An innate and irrepressible desire to judge before he understands (KUNDERA, The Art of the Novel, apud RORTY)

Mas se o labor da physis, sua prática poética diuturna, é passar-nos ὕλη (matéria “cujo ser é outro que não o de cada uma das coisas que se predicam” – Met. Ζ3, 1029 a.) em εῖδος (objeto ontologicamente orientado), cabe perguntar: qual o labor social?

Voltemo-nos ao εῖδος República brasileira.

Foi teimosia sua cesária, erupta na Questão Militar em meio ao seio do segundo Império? Se sim, por que se traça o Mapa Astral do Brasil desde os não menos atribulados eventos de setembro de 1822 em solo paulista, isto é, sessenta e sete anos antes daquele 15 de novembro em solo carioca?

A polêmica nos acompanhará, acampada nas bordas da compreensão, a missões realizar quando de uns transes nasçam cresçam florações – substrato continuado em interesse estético.

A dia-gnose deste jovem projeto democrático categoriza golpes, abusos, fracassos, conspirações e impaciência para que aprendamos a recomeçar com aprendizado e cura ou para que a tentação da exceção se renove?

Cultivar o espírito constituinte, eis uma das marcas políticas mais antigas. E por que, lendo a história, aprendemos que o estado constitucional samba amiúde em negação, quando a exceção é “o horizonte sempre dilatado da normalidade institucional, que por sua vez se expressa na ordem estatal, ela mesma composta por essa coabitação entre Constituição e sua anulação rotineira?” (ARANTES, P. Extinção. São Paulo, Boitempo, 2007)

Se a realidade dual do Estar parece εῖδος inarredável, o desafio será este de não ambular retoricamente dentro da caverna protopolítica. Labor social é compor a Política – sem jamais esquecer de que a alma tende à participação nas e pelas florações. Estudando-as, oferecendo-as e consumindo-as em méthexis aditiva E subtrativa.

Qual o labor social? Resposta: ir buscar, na εῖδος talvez mais distante, a psykhé, sua feição de contragolpe: materializar. É que em Nosso mundo, nada será Não predicável. A via láctea estará “celeste”, o olimpo “extremo”, e os astros a ter “calor”, em termos aqui de Parmênides. Porque celeste, extremo e calor, segue o bardo eleata, “têm o ímpeto a tornar-se”. Emergência do impensado, prática poética diuturna do corpo social, este que rima “o que está por vir e aquele que pensa” (SAFATLE, V. Dar corpo ao impossível. Belo Horizonte, Autêntica, 2019).

Operar Cria e primor é responder physis com physis*. Porque o mais distante aonde vamos, εῖδος psykhé, é lá de onde se vê as outras muitas ideias, libérrimas em nexos, forças e solicitudes, antes que as reconheçamos em physis* e, governantes-governados, as consumamos.

Finito e Ocupado

Ser em Estar – eis a famosa questão pré-socrática (ser ou não ser) atualizada pela física moderna. Com efeito, da ontogênese parmenidiana (eón > noûs > tó eón (dóxa) > kínesis > lógos > eón* (alétheia?) > noûs* >…) à relatividade einsteniana (Tempo está contido no Espaço), crescemos duma questão em negação maiêutica a uma afirmação prescritiva implicada. Será um câmbio mais culinário que dietético ou mais dietético que culinário? Como for, puxará a seu reboque e exemplo, a sua tração e luz, inumeráveis maneiras novas de fabrico e análise?

O dado fundamental deste estágio (estágio que, apesar de todo nosso divinal desejo dum saber imediato, será, como cada passo firme da ciência, apenas literário) é a hipótese forte (praticamente tácita) do continuum quarto-dimensional.

Perceber sua Forma tem sofrido todavia desserviço, infelizmente, graças às distrações que tornam a mesma física – ou o discurso Referencialista  específica. A saber, i) seu pueril cosmologismo axiomático da representação; e ii) sua falta de musculatura, que a não sustenta em paridade aos contumazes inquilinos financeiros e mais ou menos políticos.

