Porque a economia perdeu seu sentido primeiro, o da coesão, e destravou o agito molenga da submissão irrefletida ao autoritarismo, em detrimento da autoridade, vive-se hoje uma sorte de reconfiguração da corrida do ouro. Anomia, o nome que restou à vanguarda oficial, é pista e motor da aventura por assim dizer correta. O que muda é a perda, por parte de quem corre, desta habilidade crucial: distinguir, na matéria, o ouro. Vale estrume, entulho, ladainha, desde que se corra. Decerto aturdido, o dinheiro antigo mira e vê: bem antes do desgraçamento envergonhar a virtude, algo que sempre se observou na mitografia universal não raro em gêneses narrativas de mundos desfeitos e então refeitos, o problema acerca é este da falta de vontade de empenhar as mãos no ouro mesmo, quer porque não se o reconhece, quer porque não se o conhece. Mas qual será a consequência profunda e essencial de uma lógica necessariamente cerceada pelo lastro da escassez quando se deixa barbarizar o referencial duro das propriedades moleculares? O que é lastro de quê? A consequência, numa palavra, é a tensa dinâmica da queda.

–– Mas quem te contou que a economia perdeu o sentido de coesão e destravou a submissão irrefletida?

Eu digo que a economia perdeu o sentido de coesão e destravou a anomia agitadiça porém molenga da submissão irrefletida ao autoritarismo (haveria, se refletida?), porque as escolas são cárceres imbecilóides. Não queira o estado esperar, tampouco fornecer, os moldes do nurturing campeão nestas nações de infinitos lares. Aquilo que vem de berço, de modo algum é justo se interfere definitivamente em benefício de uns contra outros numa República que mereça o nome. Nela, porém, a escola não só não desafia as atribuições afetivas da paternidade como negocia, porosa e em igual, as articulações do que houver de comum ou relacional nessas duas ante-salas do mundo. De modo que se dissipem os embaraçosos maus tempos e atinem-se os anseios. Estado, com a escola pública de um lado, e os lares familiares do outro. A prova de que as escolas são imbecilóides é sua prática, no que decanta, mostrar a frustração sistemática do esforço da disciplina e a felicitação de mentirinha do ‘grading‘, este obsessivo ‘bottom line‘ das crianças.

A febre de avaliar é o véu envergonhado da anomia. Se a qualquer momento alguém pode estar certamente certo, tudo deverá ir bem. Não vai. Mas é também a febre uma grotesca brotoeja da hiperfinanceirização da economia, fato que a desiquilibrou psíquica e mecanicamente e a fez perder seu sentido primeiro, de coesão. Agora animalescamente dominadora e ameaçadora, já não lhe interessa a chance de coexistir ombro a ombro com valores conflitantes aos seus. Fizeram-se dela, apenas a título de exemplo, a absolutamente desacreditada política partidária dos estados modernos e a biotecnologia. Era ceder ou ceder, ou algo acabaria rebaixado. Antes que pergunte quem contou da hiperfinaceirização, eu digo ela é a mesma que faz fácil enriquecer e frequentar os simulacros da sofisticação o não saber e o não sabor. A mesma que desviou dos gestores a fé na produção para a fé no earning per share, assim que muito nos empurram qualquer desleixo não porque não mereçamos bons desenho e substância, mas porque “dá mais retorno”, no lingo antirreligioso dos yahupsters do verão impossível. A mesma que barbarizou gabinetes e palanques, trocando responsabilidade e eloquência por corrupção oceânica e fraude publicitária. A mesma hiperfinanceirização que sem mais nem menos excomungou da seita e fez prima pobre da economia a ecologia. Humilde, a ecologia tentou dizer que não fazia caso de ficar na dela, mas que preferia ser chamada prima índia. Erro? O nada nobre moto contínuo da comoditização da natureza a humilhou e a calou mais um pouquinho. E ela: prima pobre? Mas quem será a pobre? A prima que acumula a banda podre da petr4 ou aquela que guarda e nutre, lá meada em âmbares e cristais, a memória encarnada do próprio fóssil?

