notas para quatro teorias

pendulo

o poliorgasmo sagaz do mestre do-in

o poliorgasmo sagaz do mestre do-in
diz respeito à vida sem arrimo
certa de que queda é fibra
que cachaça não mata mas é ruim
se exagerar
sente o entumecidoseco mestre coceiras
claro que sente
mas quando vem o orgasmo, e nunca
era para vir, chega
que nem um lento
dentro e massageia
o grau do adepto, se você prestar atenção
é bem na femeeza do gemido
maior para os recentes
menor para os mais altos e antigos
quando chega, união
pizoeletrizante que muda
imediato o plasma do sangue a neuroquímica os campos
de força das juntas suas
nova ou velha estática quebrada por rajadas
e rajadas
devem já mover-se, já, ontem
sumir ao alto em cone

nós outros também temos
raios para circular

 

˚˚˚

há, se tanto, um e apenas um sentido: o tato

há, diferente do ensinado
um tato
para todos os sentidos

ver era uma alucinação
à qual chamavam visão
mas não era, era tato
matéria em tecido raro
e maquinação
enquadrada, cabeça em fugas
você não tem nada que ver
com o simbolismo da luz e da sombra
elas são, no fim das contas
viagens de cru representar
o que acabaram de encontrar
tato falho e movediço
pré-poeta e promissor
mas nunca visão, e sim tato

ouvir era um mergulho virtual
a que tinham por audição
e ouvir era um fenômeno inofensivo
e nada em galáxia alguma sofreria reconfiguração
se se ouve longe dali
se a mensagem caiu a árvore
chegar mas nunca o  \
da queda da árvore
a fatal distância sem ouvidos
desfará sua noção do evento?
escuta é ser tocado
por ciclos e fases
tato, portanto
nunca audição
há, se tanto, um
e apenas um sentido
e esse sentido é o tato

creíam por assim dizer doce
a moranga
e chamavam tamanha sandice linguística
o paladar. não há como assegurar o futuro
de tão parca memória prática
um gosto
disso daquilo outro nunca
do que minimamente rasga amarra e queima
e se o doce for um solvente
se a fritura um dente
você pode se machucar
aí é tarde, e viver o agora machucado
buda algum perceberá
certas azeitonas nos engavetam
e daí? o cliente pediu?
tais e tais ameixas azucrinam
depois esticam as crinas
das paravertebrais
não se trata de gostinho de não sei que tem
é tato, ionizado da boníssima saliva
facilita matéria e língua
somos nosso maior inimigo

sorte de subpaladar
do já problemático nariz
nada a comentar do odor que diz “sentir” o olfato
nada a comentar é árida e amplificada a entrada
da memória encarnada da vida
nos cheiros de objetos grandes
por exemplo de casa de velha
cheiro de shopping, cheiro de inferno
cheiro por exemplo de hospital
esse que dista em milhões de braças
das terras batidas
cabem numa bolinha de gude
mas ao quebrá-la com um martelo
você irá tocá-los
a vantagem do incenso
assim, tem que ver com os fantasmas que vêm
e não se trata de cheirinho
de porcaria nenhuma

inocentes, asseguravam
um lugar ao sol ao tato
ombro a ombro aos heterônimos especialistas
não era um problema ficar ou não na sua
não era um problema confiscar dos irmãos a falta de lógica
e não havia turnos, e não havia reservas
ser coincide com estar em trabalho
já que ser é estar para os íntimos
e ser nunca dá trabalho para os outros
assim nosso pensar
muda mais rápido
você é só vertigem de sucata
ou avança, levedensa, rocksteady
tateando por óbvio
o haver
do espaço tudo
menos vago, tudo
menos longe
peles indistintas
a cada expirar traídas
já que nunca cessam os tatos
da bruta máquina de fora

˚˚˚

a transitoreidade paradoxal do bipedismo

a evolução do andar
humano logrou
sensibilizar
as mãos. posto isso
é hora de voltar
ao andar inclinado
pés descarregados
progresso de arcos
peito aberto e cal
canhares flutuantes
para o bom girar
do pescoço, ombros
baixos, queda e fibra
para não cair
— nosso corpo é impulso

serão, acreditem
bengalas mudadas
o aditivo tigre
para transformar
o homem calcanhar
livrá-lo da sina
mocassim, da reta
estranha e impossível
vetores deprimem
se tragam seu hommus
erectus no terno
ou no feio tailleur
pular entrar por
cima bem mais rápido
que bonde bem mais
rápido que van
e as bikes passadas
te encontro na árvore
tal, disse no tinder
@tigretransarino
para a bela @juh
outros patamares
lajes agitadas
nós móveis e nossas
mudadas bengalas
contra um céu azul

