Aqui se vê a selva solar: um bosque cerrado onde as verdes árvores têm glória da folhagem perene. Quando se abrasava o céu do fogo de Faetonte, conservou-se todo o sítio indene das chamas. E quando o dilúvio inundou o mundo inteiro, emergia ele das águas de Deucalião. Não o infesta a peste sombria, nem a achacosa velhice e o medo mordaz. Não abriga o ciúme iníquo, a sede insana da pecúnia ou a ardente volúpia assassina. Longe estão o luto acerbo, a andrajosa miséria, a fome pungente. As tempestades não raivam, não se enfurece a hórrida violência dos vendavais, nem o tiritante rocio cobre a terra de seu aljofre gélido. Do meio do jardim jorra, porém, uma límpida fonte serena, de doces águas, a que dão os homens o nome de “fonte da vida”.

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