Nossa opinião: o continuum quarto-dimensional é indicial e não etéreo (não ocupa nem preenche, mas perpassa). E, arriscaríamos, não é – mas está. Indicial porque faz mídia consequente. Está porque implica-se – não com nada mas especificamente conosco (poderia entretanto persistir ante nossa extinção, e servir-se de coisa vária e melhor). Faz mídia consequente porque foi cativado pela tecnologia psíquica. A inteligência humana, quando buscou nomear, usar e alterar o inteligível, passou a gravar neste continuum. Fenômeno tátil e lógico-construtivo. De certa forma adotados, seríamos componentes Responsáveis e operadores de Cria e primor.

Até a física moderna, portanto, a preocupação filosófica cuidava da ética do Ser. O projeto enriqueceu-nos mas meio que frustrou-se quando realizou seu único rebento: a nada desprezível mas verticalíssima psicanálise do espírito (trauma, pedagogia, reconhecimento…). Do mundo quântico em diante, o pensamento ocidental passa a cogitar não mais a praxe ‘logo será’, mas este estranho ‘já está’.

As consequências desta visão podem robustecer o caminho da ciência (tratada aqui em seu sentido estrito de infanta de 300 anos), mostrando a ela que o sabor do saber é incontornavelmente poético, e que é bom que seja assim. Pode também, porém, conferir à premência política a transição dietética capaz de enfrentar a tensão colocada entre localismo e globalismo. Por exemplo, na organização democrática atual.

região de Campos Elísios em São Paulo | @tourobengala

Em quase absoluta estase e vítima das quarentenas categóricas da conivência do Direito e da ganância, da gestão despudorada e das particularizações exageradas, a organização democrática atual gira em falso, geração trás geração, desperdiçando dínamo em técnica ossificada. Se, contudo, tomada filosoficamente como realidade psíquica do Estado Contínuo, pensar e fazer hão de operar em simbiose à boa e velha maneira ‘oriental’ (aqui no largo sentido ‘orientalista’ das religiões meditativas e minimalistas e ainda assim totalizantes, desprendidas e não dogmáticas e ainda assim disciplinadas) ao compor um desejo político em que a importante Conquista será mais estar do que ser. Já estará, mais do que logo virá a ser.

Pergunta-se: além do alvorecer da delicadeza conectada, a Cidade buscará mais eficiência a partir de menos efetividade?

RAM

Eis que entre plúmbeos, capitosos nhenhenhéns perante as óbvias providências de labor quando de um monstro não sabemos mais que a vida normal nas alemanhas, os trilhões americanos, & as arruaças das baladas italianas, exsurge e prepondera um fato estranho: a força, que força julgávamos, mas força por quiçá talvez não seja – procura nos dizer a virose aquariana –  é – queiramos ou não – ela mesma: a luz elétrica. oo Um governo forte conciliaria os desânimos portanto se convocasse, sem demora, às casas domésticas de famílias, a voluntariedade, por ufana e cidadã, patriótica e solidária, dum curfew irrestrito. Mas sim, das luzes elétricas – este fogo, se nada, fátuo quando oscuro do que o paga.

Por essa, diga você mesmo, pouquíssimas esperávamos. Que das vagas anti-horárias dum frutículo bosquídeo ventosiano convidados fôssemos a retomar, e humildemente, se mais luz elétrica que o arrazoado juízo prudencia vamos lá lançando mão; e, se sim, quanto mais, e – precisamente –, se ainda sim, por quê.

Susanne Ussing | via @saatchi_gallery

Ela desapareceu ia nua – diz no verso quinto de sua ‘Estrela da manhã’ Manuel Bandeira. Não pode ser, lido hoje, que trate doutra coisa que não da luz elétrica, exclamação em si para que a gula de ver quando nem deuses ousariam – e nós, baixíssimos, mortalíssimos, jogando caixeta à luz elétrica, à luz elétrica groselhando polititicas sem ter as Cartas a Lucílio em boa, corada conta –, e daquela sua pseudoengenhosa lâmpada a esturricar mansardas, objeto que com tantos pecou e se objeta hoje em procura: substituir-me ou fazer outras coisas? Uma delas – dormir – pressuporia rombos orçamentários em frascos Weleda – pois que é tua, a parca saúde; outra, cozer às destras mãos que tudo veem, violões dedilhar e trovar à luz da lua, até que alternativas nativas exsurjam e possamos, os notívagos ou todos os em dupla jornada, vagar contrários nos eirados quando o sistema pede silêncio e espera.