˚˚˚

a transitoreidade paradoxal do estado-nação e o multiversalismo radical do local

pede-se espere
a impossibilidade passar
deusa lei, casada enfim
com o povo
sorte na rua
boas vendas
casas defendidas
no fechasse, bandeiras
trêmulas
dizeres da empresa
hinários de guerra
linha imaginária fronteira
corrói se precisar um prado
um lago, a própria venda
pede-se funcione
marche, coma se puder
para isso há cadeias
cresça, vingue
não pesque fora de época
trabalhe, não xingue
abra seu corpo para a ciência, pede-se
seus textos para a inteligência
seu teto para a fazenda
antes você é número
voto de carniça não ringa
cidadania zumbi
a que servem as vias de mentira
e só então nome
sujo ou limpo, sedento
passado antes da flora
antes da intimidade, coado
sorvido sem sentido
rala fumaça, lembro, mas por quê

entendemos: tanta falta de façanha
não abraça nem alcança
e não era para ser
mover minas encharcar
a outra metade entupir
enganada nas plantations
gabinetes e halls de eleitos
protocolos imensos
tudo
num muito louco rabo
atrás a sacodir
o cão em pobre estado
foi-se o tempo
das rodas de cera rubra
determinando como e quando
quem e onde
recolherá copeques de quem

˚

˚

˚

Although it is defenitly a current fluxing being
at this very moment what intrigues me most is what
took me so long to get to the right question, here
what specification made latour skip it

gladly, the question arose
believe me, right after the spelling
out of the answer

[MEM], as i should be able to move along
is but to latour a shadowy [FIC]
not a word regarding [FIC • MEM]
not a mention of [MEM]
for me the 16th

it would take from the author
a dive he only imagined
a step he only saw
a moving of the finger he only uttered

his character, a lively
easily if only fairly amused young female ethnologist (or grapher, check it)
asking us moderns what
here and here and here
turned crossings so un-geometrical
politics so vicious, religion so unpractical
economy so inflated, technology
so deeply defaced
has never been given a chance
to get really home and away
in her thoughts go away
from tiresome research reports clues and chill
sip from an uncasual wine
regard her own articulate her very singular self away
even if sweetly coverd by a south india white cloth
from the shelves

hence the missing [MEM]
it had a chance
if only she offered us more
faces and gasps than the professional
MEM woud say “productive”, smiling if luck
has been striking, one

flux it does, [MEM]
neglected like a yellow butterfly
by a smiling crocodile under it

É obra da hora guardar
que hora que passa descuida
cuidado se preocupa o esporte
meu mandato vence só se
você vem refutar, mal sabe
seu problema Ele é um almanaque
corpo água antiga no fogo
madeira goiabeira vixe
o compacto metal sugere
agora é vida o que se move
invisível torque, sentença
só vence quem cumpre tais horas
na guarda o vir-a-ser pedindo
exposto na parte do metro
ainda réptil, manhã, mas prima

aranha bengala
besoura roubada
circunda no tronco
da logo invernada

aranha bengala
é norte, arrasto
osso de cegueira
milonga de jade

aranha bengala
marieta vem tarde
miramorre na
cera, arde; to

ca meu dedo é re
nasce. sai. não some

aranha bengala
aranha bengala!
aranha bengala!!
– agora casada

tampouquismo, script kids, a falácia da sofrência

São estes os três assuntos a circundar o atual. Folha em queda ou pétla também caída, enxume de enxofre a optar pelo anti-íon e besta praga ética jamais confirmada pelos franciscanos firmes, não lhe tanto interessam quanto a geração de energia local e a ergonomia dos objetos que ao mundo para nos servir, nunca atrapalhar, para ficarmos em apenas dois exemplos do topo de sua cabeça.

Não interessa tanto, no entanto, não basta. Se é para falar a língua iluminada, dirá também que depedram injustificadamente a produtividade resolutiva da atividade. Comprimem a potência, o que já é questionável em si, mas somam ao estrago a ausência vergonhosa de um propósito nobre que seja. E acabam, sempre, num rol de cento e poucos termos – todos, sem exceção, representando a nada excitante altercação binária. É apenas isso. O tampouquismo não é isso. O tampouquismo é outra coisa.