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Numa carta de 1916, em resposta a uma provocação saudável (mande nudes sim, mas quando der mande epístolas) Fernando Pessoa fala sobre a degeneração que sentia portar entretanto o artista português. É uma venda difícil, mas compreensível. O interlocutor não identificado que Pessoa trata por “prezado confrade”, de qualquer modo, talvez quisesse saber demais. “Não posso responder, mesmo sem sinceridade, a todas as perguntas do seu questionário. Afasto desde já a segunda, e as três últimas. A todas essas me é impossível responder. Não posso responder à segunda, porque não tem direito a falar na sua obra quem não tem obra publicada. Para as quarta e quinta perguntas também não tenho resposta. Elas referem-se ao Brasil, e do Brasil nada sei, nem sei se deva saber. Sociologicamente, não há Brasil. Há, por enquanto, um amálgama indiferenciado de raças várias subordinadas ao pecado original de falarem português. Mesmo quem saiba que o Brasil existe pode tirar daqui a conclusão de que ele não existe.”, evade. O poeta quer mesmo é vender o seu sensacionismo, que chama também morbidez para disfarçar que chamou também degeneração. A teoria de que o “génio é uma nevrose”, diz, “tem só o defeito de ser axiomática. Evidentemente que génio implica originalidade, desvio do tipo normal, desadaptação do aceite e do usual.” O que poderia passar por excentricidade estratégica, Pessoa chama taciturno de degeneração. Mas está mais adiante, o que interessa. A carta tenta purgar um incômodo familiar às vanguardas não oficiais daquele contexto, a baixa circulação. Ainda sem livro na praça e teimoso na zanga que pariu Orpheu, Pessoa só queria mais atenção. Era hora? Daí o impulso à autodepreciação. Se o carinho não chegou, melhor forjar orgulho por não tê-lo merecido. A assunção é tão infeliz e psicótica quanto deva talvez ser a vida numa grande guerra, mas Pessoa não se deixa abater e dobra o grito na análise. Para ele, três problemas mais importantes contribuíam para a invisibilidade dos sensacionistas. Previsivelmente, os problemas eram a crítica, os editores e o público. Grosso modo, a primeira seria desatenta, os segundos excessivamente conservadores, o terceiro desorientado (“só não é analfabeto porque sabe ler”). Que dizer dos problemas do Pessoa em 16? Eu digo, foram em grandessíssima medida superados. O bom dia da aranha, no entanto, é outro: Por que Roth, disto quase século quando escrevia ainda, diz estar em carne viva a circulsr num culto minúsculo? A resposta pode estar num título largamente póstumo e editorialmente embrulhado, além de impronunciável, publicado em 2014 em Portugal e aqui chamado ‘Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia’, de Ludwig Wittgenstein.

Digo pode estar porque não sei se está, mas também porque pode estar. Tão ou mais poeta que Nietzsche, Wittgenstein creía ser modo de olhar não forçado a um conceito a filosofia. Por não forçado se informado, potencialmente relevante no que sugere de novo. Generoso defrag de textos de quarenta e tantos a cinquenta e poucos, o Últimos Escritos é o autor em seu clássico, isto é, raciocínio encadeado em ritmo nítido e policromático, pouco ou nenhum apego ao objeto, que dista e gira como se num software de projeção arquitetônica, todo apego aos modos, que plasma em assinatura. Fala do que podem falar as palavras, mas delas tão cioso e em tão leal matrimônio com este seu gênio inovador, que fala em pequeno, muito em pouco, quase obcecado por um estilo que contudo equilibra no método. Antes da dita filosofia da linguagem, muito antes da dita filosofia da mente, muitíssimo antes das engrenagens de nudging e da consubstencialização do virtual, este homem que cheio de tudo foi ensinar matemática na zona rural tentaria defender que a singularidade expressiva, malgrado o mundaréu de planilhas a tentar preformatar o comportamento, pode, se forte no senso e nova na força, nada menos que fundar um ponto de vista impensado. Não só rompe-se, assim, o jogo de linguagem atado da não invenção, como imbrica-se, inevitavelmente, a outros jogos que o desarrumam, cabendo a autoria do desconforto ao homem que fala, não ao simplesmente adestrado por quem falam. Num jogo de linguagem em que a pobreza das palavras nomes próprios é compensada com a volúpia da velocidade, por exemplo, descredencia-se o espanto da apreensão original, e caduca-se a compreensão. A terapia wittgensteiniana está na busca pela atenção ao caso, ao evento leve e fundo de Badiou, agora e agora quem vê o quê, agora e agora quem vê o quê por quê? Um jogo de linguagem fechado para esta insistente surpresa teimará em acabar. Este quem, gerando os dados que for, é sujeito singular de experiência, deleite e vetor de incertezas. O ranço do Pessoa, quem sabe, e, como veremos, quase de todo curado, não poderia prever que pregar no deserto é demandar o mesmo pulso de quem especula em meio ao desconcerto de um mundo ou de uma cidade qualquer. Wittgenstein não se aproxima do relativismo tanto quanto do perspectivismo, conquanto a imagem de uma cabeça de coelho seja a imagem de uma cabeça de coelho, e quem diga ali uma cabeça de pato coelho aponte onde, no rol de contingências que viveu, atrapalha-se a premissa. E a natureza humana da sociedade decide o que faz disso. Expressar pede, no mínimo, tratar cada palavra como um rosto, “uma imagem de algo incorpóreo, que vivifica o rosto (como uma brisa poderosa)”, e tamanha preciosidade pede passos paulatinos de evocação e emprego. “O que é que torna a minha expressão numa expressão sobre ele? Nada que lhe seja próprio ou simultâneo (que esteja “por trás dele”). Se queres saber quem ele tinha em mente, pergunta-lhe!” A filosofia da psicologia nos quer humanos para comunicar e aprender, ou não nos quer.

“Faço-os calar: eu falo”, admite Ricardo Reis 19 anos depois daquela carta. Ele se refere aos muitos eus de si, “Há mais eus do que eu mesmo. / Existo todavia / Indiferente a todos”. Aqui o poeta é autoridade para calar e deixar falar suas plataformas de perspectivas, adivinhando quem sabe um magnetismo contrário às tentações do participar dos lugares já esboços da falência da técnica para a economia que agigantava e agigantava seu bem ou mal querer, ferindo a chance da poesia sem nada interessante oferecer em troca. No mesmo 1916, no entanto, encontramos um RR cujo solipsismo defensivo diluía-se num jardinzinho zen. Vale citar todo

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

§¢j¢§

bruno galan diz

Ficar sem rede social é como estar no mundo não invertido, sem uma parede / janela que dê para o outro mundo, o bizarro, onde as pesoas brigam por ideias ditas pelo fígado e sem realmente acreditar naquilo, onde se treta por shift-maçã-4, desentendidos no inbox por delay na resposta. Agora que os piratas e góticos da web standart não podem mais se expressar sem cadastrar o celular, no more fake account, ordens do Demoraes.