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Habacuc é um poeta singular. Escriba a serviço de YHWH no século 6 antes da era Cristã, integra o antigo testamento com três petardos que iriam, na opinião do tradutor, contra a maré profética deuteronomística (esta que prega que a má sorte judaica é castigo), exortando os que às abjeções babilônias sofriam, o aguerrido duma fé praticamente mística:

O Santo virá de uma montanha arborizada, de boa sombra.

Ou ainda (ao Senhor):

Leva-me a escalar as alturas
Para vencer com a Sua canção

Em Habacuc, tudo se passa como se o ékstasis da perseverança trouxesse a força que habilita as próprias alturas escalar, ganhando da negativíssima experiência da maturação a cabeça partida dos poderosos, e dela um tremor nos ossos, horizonte estuporado agilizando, e carruagens apropriassem para que o ir fosse este ir como o dos justos, o ir como o dos necessários.

 

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Flâmeo e cardinal – energizado e transido –, regido pela forja da luta Marte, Áries é o signo do ano 2020, no outonal equinócio iniciado. O fazer originário e entusiasmado ocupará a fronte dos projetos de vida com afinco tocados. Porque traz 2020 todavia Saturno em Capricórnio, este fazer será desviado da livre-iniciativa libertária e empurrado à premência das problemáticas nacionais. Isto porque o cansaço saturnino, animado no torque caprino, torna o fogo ariano (saturninamente) não a sobra que enfeitiçará a messe, mas a salvação da lavoura que houver. Num contexto de sobrepujante internacionalização, sobe a bandeira da mirada interior. O Brasil é pobre de espírito comunitário, o que faz tantos astrólogos pisarem a atenção dum tal #saturno2020:  Cronos – Saturno – antiquíssima entidade e pai primevo, provou tanto dos segredos agrícolas quanto dos vícios das vilas; hoje, empenha a foice como quem sabe escolher. Dignificá-lo será dar ao estandarte ariano o empenho dum juízo desperto, discernido à primeira paixão – esta República.

Se Vênus, por que Diana?

Numa falta de teatralidade típica simplista, a comitiva do Planalto mirou no zen, mas acertou a reunião de pais e mestres sem mestres. Ato inócuo senão pelo homogêneo do efeito, pela saudosa perseverança em orientar, sem ser só isto pois que dando a entender que o filhotismo estatal sumiria e entretanto ambicionando cuidar, como pagens. A resposta à pergunta em pauta, ‘O que quer conosco a Covid.19?’ resumiu-se à manipulação orçamentária, sem grandes surpresas além dum marasmo redundante que deixará em maus lençóis a reputação liberal do governo caso seu corpo não tome o quanto antes prumo felídeo, resguardo canário, crueza d’água e pátina de mordomo. Por que tantos ministros numa simulação de resgate se o senso de resgate há de estar mecanicamente estruturado numa república nova e fragilizada, desigual e débil? Um porta-voz e o relógio voltado à sociedade, sem aceitar perguntas, fariam o trabalho.

‘Ser-lhes vacina’ – a resposta da Covid.19 – pressupõe da população este entendimento: a inteligência simbiótica não será, por finitude tautológica, propriedade de uma espécie, e não da natureza. Antes ao contrário. Caídos ainda do excepcionalismo antropomórfico ao formular a próxima pergunta flexionando os joelhos (pois levantávamos?), seguiremos à brumosa, culposa cláusula que arde e preme o andamento do certame: ‘Mas onde, caro vírus, achávamos ser fortes e não somos?’ (continua)