O tampouquismo é uma conversa outra, nobresilenciosa e ancha no que não define. Êhf, você pode dizer, soltando o ar, num modo expressivo avançado. É que o tampouquismo muito antes de ofertá-las em formicas vai a palavra reduzindo à fome. Desnutrindo o conhecido a fome e ainda: sem surpresa. Êhf – você não precisa saber antes que dirá daqui a pouco você não mira em ninguém (tampouco não não mira), mas encosto, aqui, não é partir de cima para atalhar o gostinho do poder; não é, atenção, empurrar o pescador para, então, alertar que caiu o pescador e você não. Assim faz o script kid: ele quer, um dia, programar o mundo que já vai a lhe cansar neste tacanho formato caixa. Mas não pode porque ou não se esforçou ou não quis ele ou a maldita sorte que lhe quis e pode mudar desde fenômenos muitos, a leitura deste post inclusiv se ele ler, e respeitar os mestres: assim o script kid sairá de seu infortúnio patológico ao qual Lacan ele mesmo denotou, em estudo antigo, a partir do caso dos beliscadores a rodar, desnecessário dizer BELISCANDO, quem lhes desse na telha, nos coletivos de Paris.

Paremos com isso, porém, para falar da falácia da sofrência. Vamos ver como dá pra viver sem violência “branca”. Porque não é possível. E porque, cuidado, desarranjar o cosmo é ação seriíssima (e deveria estar reservada). Vamos ver como dá pra governar a atribuição de stress – sem implicar os inocentes em negativíssimos ciclos cármicos que eles tampouco merecem? Vamos ver e vaiar quem otariamente brindar ou submeter-se ao exótico mistério da dor, atenção, ingovernável por quem quer que seja – “regra” (ao modo do teste da dureza entre materiais, ou seja, nem tanto constituída por nós). Pede o poeta a coragem de abandonar do fogo dos foros o apego a termos do meio, abandonar aos montes donde o foco em recrutamento e seleção [você, um possível gênio; ela: acha lâmpada e não mais as brincadeiras da mamãe do imperativo SEMPRE passivo como forma de agradar sendo que agora, é resolver: não há vitória em vista: pequenas vitórias não existem, não carece de uma; tampouco das derrotas de prickster: quem delas precisa?) Necessidades do corpo da pessoa humana e saúde: há entulho nas mandingas, nas alcovas, nos diagnósticos, nas prescrições. Entulho é esse acúmulo de termo do meio que gera ‘Pull Out’, isto é, o leitor mentalmente médio ‘sai’ do texto porque não enxerga, na argumentação da mandinga, da alcova, do diagnóstico, da prescrição – todas entulhadas –, relações muito práticas com os achados mais recentes da casa do saber (é o caso entender ciência aqui não só como a ciência incorporadas, mas também a relevantíssima independente e, ainda também, a marginalizada ela ora sob milícia do bem crescente). Como se trata de necessidades do corpo da pessoa humana e saúde, deveríamos evitar argumentações furadas com ‘Pull Out’ sob o risco de perder e, eventualmente, arrastar uma indústria consigo.

Um dos principais fixadores da falácia da sofrência é a iconografia do fracasso cristão. Via certas bandas, via certo skate, via proto-ocultismo de cuia meia (nem os ‘caras-feias’ riam imunes ao devir-script kid) e outras coisas, ela hoje produz adesivos que incentivam toda sorte de irracionalidade. Uma pena, isso sim é a simplificação simplória do excitante. Não se fala de moléculas, basicamente, ou de ‘zão’ eletromagnético. Qualquer participação, seja em mandinga, seja em alcova, seja em diagnóstico, seja em prescrição, sem tais campos léxico-conceituais iniciados e recomendáveis ao formado mentalmente médio afim apenas para citar dois exemplos do topo etc resulta tosco ruim de improdutiva então a dita.

Não no tampouquismo: não. Tampouco é tão definitivo – tente: veja, se não abre uma m   a  n-d   a-   l  a. Tampouco perderá, vencerá. Tampouco é tão certo, dizem os tampouquistas, e tampouco nunca mais, teu palco é pouco, ah, lindo, lindo é isso do tampouco, tampouco ou quase; ou, antes: tampouco é isso: nunca mais; não mais pois tampouco né? é, beijo. Não é tampouco. Tampouco é quase, poderíamos assumir?, ‘tampouquear’ diria, rindo uma jibóia dentro, como quem brisa à oblíqua sem má-fé, e já no tampouquismo a utopia que havia mineiraram; acabou. Poderíamos, sim, ter todo aquele todo adelliano: o todo de que trata Adelle. Êhf. Tampouco temos, contudo, porque vocês estão brincando. Na polifonia ético-perspectivista dos engendrados no barroco tampouquista, sobra pouco

à dor a venda ao total dela pouco sobra, diz tampouco, vendo, o tampouquista, seu corpo entre dois nortes, para uma sorte de conluio: dá azar dá azar. Tampouco entrega(o). Tampouco deixa de roubar seu dom quando soe-lhe um skito mais zum. Êhf.