Sendo não nerd, amante do ócio, baiano na casa da Louco, Harriet Andersson da buceta dele, jogando com a morte um xadrêz melancólico e cômico como Von Sydow, sem jamais perder a elegância sueca cearense e o rosto anguloso na selfie da vida. Twitter é uma redação de jornal fria da Bielorrússia onde se caça como em Serra-Pelada uma pepita viral que o faça mitar por 4 a 5 dias, caindo no ostracismo posteriormente ou sendo acusado de plágio ou fascismo por esquerdieitistas patrulheiros do ciberespaço, os nazi a gente nem vê, relaxa. Não alimente. Não me tague, não me toque. Printa a mãe pra ver se quica. Não me tague não, não, não, não, não.

Por favor, não me provoque.

Um nude de Duane Michals despretensioso causou um rebuliço em alguma mente pura. Ou será um robô que não passou pela catraca do captcha e está a denunciar e stalkear quem faz crossmidia e tuíta no Face o caminho do caveirão rumo à casa do ilegítimo? Vai Sabatth. Se dando muita importância, ein. Sipan. pode bem ser. ‘Ou não’, o filho de Canô haveria de dizer. Em todo caso, a abstinência remete à dependencia, junto com o ‘showroom dummies’ da coisa e o quentinho do Like. Magina na ditadura, ter face. Céloko dano bandera ae, se fecha. Já colocaram um mané do Geraldo até no Tinder. A vida corre lá fora como um casal em slow em qualquer praia near Garujá.

Se cuidem, Little Monsters, o barato tá loko.
Da ponte prá cá, as coisa é diferente.
A instagrama do vizinho é sempre mais verde.
A Lei, com seus braços de estivador do porto de Santos, não é para todos.
Rua e vias imateriais estão comprometidas.

Repassem.

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ninguém luta pela esquerda garantista pois são todos punitivistas.

preciso urgentemente encotrar um amigo. na pompéia quatrocentã, uns bem nascidos entoavam seus riffs, como diziam os jovens. criminalizar a burguesia me parece otário, infanto-político-cabaço esquerdo dumb. o que fica é o discurso ingerido, digerido e vomitado. derby suave, vem verão, indie institucional com piano e beat. bitch, please. reclame que muda o sistema, comercial que emociona, filme de dove que bate de frente com a figura do esquerdomacho, mas sem sinalizar à direita. saca? não. pfv, meu pão na champa com ovo, poco sal, vitamina sem mamão. dá pra por na gazeta? bob fernandes já dizia, o alvo é o lula. e niti. ah. esse. diria como marx manero: os B.O. começa como tragédia, depois como farsa. gil já dizia. vai fazer mais que isso?

quem nunca disse? qual canção não se encaixa?

chaves acozel. a combinar com o zelador. vai descê, motô.

••¶••

entro agora sem as botas do arroio
na sombra em cerco luze um fio de mel
carece a estreiteza de algum sabor
vibra na estrela o sangue de um corcel

chamo por ela e desafogo a cinta
broa de milho, canjica, chá de ulmária
chamo por ela, lavo as mãos, as filhas
correm lá fora em cavalos de pau

não é fúria que sente o mundo vedado
não pode ser irônica a feiúra
não quero ouvir sou fábrica de falhas
sento sem máscara e porto a Aventura

riscos mil de pó rasgam o negrume
cuspa na minha cara antes de ter
sua falha projetada em meu clarume
o arroio me chama, de botas, sem ela

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1. Um artista no primeiro terço de carreira teve 80% de confusão, sendo dois desses terços desses 80% , na era da blogosfera, expressos no underground das listas e comentários digitalizados. Neste novo lugar vêm gestando as raias curvas das posturas políticas impensadas e possíveis os escritores montaigneanos e pós-wittigensteinianos

1.1. A blogosfera lusófona não tem mais de 15 anos de confusão sólida, donde assistirmos, nem sempre atônitos, a nada menos que o nascimento da primeira casta a concluir, porque dura 15 anos, um seu primeiro terço em vida. Uma avaliação ambígua faz-se entretanto necessária?

1.1.1 O inferno também é uma blogosfera. Ali, o artista aprende, viver é competir. Na blogosfera, que a competição é só com ele. Muitos logo voltam a ser dentistas. Restantes escrevem também para repudiar a extrema-direita ressentida que se lhos dobra cair em taxonomia os taxonomistas. Tal relincho, também um reflexo, perfaz um histórico injusto de mágoas

2. O escritor montaigneano o é pelo perdão à erudição, seu reencontro brisado, a léguas de qualquer complexo. O escritor pós-wittigensteiniano o é porque não é a posse o abrigo da inteligência, ainda que o seja do pensar. Posturas políticas têm ruias carvas, digo, raias curvas, porque entre elas não se dá papo reto (Latour). A atualização biomecânica da destranscedentalização potteriana da antropologia dos modernos indica outra vez o clichê impossível do fluxo. No entanto, não são poucos os feras ‘mappings’. Eles podem desejar não jogar a água do relógio com o pendólogo junto se o bebê ficar bravo

