A HISTÓRIA DE UMA EMPRESA

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A Touro Bengala nasceu como um blog em julho de 2010. Eu vivia numa casa enorme na Rua Aimberê, 1646, com três amigos. Um desses amigos, a Ana, escrevia no blog também. A casa foi demolida e, em seu lugar, a cidade subiu um prédio. Antes da demolição, os artistas Davis Sousa (um dos três amigos residentes) e André Farkas pintaram murais nas paredes internas da sala e gravamos um show maluco com a banda de metal pesado Elma. Foi massa.

Eu pedira demissão de meu emprego fixo há uns 10 meses para me dedicar seriamente à leitura e à escrita. Foi importante, pois pude conhecer enfim alguns dos ‘clássicos’ dos quais os escritores, dizem, não podem escapar, e pude também me dedicar concentrado ao fazer poético, escrevendo à mão e declamando em voz alta. Quando reuni 23 poemas a meu ver decentes, lancei por sugestão da Ana, no dia 11 de novembro daquele ano, na casa que não existe mais, o livro ‘Pós-operatório’, que teve duas tiragens de 100 exemplares esgotadas. Aprendi a mexer no software inDesign para diagramar as páginas, vivi as agruras da produção gráfica e do comércio tipo camelô e saí da experiência disposto a fazer mais livros.

Eu publicava na internet desde o ano 2000. Tive alguns blogs que se perderam, escrevi um montão quando fui redator do antigo Fulano e, nos cinco anos em que trabalhei com vídeo, parei de escrever regularmente. Voltei com o blog Imobiliária Sufoco e então o breve Turismo & Plástica. Depois publiquei um tanto no Nariz Entre Dois Nortes, no BoozaBooza, no Adrede Garatuja, no Menino do Reel, no Surfaces Etc, além de tentar manter minha página no Facebook mais ou menos ativa com iniciativas de redação, fotografia e memes de que pudesse no futuro, quem sabe, me orgulhar.

Em 2012 editei e publiquei minha segunda seleção de poemas, o ‘Meia Ponta’. Em 2014, a terceira, o ‘Gamma Leporis’. Em 2016, a quarta, ‘Todos Soltos’. Entre elas, escrevi um pequeno e íntimo livro chamado ‘Dezasete’, em que visito imagens da infância na zona rural do cerrado em 1987 com dez sextetos em redondilha maior. Minha primeira tentativa de ensaio literário também está neste livrinho, em que comparo as duas leituras que fiz da novela ‘Campo Geral’, de Guimarães Rosa, uma na adolescência, outra como um jovem adulto. Todos os cinco livros se esgotaram. Em 2020, pretendo reuni-los, acrescidos da nova produção, numa seleta de 10 anos de produção poética.

2016 foi bastante agitado. Em menos de três meses eu inventei seis livros. Montei e imprimi e tentei vender, tudo sozinho, sem grande sucesso. Mas aprendi demais no processo. Em 2017, publico apenas dois, cujas provas tenho agora em mãos para revisão final. Estou razoavelmente contente e espero vender todos os 300 exemplares.

A história recente da publicação de livros no Brasil é descomplicada. Houve os grandes players inovadores das décadas (Brasiliense nos 80, Cia. das Letras nos 90/00, Cosac nos 00/10), a famosa prensa de João Cabral, histórias de esforços independentes e quase comerciais apadrinhados pelo experimento Massao Ohno, a querida Perspectiva, o punhado de acadêmicas, os tijolos vermelhos da Martins Fontes, as apresentações diuturnas da 7 Letras, a resistência exemplar do Selo Demônio Negro e da Patuá, o sangue novo e a ousadia da Carambaia e da Ubu.

A Touro Bengala não se enquadra em nenhum desses grupos. Como diz o nome fantasia, ela é Livros Fictícia. Não tem CNPJ porque a burocracia brasileira desanima. Se há empresa neste exercício, ela é uma empresa de performance editorial em que ‘faço as vezes’ de editora, visto este chapéu para me testar e me divertir e aprender e crescer no ofício literário como instigador, articulador, curador e produtor gráfico na mais ingênua intenção faça você mesmo.

Obrigado pela visita.

Se você tem comentário, dúvida ou recomendação, escreva para casa@tourobengala.com