cri cr ee (hu) p”

TB Presidente, o senhor se julga ainda a presidir um deblace

LULA Você quer dizer um debacle

TB Não precisa ferir assim

LULA O que você quer saber meu querido

TB Agora, se fosse meu avô eu perguntava vô, onde dói. Mas não sou. Eu queria saber se o lulismo, passar de na percepção do povo um projeto político cujo viés nunca incomodou ninguém além de terranos a uma ridicularização de todo um evento em flagrante equívoco incomoda

LULA Não é eu

TB O que é o senhor, presidente

LULA Eu sou o presidente

TB O senhor quer muito isso não

LULA É o que eu quero

TB Para encabeçar de volta o projeto

notfastor

LULA Isso a reta da vitória o arco do triunfo o ponto da dobra da exceção do plano que rende mais

TB Este blog não acredita em presidencialismo, presidente. Mas tá o alfinetado aqui é essa sorte de curiosidade

LULA Não vou nem comentar. Você sempre pode ir

TB Ir da onde pra onde fala serio q ninguem te explicou o einstein

LULA explicou resumido. O que quer saber agora o meu querido

TB Se há futuro para a democracia

LULA Há no mesmo tanto que não há

TB O que o senhor faria para reconquistar os não terranos que ficaram chateados com a mesmeci do PT

LULA É mesmice que fala mesmo os jovens deviam dizer mesmice e não mesmici

TB Tire suas mãos de mim por favor

LULA Eu adorava reconquistar os terranos

TB Eles farão de tudo para iludi-lo, presidente. Com certeza tarão perto, Mas não-não como o senhor deseja sempre ao modo “presidencial” dos nuvô-coronéis (nunca foram, os terranos vêem do corcel. esse simples malentendido, que deu no que deu, aprimorou nosso abismo epistêmico, essa mesa de banquete). isso vem bordado em roupões de quando muito chefes de partes de coisas. mas sim. quando gente influente foi comer bife em miami, você determinou novos influentes. os seus

LULA Eu preciso temer

TB Bastante. Eles em volta do Alvorada por exemplo praptopratpra de invisíveis a carga ossada os morcegas dum metro, dois metros e vinte em cestas de brim alimentando a conspiração terrana assustaria até o Stálin o comander in chief o presidente

LULA O que q eu faria sem o PT., Nos amalgamamos demasiado;; eu e uma instituição já sem sentido

TB Já quando o sentido convier lhe pruma al’gradar mais oh será o diabo

LULA É agradar

TB Cuidado

LULA Já o que vem caiu me basta. O cristal do Freud. O lado certo da história. A lucidez da redatora nova da Dilma que eu quero ela para mim imediatamente

TB E se ela for uma rad-femme presidente. Aliás, o senhor tem acompanh\

LULA Olha deuxa eu ser bem sincero com você meu combanheiro eu tenho marqueteiro pra brifar -ficar a par de CTF vai pedir alguém a um dos meus dizer alguém a esquerda latino, a americana é ou não é e eu cito metadiscurso-nóico sem / 100) qualquer aderência com a administração das coisas, e ELA, ela cujas marolas, ela cujos rodapés, ela cujas graxas-margem ‘tava um dia a seção inteira, inteira a enciclopédia, o novo-druísmo agora alguém diz vão, viu, eu sou só mais um, o cruel se tanto no símbolo que obriga nativo a trabalhar, participar de sindicato, fazer o que quem quer que controle a gente queira, eu sinceramente não sei opinar sobre esporte se tem uma coisa que eu aprendi andando no Brasil foi que sim, pode ter lá a rad-femme, a luana, que você bem colocou; foi lindo;; mas tem também amigo e presta atenção que eu vou dizer uma vez só eu tenho ainda hoje que responder por exemplo se janto ou não janto com o pib do maranhão daquilo de falar de assunto depois tem macumba da vitória é muita encomenda o presidente, sou do comércio, vem daí minha revolta, não tive minha loja, deixa eu, tio, olha eu, monta eu, rasga eu, me congela, não fizemos nada essencialmente diferente, mas se foi mal feito tem que pagar, mas tem também o mimo

TB Ou seja né

LULA Ou seja

TB Interessante você tocar nesses compromissos

LULA Que que eu diz de errado dessa vez vou sofre justiçamento criminalizante no cerne da judicialização da política

TB O senhor gosta mesmo duma política desjudicializada né. anarquistinha traíra

LULA Não sou eu esse aí (“bateu”)

TB A gente pensa nossa, que esforço. Toda uma presunção oficiosa para deixar ~legado? não mais duma série de mensagens? nova arte, arte total???