3. Não conferiremos troféus

4. Como descrever a dor que sentiu Pedro Mexia? Será possível pensar na ‘estrutura de um desamparo’? Questionar em torno ao gênero da escrita talvez cristalize uma ou duas piscadelas, se o embelezamento da biografia. Aqui dizemos biomecânica, muito antes para descartar a chance da autobiomecânica, viva a oximorite e um viva à economia

4.1. A dor que sentiu Pedro Mexia integra a estrutura de seu desamparo. Este é um processo de construção em lentos reflexos de cacos. Longo espatifar, longa jornada. Farrapos enlutados acordados em mãos ao círculo das cores quebradas do burning man. Questionar em torno ao gênero da escrita talvez descomplique a lealdade, os rasgos cavalheirescos dos marubos. Mas não descomplicará a atração que exercem cetros de ouro

4.2. Se é cedo para parar de transformar energia, processar e computar, processar e responder, é cedo para evitar a figura do organismo. Nunca é tarde para os modos. Com a união, falamos, por exemplo, em dragões invisíveis. Trindade para alguns, o Uno vestiu jaleco. Aprendeu a sentar e agora assombra o novo ranço. Organismo não refém da burocracia do estado, não refém do corretor gráfico, posto que denuncia a pleonasmotite o corretor ortográfico por icompetência econômica e, neste caso, também ecológica. Pense no poema do Tao, nele medite. Organismo cujas ‘esferas’ de controle carecem da noção de Direito Natural, como castigam as más escolhas

5. Que em sua última carta a Heinrich von Kleist, Henriette diz “Lembrem-se destas duas pessoas estranhas”. Que Bernanos disse que aprendeu a gostar do Brasil com as elites do Rio e com o povo de Minas Gerais. Que o facto dos banqueiros portugueses parecerem apostados em desacreditar a banca sugere às vezes uma estratégia anarquista. Que Sofia, que leu tudo o que Tolstoi escreveu, confessou uma vez que nunca o conheceu. Que fui eu, desde há muito, insultado em livros e folhetos por estes gandaieiros da vadiagem lisboeta

5.1. A tinta da china onde acabou no fim do seu primeiro terço de carreira Pedro Mexia por mexer na parte da poesia, que, de tanto animado lagarteia-se missionário nos alfarrabistas, propagandeia o autor de lutas acolhido, de lutas nunca isento, com colectâneas feitas originalmente para o mármore. Um livro sem gralhas mais graves é esta sua Biblioteca, que remete às bibliotecas

5.2. Engraçada, a fortuna deste inoportuno laboratório que foi a blogosfera às manias reaccionárias. Pedro Mexia não votou no Presidente Marcelo, mas foi mesmo assim convocado para consultá-lo em Cultura. Um cargo cuja influência pode transformar as vidas colectivas e individuais mais ou menos intensamente. Presidente Marcelo, antes de tudo um presidente pela mobilidade dos portugueses, mirou-se em Péricles e revelou antenas nessa escolha. Filho de blogosfera blogosferinha é

5.2.1. Em conformidade com as novas circunstâncias, o ideal poético, o ideal ficcional, mas não o ideal técnico, cedem e desinflam. É miar e espreguiçar o que interessa, já o latido não canino nada muda e perde em encanto para as calopsitas. Tal fatalidade perfaz um pequeno histórico de ressentimentos sem mágoa, isto é, novas curvas nas raias políticas, posturas em desafio a gôndolas, gondoleiros doleiros, a nova filiação dos amantes, restando Freud à Toy Art. Pedro Mexia pode ser contra o casamento, mas é seu corpo quem apaixona

6. Chamam o segundo terço Cada Anedota em Seu Lugar, Sei Jantar. O verde no que a oliva, amarelo é quente no que a manga. Esta primeira casta mais que tudo frustrou. Se Pedro é um dos menos piorezinhos, temos nós a culpar. Carregam espelhos dos sociologistas, dos close readers, dos psicadélicos e surrealistas, carregam bandeiras espelhos sismos dos classissismos modernos e carregam samplers das trompetas heralds dos exilados em bélgica. Negarão tudo isso pois arrogantes

6.1. Costumam calhar, segundo terço e fundação testada à desamparo. Um desgosto sempre possível expelir com a tática dos patamares. Vamos ver o que infiltra na Cultura socialista, as dobraduras dos seus readable vests

7. Carregam samplers das trompetas heralds dos temidos em paris

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quando queredor de um rastro
pergunte ao passo, embarco
no toar do rame-rame
sacro do peregrinar
às veredas menos tidas
bandeira um punho cerrado
lume azul na parnaíba
ou faço como quem ama
menos a si que ao dissenso
apartador dos rebanhos
dos sins e nãos amarrados
à incerta voz da medalha?

retorna ao húmus e sobe
as glândulas aflitivas
medicam paracidades
engavetam o plural
e cristalizam o caos
casco regrado chão inútil

levanta o sabre de luz
manto sábio e disponível
pacificar intestinos
exige a mediocridade
livre e impensada dos uivos
prática só, nova, nua

•¢•

COMUNICADO IMPORTANTE

a fofa da Lucila quer ser mestre

Este comunicado importante visa tranquilizar a cadeia produtiva na qual se insere a Touro Bengala Livros Fictícia, de autores a papeleiros e feirantes. Nossa funcionária do mês de abril, Lucila, vinha chateando alguns gestores por sair, bem ou mal, no horário combinado. Se ia ou não ia parcelar no cartão peças da zara depois, sinceramente não nos compete. Deixa a Lucila.