‘Diana caçadora’ | The Frick Collection

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Num poema dedicado ao fundador do português brasileiro Padre José de Anchieta, Haroldo de Campos ninguém sabe como se imita, melhor que si, e se apresenta, excelentemente, sem por milímetro deixar de carregar o que no corre do poema vai juntando. Instala-se e cresce ciosa do que disse, a peça que versa sobre o vertical encantatório da linguagem e o horizontal da história que à poesia pede explicações. A satisfação é brisante como em suas melhores traduções. Impressionam no transe das cinco partes o cuidado sistêmico dum João Cabral e certo orientalismo taoísta dos hippies giroflex. O conjunto, estância em canárias, está no livro Crisantempo – no espaço curvo nasce um, de 2004.

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Às vezes é a fase que a pessoa está passando mas você não pode potrar sem dúvida diante dos filmes e livros que circulam por causa da uberização, achar que ela é sinônimo apenas de precarização quando ela tensiona, num movimento histórico, à direção saudável da emulsão capital–trabalho. Quando afinco e me sinto afiada numa certeza, ela deve enganar certas sombras donde funciona meu círculo, não enganando outras. Por mais certa, você pode perder a discussão a depender de onde vai e com quem fala. Das duas, uma: ou você topa circular um mundo diminuído, ou você cresce e larga a mão de não andar com as mãos para trás quando tocarem-lhe os tinos do saber revelador. Melhor assim, ganhando assim um mundo do tamanho do mundo. Nasce toda discussão dessa e nessa forma de aprendizado, e nasce assim também a discussão da uberização. Pergunta: a uberização esconde em agilidade jurídica sua mesmice organizacional? A situação estar desqualificada do ponto de vista da seguridade social não me deixa ser desonesta em vão em não notar quando se eleva, o trabalhador que nada tinha, que tudo perdera, que pouco daquele desejado emancipar-se conseguiria, à digna jornada dum dia ganho honestamente na dureza paulistana? O diabo é que nossa normalidade econômica por muito foi troada na displicência patronal, no ocaso jurisprudencial. Cá o capital vingou bancando a burocracia conivente, menos que consciente, e resultou daí a pouca eficácia da musculatura econômica. O jeito é organizarem-se, trabalhadores de aplicativo, num movimento de sindicalização.

Exame de convivência

Do século 20 ao 17 antes da era cristã seriam as edubbas esta instituição escolar na Babilônia Antiga. O que a pesquisa arqueológica traz é pobre, fragmentos que incluem cartas de advertência (não vá o aluno zanzar quando deve estudar), um mestre a tachar um discípulo de incompetente, súplicas à deusa Nisaba que a redação fique boa etc. Não é fácil nem rápido compor a suposta mecânica escolástica de um dos mais antigos berços da prática, do cultivo e do ensino da escrita, mas não é errado supor que muito material soterrado ainda virá à tona.

O assunto da escola babilônica causa febre no meio dos grafólogos. Parece contudo aliado inconteste de uma resfriada frustração, tão antiga quanto a busca. Uma equipe é destacada, incentivada, equipada, vai a campo e passa anos no labor minucioso de sondar e desentranhar os membros de uma família narrativa que não nos supôs e não nos suporá deveras; mas quiçá saibamos nela perceber um veio direcional da grande cultura – eis a mão na massa da história. A frustração documentada é: o time acredita ter achado uma escola, faz o cartaz, a notícia cativa interessados, mas não se confirma. Não era uma escola.

Um caso famoso está numa sala do Palácio de Mari. A presença de bancos paralelos bastaram para que o arqueólogo anunciasse o achado de mais uma edubba. Mas bancos paralelos para o estudo seriam novidade na tradição referencial do que indica ou não indica uma escola babilônica. Além do que, o espaço entre um banco e outro seria demasiado estreito, e aos alunos caberia mais o contorcionismo que a leitura e a escrita.