LULA TAMBÉM uma série de mensagens. mas justiça junto. o que é bem diferente de fazer sofrer quem mais precisa

TB Essa presunção em particular irritou certas naves

LULA Por que será

TB Mas aí tudo PODE ser, nesse naquele outro caso hoje cedo ontem isso vira limba, lima, faz assim, isso vira o god win do deixa pra lá, o que corrompe completamente o ofício

LULA Corrompe um pra fortalecer o outro

TB A gente preza a coragem mas não posso dizer isso pra terrano

LULA Se não for né

TB posso ‘vi-los assanhados trazem ossos, de novo rangem lumens na bagaça são hélices, também como o senhor queria, férias, um último gás sem limites para distorcer ainda mais as páginas deles, ninguém precisa de nada., e seriam próximos se desejassem essa química de ser presidentes. Ser lá não sendo para fechar as portas, eles não pedem mais mas ditam nesse momento e desse instante em diante. Sabemos confluir nporem ascemos para ver pelas costas. Eles, eu digo:

LULA Eu não vou ter uma sucessão de idéias boas e vnao ou dar sorte certo você sabe

TB Eu sei de tudo, já, mas a prepotencia é “sua”, os terranos são ignorantes do seu ponto de vista

LULA Qual a pior coisa que eles podem fazer é ir embora

TB Ir embora :

gan ref a sisop.o ^ stju

poema pode não agora é longe
do poema se quiser pra frente é longe
do poema se quiser poema não
deixa ele chegar apronta antes
do poema um nômades e foge
para longe do poema eu disse longe

poema pode não agora é corra
que a milícia vem aí queimar poema
corra, a simpática milícia vem aí com frase-termo
biruta dura e ética
de manicômio

não vou
não vou buscá-lo, meu poema
não vale o ingresso, o esforçado
o vale fúrdio / [dedo em riste]
da criação difícil

antes sento, espero fácil
i can do that, no disrespect
but that’s how i am–

glass

esta história específica também pode falhar
o poema pode vencer e pode ser
que ninguém note
a vitória do poema no contato trunfado
com a treva
seria como repetir
aquelas besteiras do deleuze
aquelas tipo congato/não-congato
não sei
essas ideias são boas para dançar a cabeça
para por e tirar o pijama
testa derrocada dos tontões negociam o futuro
como se impor uma
entre as tantas situações
possíveis
através de um poder quente na barriga frio
na sutileza
não fosse não
revivê-la

eu estou sendo claro

 

escuro eu diria

(você não me viu escuro)

há sobre o muro
rosa futura
pomba dobrada
miró pixado
canja engrossada
milho&mandioca
senso de nunca
suco de história
SOBRE AS HISTÓRIAS
enterradaças

série : limites e percalços na Nova sintasse a

não será na confusão
de movimento com qualquer tipo de movimento
que as portas abrirão para nós

andar em círculos não por acaso
nada atinge a repetição não produz
senão as latas do desuso

kku

andar em círculos não para nós
quem atinge a repetição produz
qualquer lata na confusão

quem fabrica na onda escura
do acúmulo quanto se diz
fecha as portas para nós

skol2

cisco na onda escura
façam almas para nós

troFéu logrou // touro bengala indie pub // Feira plana 2016

Recomeçamos janeiro dando nossa opinião sobre o bom e o mau, Feira Plana 2016. Como estamos a milhão com a produção de 1 primeira peça teatral (mais), seremos práticos: não falar do descartável sendo claros, indiretos com o que prestou.

Nasci assim Troféu Logrou Touro Bengala Indie Pub, um reconhecimento que também, para prestar, não bastaria dar-se em prêmio e só. Imperativo seria, antes, obter o devido reconhecimento, aquele que cabe a quem deseja instituir um reconhecimento derivado (há, por trás deste troféu, engenharia de material ou mera contingência bruta? Se for esta última, podemos falar de outra coisa enquanto não reconhecemos em absoluto um plágio da “natureza”?)

Pegadinha, contudo: só se obtém reconhecimento na empilhada consistência. Mesmo o falso bipolar só é reconhecido como um bipolar se se mantiver fiel à ilusão da enfermidade. Ele produz a repetição do sintoma para ganhar dos outros um nome que o exima do gesto que as mulheres fortes mães ou não de família chamam segurar o rojão. “Quero me ajeitar fora disso aí…”. Tal é a cilada do capitalismo incentivado por políticos e empresários mal formados a estragar impunemente gerações de inocentes. Pena? Nem tanto. Quando faltar a qualquer coisa que importe, diga, uma das gentes, um dos seres vivos, a autocrítica, atacaremos com invenções de improvável insucesso como o Troféu Logrou. Ainda que não fale a eles, a instituição ajuda a apartar mais e mais o descartável do que presta, o que baba bafafá de vento do que instrui e reforça.