Ontem de madrugada ela ligou e tive que por duas vezes que ela não falasse como secretária, mas como filha, amiga e principalmente irmã, princesa da baia não justo do lado, mas três baias para lá. Eis o drama. A moça quer licença remunerada para mestrar-se na baixada fluminense. Eu ri. Lucila, disse, mestrar é possível, sempre é, tanto mais se for possível. Mas com a uninove aqui ao lado, há que ir àquelas serras indistintas? E ela, Você não entende. Eu reviso seus contratos por email, qual o problema? Bem, Lucila teve amnésia pois é ela quem me traz o cacau e o papaya desidratado da rua santa rosa, coisas que não vivo sem. Certo, Lucila (ela tem 22 anos, a rádio peão insiste que é amplamente virgem), você prefere mestre ou mestra? Ela desligou. Uma razoável funcionária talvez, neste momento, vai caindo pelos dedos de seu role model paterno, espôsico e artesanal. Que vá? Horas depois, eu sem dormir por confundir no escuro a ulmária com o ginko, brota um email da engraçada. Não vou comentar. Vocês avaliem, por favor.

Assuntos urgentes da seara da Lucila podem, desde já, ser encaminhados à Ramira Casablanca no email casa@tourobengala.com

Desculpem a bagunça.

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from.. Lucila Java
to.. “bossy-grumpy-daddy”
assunto.. Projeto de Mestrado

Glee, seguinte. vou aplicar em 74 instituições da baixada. numa vai dá certo. segue o one page do projeto

bsous, v se dorme queridoooOOoooO,,,

xLoCxLo

 

PROJETO DE MESTRADO

por Lucila Java, 22, amerínda castanha, solteira

TÍTULO

A Gueixa e Hilda Hilst, Alice de Carroll e Roberto Piva, Mafalda e Pagu, Liza Simpson e Cecília Meirelles, Riot Girls e Ana Cristina César: princesas populares e seus duplos literários, rosas-dos-ventos solteiras.

MÉTODO

– O duplo literário é um convite à suspensão da descrença.
[o corpus de texto universo de cada personagem é considerado literatura em bruto, enquanto a obra de seus duplos a projeção polida da mesma expressão, dos mesmos desejos e do mesmo ser]
– Música e rosto, ave e silêncio — uma cabala particular.
[o ferramental tradicional e esquivo da arte cabalística opera nas ligaduras entre os caracteres do corpus e da poesia dos duplos, assim como é torque analítico dos contornos arquetípicos, transformações, mitografia e impacto das princesas populares em nossos espaços. do Leste (I), a música faz eixo com Oeste (III), seu rosto e irmão. do Norte (II) a ave é mãe que se afasta do Sul (IV), onde reside o pai em silêncio. cada uma das cinco princesas populares é e não é senão relação com, cada um dos quatro vetores principais da rosa-dos-ventos].

OBJETIVO

Esborçar, a partir do corpus atribuído a cada princesa popular (folclore para a Gueixa, romance para Alice, Banda desenhada para Mafalda, TV para Liza e performance politica disponível em registo digital na internet para as Riot Girls) e de excertos avulsos de seus duplos literários (os autores brasileiros Hilda Hilst, Roberto Piva, Pagu, Cecília Meirelles e Ana Cristina César), cinco estratégias de reconhecimento, singulares e complementares a uma vez, face às ruturas do feminismo e a morte do indivíduo contemporâneo.

BIBLIOGRAFIA PRECOCE

a obra dos cinco duplos
a crise da filosofia messiânica de oswald de andrade
o antiédipo de deleuze
o estranho de freud
las trampas de la fe de octavio paz
obras herméticas, oculistas, indexadas e neoplatônicas
o tarô
o circuito dos afetos de safatle
metafísicas canibais de viveiros de castro
demasiado humado de nietzsche
modos de existência de latour
a obra de john keats

você pode duvidar de quatro jovens
cordas a tocar, dois violinos, cello e viola,
por exemplo. não entregam, dirá, mais que uma

superfície de adesão

sim, como quatro quaisquer jovens a fazer coisa qualquer
impressionante no deserto

superfície de adesão é qualidade de objeto capaz
de te divertir, ou engajar-te
e cá não há valores, antes ou depois
que pudessem escolher, antes da hora, o depois
e tudo é sempre nada e nada morreu, nem o rock
mágoa alguma mais que sombra no pingente, pó
coisas bestas, janelas tijoladas
marreta contigo dentro e o azar
azar e o sempre juntos. isso é tudo

mas, ainda, certas ocasiões não param
na generosidade e vão além e
batem uma aposta
chance e capacidade de um lado
transmissão emocional e pensamento seu, controle
seres mais ou menos infrequentes num tubo do outro

deixa de ser o local
quando estamos a estudar

<< liberdade sem posse, lealdade estóica,
isolamento existencial >>

como tem usado esse poder,
perguntam diaramente os suados santos
os retardados do universo por que culpa
se só queríamos estudar

