Lygia Maria, LM, narradora principal da Epístola Canária, tem saudade do marido Paulo e filhos Janaína e Afonso. Depois de resfriada, mesmo incompreensível disposição da qual em volição erguem-se raras rememorações enigmática caras à biografia íntima do núcleo familiar, no entanto, a professora cujo voo em direção à livre-docência em Lyon é desviado e torna-se a rapsódia de desencantamento numa terra cheia de mistérios e belezas, cursa nada menos que o teórico e também resfriado eixo formativo – a fundação de sua visão de mundo – do marido, sem que ele se alongue mais que ela no assunto. Este assunto ela mistura à própria digressão acadêmica, um bocado divertida, sobre a desinflação do renasciment; o assunto privilegia a inventividade comparatista do professor e fundador do Instituto Brasileiro de Desenho relendo de memória seu livro-tese, trabalho pelo qual ficou famoso Paulo na inteligência: aproximando e contrastando o russo responsável pela abstração enquanto tentativa ingênua, autêntica e original à pintura, Wassily Kandinsky, e o autodenominado Mestre Abóbora Amarga, Shitao, conhecido eremita e artista do século XVII. É argumentação gradual e sintética sobre as dúvidas da Ficção, sobre uma estratégia para a unidade material do objeto. Para além, faz tricô cortaziano à biblio-juve (highgfideliamente bildunguiano),

Quando conheci, desencantada com a referenciação matricial e gélida reprodução taxonômica dos laboratórios de biologia, meu marido, ele há muito ruminava seu célebre estudo sobre a atualidade de Wassily Kandinsky. Atualidade da obra pictórica, mas também da compreensão teórica do proceder artístico. De sua postura politicamente lúcida tanto na Alemanha pré-terceiro Reich quanto na União Soviética comunista. Da cooperação de Kandinsky na Balhaus e de seu voluntarismo como guia e formador aos pretendentes à difícil jornada do artista. Da atualidade de Kandinsky como filósofo e poeta de quem acentuada noção histórica da arte, bem como de sua acentuada noção expositiva e capacidade relacional, legariam ao interesse coletivo obras de rara penetração como Do Espiritual na Arte. Paulo com lupas e introspecção faz-se das telas de Kandinsky íntimo a ponto de mais de uma vez eu acordar de um cochilo para flagrar o homem a conversar com as cores.

Cinco páginas depois, à 266,

Ademais, aonde iríamos, se da quitinete sequer saímos, indignos em penugens, puídos algodõezinhos? Aos versos, sempre aos versos, códigos herméticos, duros, curvos, borrachentos, pândegos, deitados, extorsivos os dois pontos no tapete vinho tinto e abatido, ébrios revogados pelas páginas cálices holofotes, páginas ópios amarras, páginas álcoois claustros às quais rolávamos felinos pandas, abutres hamsteres, desmoronados perdedores da campal batalha às letras sossegadas, doces doravante negras maldições.

Páginas choviam nos raros suores e comuns vintános vivos livres priscos de pudores guarda-chuvas, dissabores sem folias livres, querendo porque querendo augúrios divinais das dobras prenhes, saltos largos estelares, pontes cadentes logrando sem satisfazer a urbanidade a tez sintética, o horror do ocaso à tona à torre ao queijo, rodelas de cebola e dedos chupando. De sorte que por vias digressei, sem romas avistar, nem tenerifes.

As falas do particular e do universal em conluio é motivo composicional de um livro que toca os anseios do empreendedorismo e do cultivo filosófico em harmônico, ainda que colorida coisa de cimento.

À página 279, exibe-se o calor da pesquisa:

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