Outra vez a Feira Plana se provou um dos eventos mais consequentes da cultura atual em São Paulo. Amalgamando e desamalgamando viéses, desafiando produtores, confrontando perspectivas, provocando encontros, estimulando a troca, o acesso, a apropriação, a bricolagem e a remistura e, talvez seu maior trunfo, expondo a bem mais que à meia dúzia do bate-cartão das feirinhas e, pouco a pouco, alargando essa meia dúzia, ela fica como quem fica para ficar.

Destacam-se, também, as inovações da residência editorial (amparada pela Cosac e produzida na Ipsis, duas casas de excelência), as mesas, as oficinas, o café e a cachaça. Falta, no entanto, robustez ditatorial à curadoria e revolução radical na ocupação.

O discurso da reunião de expositores sairia menos fraco e difuso se mais contaminado fosse pela obsessão, a loucura do controle, por paradoxal que soe. Um dos mais interessantes sítios onde se jogar hoje é uma curadoria mesm, o que não equivale à chance imediata de tratá-la como, por exemplo, um desenho irônico no mundo pós-desenho. Seu estatuto é o de uma forma expressiva nascente, que mal tem pernas, e que não merece assim a lassidão desinteressada, o suicídio ou o renascimento poliparódico de formas antigas como o desenho. Ainda que tenha sido só um exemplo.

A manifestação espacial da feira é ainda mais complicada, presa que está ao molde baias-anhembi de expositores de aparelhos ortodônticos e auriculares. Não se viu terra, plantas, tendas coloridas no chão, mágicos, animais, narguilés, instrumentos musicais, pufes coloridos, sombras orgânicas, águas, pedras, balanços e redários. Nada disso, infelizmente.

TL-01

A mim, pois, a voz do troféu. Eu digo chegarei à mão de três escolhidxs qual areiazinha molecular invisível, perceptível, porém, no do-inzinho micro-licious. Nelas cairei tornando as entranças das ditas mãos sensíveis à dança do deslize.

§ 3º § FRAGMENTO DE HISTÓRIA FUTURA

por Gabriel Tarde [ trad Fernando Scheibe ]

Sem saber o que ler, estávamos aflitos. O ritmo de três bons livros a cada dois anos não precisava envergonhar ninguém. Ainda assim, acreditamos no conservadorismo das melhores idéias. Cultura e barbárie mostrou parruda a mesa letras e ofertou cadernos inclusive, aparentemente propícios a receber figuras (imagine uma montanha, um sol etc) também. Baita afago.

tl-a

Escritor a influenciar Freud, Tarde estudou o comportamento de grupos e o crime; alertou que não trocávamos tanto serviços quanto reflexos, ou o contrário, ou algo perto disso. Esta parece uma ficção científica de mil oitocentos e tanto; o prefácio seria de H. G. Wells, deveras laudatório. Perceba um trecho do capítulo ‘Luta’:

Com cuidados infinitos, elas foram descidas uma após a outra, caixote depois de caixote, às entranhas da terra. Esse resgate do mobiliário humano se faz em ordem: toda a quintessência das antigas grandes bibliotecas nacionais de Paris, de Berlim e de Londres, reunidas em Babilônia, e depois abrigadas no deserto com todo o resto, e mesmo de todos os antigos museus, de todas as antigas exposições da indústria e da arte, está condensada ali, com incrementos consideráveis. Manuscritos, livros, bronzes, quadros: quanto esforço, quanta dificuldade, apesar da ajuda das forças intraterrestres, para embalar, transportar e instalar tudo isso! Tudo isso deve, no entanto, ser inútil em sua maior parte para aqueles que se entregam a esse trabalho. Eles não o ignoram, sabem-se condenados, provavelmente pelo resto de seus dias, a uma vida dura e material, para a qual sua existência de artistas, de filósofos e de letrados não os preparara. Mas – pela primeira vez – a idéia do dever a cumprir entrou nesses corações, a beleza do sacrifício subjugou esses diletantes. Devotam-se ao desconhecido, ao que ainda não é, à posteridade para a qual se orientam todos os votos de suas almas eletrizadas, como todos os átomos de ferro tendem para o polo. Era assim que, no tempo em que ainda havia pátrias, num momento de grande perigo nacional, um vento de heroísmo soprava sobre as cidades mais frívolas. E, por mais admirável que tenha sido, na época de que falo, essa necessidade coletiva de imolação individual, talvez não devamos nos espantar, sabendo, pelos tratados de história natural que foram conservados, que simples insetos, oferecendo o mesmo exemplo de previdência, empregavam antes de morrer suas últimas forças em reunir provisões inúteis para eles próprios, úteis apenas no futuro a suas recém nascidas larvas.

