteres do corpus e da poesia dos duplos, assim como é torque analítico dos contornos arquetípicos, transformações, mitografia e impacto das princesas populares em nossos espaços. do Leste (I), a música faz eixo com Oeste (III), seu rosto e irmão. do Norte (II) a ave é mãe que se afasta do Sul (IV), onde reside o pai em silêncio. cada uma das cinco princesas populares é e não é senão relação com, cada um dos quatro vetores principais da rosa-dos-ventos].

OBJETIVO

Esborçar, a partir do corpus atribuído a cada princesa popular (folclore para a Gueixa, romance para Alice, Banda desenhada para Mafalda, TV para Liza e performance politica disponível em registo digital na internet para as Riot Girls) e de excertos avulsos de seus duplos literários (os autores brasileiros Hilda Hilst, Roberto Piva, Pagu, Cecília Meirelles e Ana Cristina César), cinco estratégias de reconhecimento, singulares e complementares a uma vez, face às ruturas do feminismo e a morte do indivíduo contemporâneo.

BIBLIOGRAFIA PRECOCE

a obra dos cinco duplos
a crise da filosofia messiânica de oswald de andrade
o antiédipo de deleuze
o estranho de freud
las trampas de la fe de octavio paz
obras herméticas, oculistas, indexadas e neoplatônicas
o tarô
o circuito dos afetos de safatle
metafísicas canibais de viveiros de castro
demasiado humado de nietzsche
modos de existência de latour
a obra de john keats

não achei uma imagem decente na rede
da melhor pintura do museu coleção berardo
studio e paesaggio, pincel renato guttuso
tudo o que antecede, aquela arte toda
gritante ou idiotizante arte recente em diante
contra o tempo, portando, voltando
às ditas escolas do XX
escolas que só depois amalgamam
na forja da pedagogia
superpreocupada mas tarada em explicar
a suverção a rutura
a invenção o ready made
a experimentação o movimento
presos textos, presas amassadas em saletas
dilui o pratoganismo de paris o grupo CoBrA
emerge joan mitchel na esteira
do expressionismo abstrato
faz-se irredutível ad reinhart
pois morre o além na cega ultimate painting
rasga os cartazes raymond hains
e lourdes acorda ao pé dum saco de christo
plácidos ressoam os cítricos das sete cores da ironia
são as pop brit art e americana a dar fome
mas discretos cy twomby e jaques villeglé aparecem
antepastos do disciplinado espaço, seitas e claustros
até sorrir em paz o visitante, eremita imparável e lento
à mesa do italiano comunista, farta de simples a oficina
pêndulo fumante beckettiano, leitor hegeliano
juno artista amante de bequinhos e tortos telhados
espremem-se se tudo se coloca para nada mais caber
eis a vitória das gentes que sobem
agora posso ver a pluralidade do chumbo
as faces do ocre, do preto antepassados, terras e quintas magentas
arremates em destras brancuras
aval a desprezar loucuras
primárias, marcam ilhotas e pouco aparecem
pois nada do que vibram é em sério
carimbos de alegria forçada, esquecimento
assinados o verde, o amarelo, o azul clarinho e o vermelho

studio e paesaggio abre o súbito do reino peão
foca no seu alimento
sem vergonha esta dor, amplo este alento
não há jogar ali veneno, mãozadas de lixo
goste-se ou não de vento
é que tudo se compõe sem falha, e humildemente

a segunda e última peça que sem lágrimas resgataríamos
do de resto fatal incêndio
é a prisca e tenebrosa figura em bronze la mante
kafka e trash eretos, gaia e et a um tempo
mãos mulher germaine richier, sombra viva do giacomo
cria do guigues
dileta do bourdelle
imiga do bispo mas em verdade
benévola inseta, mansa replicante
nela as fases da lua cantam
se fásicas as luas dançam
carcassa mineral, ossos de lança
na cara igénua e branca
daquele querido e bel davi

== ¥ ==