Conhecido como a pseudo-escola de Mari, o sítio ganhou a atribuição mais provável de depósito de vinhos. Entre o que seriam bancos, guardava-se jarros largos da bebida. As poucas tábuas encontradas não exibiam diálogos entre mestre e aprendiz, exercícios ou lições, mas um monótono controle de estoque. Pode ser, como a frustração de Mari ensinou, que escolas nunca houve em palácios babilônicos. Mesmo as edubbas, pensadas institucionalmente, talvez sejam wishful thinking modernizante, e os achados se restringissem a casas de escribas a ensinar o ofício a pupilos capazes interessados nos poderes de exorcismo, da divinação e da influência régia.

O caso consta em Lire et Écrire à Babylone, uma das muitas fontes que nos botam a pensar na virtude do vírus da escrita. Se a língua é viva, se ainda grafamos o latim transmutado e colecionador, se a profecia é tão atraente quanto a planilha apesar de indisponível às máquinas, por que não escrevemos para a Covid-19, perguntamos o que quer ela compor conosco, em vez de brindá-la com o medo da pandemia?

Inti Samba

Era absurdo zoar o estilo popular de Lula. Porque vinha de onde vinha, isto é, de um dos mais importantes movimentos progressistas do século 20, o sindicalismo, e por coparir o primeiro Partido brasileiro genuinamente trabalhista, o PT, a gente esclarecida policiava a gente mais espontânea quando esta tossia sua frustração pequeno-burguesa projetando-a num homem supostamente sem preparo, sem elegância, sem noção, improvisador, aquém da altura, enfim, do cargo que ocupava. A gente esclarecida enquadrava qualquer opinião ofensiva à imagem de Lula como ignorância histórica e cegueira social duma classe médiazinha branco-sulista que se confunde com o próprio atraso do país. 

Mas não se tratava de ir ou não ir com a cara do Presidente. Sim de aceitar que, aos trancos e barrancos, Lula dava sequência mais ou menos meritosa à atualização republicana de Itamar e FHC. Se gambiarras imediatistas marcaram algumas das transformações mais importantes de seus dois mandatos, não foi diferente nos anos do PSDB. A própria estabilização da moeda foi (ou não foi?) um ajuste inusitado e arriscado cujo sucesso é esta sorte de alvorada rediviva a nos querer mais maduros do que, até aqui, a história ela mesma nos permite.

Incompetência, pressa, afasia teleológica, rabo preso, orgulho partidário e corrupção repetem-se amiúde baixo os mais neuróticos disfarces. A lição zero um da administração pública, a de que gastamos, nós o Estado, nem muito nem pouco, mas mal, é a mais resfriada das platitudes políticas deste falso paraíso, e bamboleia, clichê mofado ou peça sem encaixe, ao largo dos diagnósticos críticos da situação. Confundimos estratégia e visão de longo prazo com vontade de subir nas pesquisas, vencer discussões, rebater jornalismos, mostrar pra eles como se faz – porque o estágio desta infanta democracia assim requer, ou assim permite. (Mas quem permitirá mesmo não seremos nós, o Estado, quando o emprestamos ao despreparo e ao assalto em nome da governabilidade – este vício medonho que leiloa a razão e envergonha as gerações futuras?)

O mundo deu lá suas voltas, e hoje a gente esclarecida precisa zoar o estilo popular de Bolsonaro contra o absurdo de sua falta de preparo, de elegância, de noção, seus improvisos e sua altura, enfim, aquém do cargo que ocupa. Não zoá-lo é enquadrado como ignorância histórica e cegueira social da classe médiazinha branco-sulista que se confunde com o próprio atraso do país. 

Bolsonaro vem no entanto de um dos mais importantes movimentos republicanos do Brasil, este que, antes mesmo de 1889, acordava cedo, acampava, exercitava o corpo, enfrentava intempéries e temeridades para salvar um rascunho pátrio – nem que a golpes (ou não foi?). Que um dia, garantidas substância e extensão, firmar-se-iam as gerações capazes de vingar a dor, a exploração, o mando perdulário dos que aqui aportavam para tirar para si e para fora sem comungar com parceiros colonos a devoção pela terra. Somos filhos de Lula, este tipo que se vê em quase cada esquina brasileira, o quanto o somos de Bolsonaro, este tipo que em quase cada esquina brasileira se vê.