 

§ 2º § CARTELA DE SELOS

por Lola Etelvina

A artista mineira vem explorando os tipos incomuns e usando-os, como é de seu feitio, com a tranquilidade e a leveza de quem garante a dinâmica sismográfica da imagem sem se apoiar na paródia de um tsunami, na paródia de uma samarco, na paródia de uma chernobil ou de uma pé-de-chinelo-friboi. Rir depois do riso crispado do vapor waze, por exemplo, não é tanto um contragolpe quanto uma condição ontológica inquebrantável e desimportante. Daí a leveza e a tranquilidade, apesar da agudeza do comentário e o sacerdócio do sermão.

Aqui estão uma cidade e um estado vermelhos, de onde contarei o que vivo para você que não pôde vir, para você que mora longe mas quem sabe agora sinta algo de delicioso no tocar deste envelope. Em preto eu aproveito e vou: compor quadro, contrastar, impor, contornar, sobrepor, antepor, harmonizar, desafiar, interferir, quebrar, torcer e listar. Este selo agora é seu, preso ao envelope de cujas entranhas fiz páginas de carta desta sorte de saudoso e cavoucado amor.

tl-b

 

§ 1º § UNIVERSO EXPLORATÓRIO

por Cleo Lacoste

Este zine é projeto de conclusão dalgum curso da criadora carioca, inspirada livremente nos conceitos de física elaborados em O universo numa casca de noz, de Stephen Hawkins.

Resulta curiosa, a aposta de Cleo. Um livro poema que remete aos bons websites narrativos e enigmáticos do começo do milênio pode dar num objeto logradamente misturado ao frenesi impresso da baixa tiragem com alta estima sem padecer de insingularidade?

Não é fácil. Neste caso, contudo, acontece de sim.

tl-c

Pode ter sido sorte da Cleo. Tanto a autora quanto o objeto, a quem do magma o retira e à calma da canoa o traz, canoa só a deslizar sem pressa na baía, tudo aparenta a fúria da historiadora travestida de riso-chick para humilhar os desavisados. Eu, no entanto, posso estar lendo mal. Ela não é só mais uma riso-tit, ou, ela não é ainda outra riso-freak, nem, antes, uma riso-kitten, esta tão comum. Ela será daqui a pouco, é isto, uma moderadamente cínica so-riso, uma no-riso, uma inclusive pós-riso ou, enfim, uma back-to-the-riso. Então, estarei certo. O quanto antes, não estarei mais.

É do tempo que não passa e da clara colisão que não acabou ainda de que fala a Cleo.

Este objeto, desde já em minhas mãos, por assim dizer funciona melhor a partir de operações simples mas elegantemente vinculadas a certos conceitos do aparato teórico dos corpos e do cosmo. Dobrar aqui ali assim as margens os buracos, o desbastar fruir reter de trechos, os escuros e as explicaçõezinhas des-tacadas/locadas além do riso-charm a permear os spreads fazem do presente zine um objeto não de descarte, mas muito ao contrário de retenção, apesar de tudo quanto é glitch, de tudo quanto é sobra.

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mântica

Mântica é um livro de poemas escrito pela Tatiane Vesch, que toca com o João Maia a produtora camaleão. Ano passado, o casal fez a curadoria de um projeto transdisciplinar refletindo obra e processo em Hilda Hilst chamado Antrohh.

A Tati escreve desde uma antiguidade diante da qual é difícil não abrir as mãos.

Há uns meses, ela pariu a Viola; agora, Tatiane e João cuidam da filha e vivem a vivaz mitorritmia do milênio. Isso quer dizer entre outras coisas fazer a comida e não desesperar.

udon

A esta poeta não nos parece faltar tanto o que aprender quanto o que simples esperar. Disturba um pouco o monte de poesia que ali acabou aportando. Agora é ondas, voos de vegetação e passos dados trabalhando sem esforço.

deuxième

Muito natural e colorido, um hábito sócio-literário sem fronteiras com outras práticas, isto é, imiscuído no fruir atento (ela suporta a biomecânica circense) em que permeiam a mãe e a poeta em modo contínuo, é ela contar os sonhos, complexas psicodelias sem mudar o tom de voz. A admissão não exotizante do onírico acusa alcances irreversíveis de percepção.

2 2A

É da beleza de um canto espontâneo que salva e encena e planta o que resta por remar de que fala a Tati.