mas: e se eu quiser batata
e também quiser estudar

e se eu achar que o quarteto não é excepcional
que no caso do quarteto
melhor honrar urgências de regulação desde uma atitude
antes que seres, eficaz & elegante
capaz de circular livre crescer frutificar
o topos por que deitaremos pés, a lenha para o feijão e as geodésicas
como se não houvesse, na tipificação de consumista
que venceu nosso sujeito, enquadramentos
arquitetados por malícia não criminosa
pasteurizada malícia e baba das crenças
no melhor que nos tocou legar
a organização

esta é a voz do ressentimento
porque sentir é tão bom…

o caso do quarteto, além
da generosidade que estica a aderência de que se forma ou pode formar
bate também a aposta
faremos uma oferta?
nossa chance e capacidade
de transmissão deve tremer
pensamentos e emoções
em modo oferta, isto é, sem querer
aquilo que virá, mesmo o mais salutar
anseio

esta é uma configuração multiplataforma
sobe a largas maneiras e alternam-se
pêndulos e latão, espelho e gelo
baixam curvas a somar viés e sol
lídimos diálogos, serestas suaves
gritam também, contra a paz e o governo
que isto não pode seguir assim

ou a exceção é uma só, Deus
ou nenhuma exceção é possível

graças ao passo que dá da generasidade
à aposta, a experiência do quarteto mostra
um fio vermelho por onde retornar
à ruína original, e ver
é bonita, é bonita
a aposta pipocava em fados
mas ao menos te humilhou, mãos às malhas
da veraz polifonia

tudo é utilidade
quando a mão não pode mais, não pode agora pois agora
a mão balança um berço

qual não é nossa surpresa
percebemos a aposta do quarteto
fluindo assim do fardo à sorte grande, enfim ajudando
ainda rasgado, não é que você pode perder
isto é, não é que você pode aceitar
possuir dispensar o fardo é consequências
daquele impacto deveras
vantages e desvantagens nessa vida cuja clareza e cuja doçura
atendem a domicílios, seus palanques de justiça
vilipendiadas procurações do receio

pois pronto, ela está pronta
sem papel de embrulho tombam melhor
as figurinhas da copa

não há, na aposta
o comprometimento com o conteúdo
entretanto no modo oferta, misteriosamente
(adeptos, vejam *n(isso))
há, o comprometimento com o conteúdo

por quê?

impessoal, desinteressado do que escapa
do ato sem história, só assim
virá a mais de nós a História incomum espada de platão
sobre os comuns, aristotélicos depenados

este alerta não inviabiliza apenas hierarquias
ele inviabiliza o próprio desejo disso
afasta no que súbito realça, bamba no que fixa
posto que porte-se como for preciso
vá danar até vencer o marasmismo e a pilha morta
mas queira, queira logo respirar, muito
vai perder à vida, e respirar, isto
já não te tomam
e respirar era o mais importante
indiscutível primeiro lugar

que vícios de construções patetas
nossa energia de corpo nu
vale mais

que
quer
, dizer

aí, então, você
__________________________

∞ ¶ ∞

image

praha, seis de septembre, M M X V I

image

descida atrás de três farnéis de nove a dez palmos, estufados de não sei que tem, a dona roliça sorriu todinha baixa, do alto do grisalho trágico, despida enfim da espera que passava, ritmo de hortas, ritmo de espantalhos. praha clava, proferiu, falsa prenha erguendo o braço a ajeitar a alça de um saco, sem querer me saludando, soerguendo o que era seu, desatinando a fila da escada como se ali no plateau granítico quedasse a eindhoven dela, a oscura estação da kespta a phillips dela. saiam, raven, raven, nada menos que uma moisés a deitar sal na parva malta, seu credo um besta ou incrível mudar de lado, simplesmente. eu vi. foi trocando suas pernocas de polvilho seco e mármore, vias de mirtilho em expressas e marginais, cruzou e chegou, parou e sentou. lá do outro lado. vai voltar tudo, simplesmente. sem nada entregar, vender, trocar. vai

à saída do prédio gótico de kespta, corvos e neblina. assim ninguém apedreja, sustentou uma jovem rapariga-placa. compro ou roo, seu cartaz. além dos quatro metros, só queria ferir a parca húmida vista uns insanos trisnados de bordos prateados, folhas destacadas como jangadinhas de lemmings, embrulhos centrípetos que afundavam nossos túneis e luziam ali no sismo da cegueira. de mais a mais, escusões e licenças, topadas e peitadas em muros de murta. nada a ver. não achei a ciutat bella. não cheguei à ciutat vecchia. tive que parar cavar meus figos, dois, que acoplados no fundilho do estojo dos óculos reservas já queriam exalar rosados fungos. era uma galeria de aplicação e remoção de tatuagens biodinâmicas, moda em praha mas nem por isso genuína, tendo a praga profanante nascido em paris, sul do texas. mastiguei, se é que o verbo é esse quando uso não os dentes, mas língua e céu da boca, mastiguei o tempo figo

tudo é norte na cidade da paixão. praha escolheu, entre tantas, o escritor de livros javier marías. “poderia muito bem ir lá dormir em pamukale, ou numa plataforma do algarve. mistério é de toda parte, frango ou peixe, trepidação. ou mesmo no bunker dos primos meus por parte de madrasta, uma adega de recibos de distintos executivos industriais na bavária chilena. não. vim a praha e cá ovulo”, disse à reportagem Marías logo antes de amassar suas frésias bebés no fundo da champagne. “vale a pena”, concluiu, como se perguntássemos qualquer coisa do gênero ou mesmo nos coçasse o interesse. o escritor de livros dono de dois apartamentos decorados em negativo (tudo branco em um é preto no outro) no bairro alto da capital jurídica de madagascar, olivas, prepara aqui, entre banhos na ribeira do baixio e fungadas em disparo nos bosques de orfeu, seu quinto e último romance antes da trilogia maga. “será uma linda trilogia”, garante

afeita aos istmos socializantes da cacheta e da petanca, a gente prahense nega em tudo sua fama de objetificação alienada e afim das comódities da classe operária. muito antes e ao revés. ela aqui essa gente vai pagar a luz, como vai cobrir o fogo das pensões admite-se moças sem família, de olhos em caolha vigilância e braços dados, posto que são bons leitores das martins fontes. não param de louvar o cafezinho ruim tal se fosse itália não a obra sólida de um gaúcho, mas bruma de um sonho mau do napoleão ele mesmo. nunca existiu, gritam cabeça dentro, cogitando os tapetaços da azzura. pudera. foi só em 1984, num outono eternizado pelas páginas de proterus, pretéritas professas, de almak klabin, que tudo e nada desandou. “a rebeldia”, pontifica a tromba do gauche estatuado no cais, “não é um periscópio lavandisco”

que mais podem querer os partícipes? sula, 8, caçava pokebolas no leite leve a pairar sobre um laguinho de carpas quando abordou a reportagem. “praha? é muita zica? é, pá, veda crista”. para o morteiro cândido, 22, trata-se de outra coisa. “praha? pronto, praha é linhas, não exatas retas, tás a ver, as linhas que depois e depois fugindo à rotunda sansárica dessem em poeira. isso tudo é luz e bomba.” um suspiro e “não é,” afirma o advogado reformado silas, 67, “mais que um subterfúgio dublinense. isso é praha, sem ser praha outra coisa.” poliédrico também é o entendimento oficial. monarquia autoral semi-parlamentarista, a vila cede às preces vitalícias dos oligarcas das dura lexes (lê-se lékses), o conjunto de três leis em remontado hieróglifo obra nanquin do artista de rua Peg4sus. é uma constituição bem quista na exegese actual, e ponto. peca por não prever milhões de crimes. mas aguenta, posto que homens de leis são poetas, e não o contrário, toda a selva da jurisprudência com olhos na vista de motosserras de ouro, duas, às mãos. são três famílias que esgrimam os diplomas locais há 822 anos, idade da cámara. o povo, massa geral em cruza celto-moçárabe de narizes inexpressivos e frontes de compleição tragicómica em quinto exausto ato de opereta, lento, confuso e calado não pingassem balbucios, não se furta à chacota tipo língua na bochecha do fake tweedy quando se lhes é dado acesso às média para referir aos tipos da Casa de Rameiraças, apelido do amplamente pichado palácio parlamentar. “têm pacto com satanás e não sabem aplicar o nosso dinheiro, mas já ninguém tampouco não dá a falta deles. pã”, atesta o pescador e o marido da estivadora raquel, sandro, 33, corrobora. no poder é diferente, para nada mudar. o fidalgo dummont roncador e castro, superministro das cidades sombra e membro da comissão mista de transparência, num poema experimental de 88, remete praha aos “jogos de mastro para longe do cinza budapeste / celeiro e sela de zi(n)co, kafka e darwin”. o presidente das normas de destituição e bombardeiro reformado couto mesquita e alsouza, num discurso às velas da revolução do mais cruel dos meses cair na primavera aqui, mas não alhures, um speech chamado Bonde, Charrua e Lamparina, lembra que “ligou imensas cítaras na panela praha, albuquerque mo prometeu se lhe deu jurar à cavaleira, assinando um papelito, e quem não sabe do pior acredita, se lhe vingou lograr a prazo.” assim, plural, multimotívica, caixa de sapatos por loops em shake deformada, flutua sobre tenra barriguinha a invisível praha que imaginam. mas, a serviço do movimento este diário fala no minuto e entretanto não na poluta praha das gentes, poluta percebam no que, e cá não julgo sem refletir, de estrias e geodésicas portanto invasivas e virtualizantes se compõem em automático a geografia mnemônica dos não jornalistas, que nem devem nem ganham para manter a objetividade, mas antes e sobretudo da praha real

éverson palaplas, 55, guardinha do fluxo da rotunda onde jaz o pinel de grifo sobre a águia, não vê no principal problema cabalístico da municipalidade, desvendado e apontado por esta reportagem, motivo para descontrole. tás a ver a senhora do smart? ao que aceno sim. tás a ver a filha da senhora do smart? ao que aceno não pois que filha não havia alguma e lido aqui com a objetividade e não posso etc, ao que pal, el play-play, como é chamado no futebol, segurando um apito tal com nojo e apego, saudade e destarte alentado desprezo, tecnicamentee gritou, a-haaaa!, apontando-me da outra mão o dedo

radial e estrambólica, emplacada rudemente e sem pensar nas grutas, nos vulcões e nos sismos, por saias e sobressaias rajadas de pálio branco, lápis azul e lava antiga a furar ricas matrizes de tímus e cobalto holocênico, um pirocópetero a firmá-la deixaria o marco zero da cidade, a praça da traição de suzana, sua forca e nosso poço, numa elipse contrária ao labirinto para mostrar, muitas idades depois das picadas, o jardim das negritas na zona 1, o jardim dos salamancos na zona 2, o jardim dos impávidos nas zonas 3 e 4, o jardim das cobaias e do respeito nas zonas 5, 6 e 7, conforme encarece o metro, e o jardim das soldadas imaginárias na zona 8. as dunas aqui, algo de resto já demais de repisado pela national, sofreram a cataclisma maluca de 37. foram latas e mais latas de pêssego em calda, a gente toda linda nas janelas achando que as dunas dançavam pra elas. neste equinócio amargo, todavia, saíram de cena as devassáveis. “foram ovas e ovas de louva-deuses”, atesta o clínico geral e o cunhado de todos nós, álvaro, 22, e tobias, 44, corroboram. fato é que enquanto mastigavam, se é que etc, todo aquele pêssego, todas as incontáveis 117 dunas locatárias de playgrounds espicaçados pedras brutas e inteiriças se fizeram. tudo não demorou mais que o refrão de lonesome deli, dos creepies, versão uncut e unresleased de 26 com master de erik shfrooden e o imbatível mignho fabi nas baterias. um trauma fundador. eros e cripta

falar por fim de praha é não poder esquecer de falar de tristão de bege, um nobre que amordaçou a imprensa e foi festejado. replicado em 33 estátuas que vão da cerimônia do chá aos ashnas destemperados de mestre eurípedes (“antes esgotarão os minérios”, diz em chiste o pai prahense ao filho dele), duas em cada canto mais sete em dois patamares high-line e o resto identificado por computadores, aquela figura remete também ao mito de pégasus. e também ao de urano. e, não menos, ao lado b da de resto já salobra bagagem neptúnica, aquela escura e traseira face que nem por isso não é lua. num estio complicado pelos perrengues da febre dos morangos, nos conturbados mil novecentos e quatorze, deu-se na quitinete que sublocavam as filhas de tristão de bege aos criados do usurpador internacional ramirez, o mesmo dos infames papéis da antuérpia, um constrangimento no que tocava ao emprego das toalhas quando de feriados incomuns. um dia inteiro na caldeira é demais? e uma casa limpinha? não se falava de outra coisa, e todos já traziam uma inteira opinião e imprópria e quase nula, sobre se se deixar o mesmo e inteiro dia não na caldeira, mas num balde d’água tépida (“para ir adiantando”, conforme posterior e viral meme das mães de burka) as toalhas não valia mais. interveio, por caneta, a competência do nobre. 16 foram presos e a polícia, treinada e contratada para não temer, passou dos limites também 16 vezes. uma mancha? “um recomeço”, pondera almeida e almeida, dos armarinhos almeida e almeida, 57, solteiro de duas. carrega contigo esse fardo, praha….. de vinho doce, de canto

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não achei uma imagem decente na rede
da melhor pintura do museu coleção berardo
studio e paesaggio, pincel renato guttuso
tudo o que antecede, aquela arte toda
gritante ou idiotizante arte recente em diante
contra o tempo, portando, voltando
às ditas escolas do XX
escolas que só depois amalgamam
na forja da pedagogia
superpreocupada mas tarada em explicar
a suverção a rutura
a invenção o ready made
a experimentação o movimento
presos textos, presas amassadas em saletas
dilui o pratoganismo de paris o grupo CoBrA
emerge joan mitchel na esteira
do expressionismo abstrato
faz-se irredutível ad reinhart
pois morre o além na cega ultimate painting
rasga os cartazes raymond hains
e lourdes acorda ao pé dum saco de christo
plácidos ressoam os cítricos das sete cores da ironia
são as pop brit art e americana a dar fome
mas discretos cy twomby e jaques villeglé aparecem
antepastos do disciplinado espaço, seitas e claustros
até sorrir em paz o visitante, eremita imparável e lento
à mesa do italiano comunista, farta de simples a oficina
pêndulo fumante beckettiano, leitor hegeliano
juno artista amante de bequinhos e tortos telhados
espremem-se se tudo se coloca para nada mais caber
eis a vitória das gentes que sobem
agora posso ver a pluralidade do chumbo
as faces do ocre, do preto antepassados, terras e quintas magentas
arremates em destras brancuras
aval a desprezar loucuras
primárias, marcam ilhotas e pouco aparecem
pois nada do que vibram é em sério
carimbos de alegria forçada, esquecimento
assinados o verde, o amarelo, o azul clarinho e o vermelho

studio e paesaggio abre o súbito do reino peão
foca no seu alimento
sem vergonha esta dor, amplo este alento
não há jogar ali veneno, mãozadas de lixo
goste-se ou não de vento
é que tudo se compõe sem falha, e humildemente

a segunda e última peça que sem lágrimas resgataríamos
do de resto fatal incêndio
é a prisca e tenebrosa figura em bronze la mante
kafka e trash eretos, gaia e et a um tempo
mãos mulher germaine richier, sombra viva do giacomo
cria do guigues
dileta do bourdelle
imiga do bispo mas em verdade
benévola inseta, mansa replicante
nela as fases da lua cantam
se fásicas as luas dançam
carcassa mineral, ossos de lança
na cara igénua e branca
daquele querido e bel davi

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