Neste almoço, em momento algum Viola deixou o contato do corpo da mãe. A filha muitas vezes fixada nas cores, ruídos, aromas à frente: todos os tatos da panela. E a poeta firme operou os fogos; usou mais de quatro panelas e bastantes temperos em compartimentos diferentes (exigindo assim diferentes modos de abrir e fechar), conchas, colheres, garfos, facas, tábuas, pegadores, escorreu a água fervendo e migrou molhos de lá para cá, misturou, misturou e serviu, pedindo desculpa aos convivas porque todas as cumbucas menos uma não existiam mais.

4 5

No poema ‘kort de amuzas’, Tati faz uma graça nas delicadeza e efeito que os críticos costumam atribuir às poetas velhas. Como se vê, um erro:

autre-même
autre-même
autre-même
muita gente no balanço

7

Você consegue um exemplar de Mântica na Feira Plana ou escrevendo para casa@tourobengala.com

marque isso: um brinde pra feira

entre tudo o que pode acontecer
ao marcador
notamos no escritório os nossos
aos poucos perdendo espaço
regredindo a pedaços
menores e menores
quem nasceu
para evitar orelhas livros
de bruço for
çando a espinha
quando some é que aprendeu
a viver mais
de uma vida sem capricho
que a defina
os nossos sumindo
invariavelmente sumindo e terminando
comigo calhou, disse um
do marcador acabar junto com o livro
rá, dissemos, o marcador acabou
junto com o livro, nunca mais
que caso difícil
significa que o livro exigiu na leitura o exato
número de piteiras
disponíveis no marcador

§

Na Feira Plana, os livros da Touro Bengala acompanham um marcador que traz em si a marca, a sugestão processual e diríamos a rota mesma de seu próprio fim. Um marcador para tempos que não passam conforme pensamos.

marcador_3

fotolivro: yui 393

Mais um xamã acessível (lembrando que o xamã, de fato, não há tanto quanto grupos fortuitos onde, do eventual, um ou mais esforços acessam o xamanismo em processo, que virá comunicar e administrar perspectivas cruzadas) na Frei Caneca lá embaixo, aonde vou bastante.

Avaro veio de Córdoba, Argentina, formado nas artes do DJing e da fotografia. Por vários motivos instalou-se em São Paulo onde vive e trabalha há cinco anos.

Não raro, Avaro deixa escapar indignações e desejos utópicos que poderiam ser ditos, sem tirar nem por, por mim mesmo. É um tanto espantoso o quanto, às vezes quando encontramos, as falas das bocas orbitam conceitos e percepções que não podemos chamar de próprias, mas de plenamente compartilhadas.

Isso, é claro, quando se pode a mínima complexidade na articulação (para excluir eventos ~meramente catárticos, por exemplo), ou seja, quando é possível abrir espaço para a produção de novos ou para a visita crítica de conhecidas percepções e conceitos não interessadas senão na direção da Verdade.

Há pouco, por uns quatro ou cinco dias, Avaro foi visitado pela enorme mariposa Canthela, nome de trabalho. Não há dúvida, Canthela não era só uma mariposa. Avaro diz que ela o seguia, que se aquietavam ambos quando queriam, e também que se agitavam concomitantes, passando da cozinha à sala e da sala ao banheiro. Eu disse: Avaro,

há pesquisa entre as mariposas, elas levam pranchetas mentais e ali esquadrinham sua ciência. Ela só queria uns dados. Rimos, mas sabemos: sob a máscara animal de Canthela, há, de fato, uma forma humana capaz de ver Avaro como um deslocado rinoceronte de cativeiro ou, mesmo, como uma mera mariposa.

“Vendo os seres não humanos como estes se veem (como humanos)”, diz Eduardo Viveiros de Castro em seu famoso ensaio, “os xamãs são capazes de assumir o papel de interlocutores ativos no diálogo transespecífico; sobretudo, eles são capazes de voltar para contar a história, algo que os leigos dificilmente podem fazer. O encontro ou o intercâmbio de perspectivas é um processo perigoso, uma arte política – uma diplomacia.”

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Avaro é apurado compositor, cioso das decisões que chamaríamos clássicas da operação harmônica. Regras de ouro, a forma clara, a beleza fora do grito, o ruído sequestrado pelo esquadro tanto quanto a dor pelo algorítimo luz, e ainda assim um pórtico, uma ponte entre estranhezas, uma sólida passagem para o espanto.

Em tempos de fotolivros ligeiríssimos, de tutoriais de fast-linguagem, de repetições de errinhos estetizados um tanto além do ponto naquela ociosa chave da frouxidão casual hipster, é salutar apresentar YUI 393, um fotolivro canônico. A seguir, um spread:

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Canônico, atenção, quando as “”rupturas”” disponíveis nos aportam tal qual filtros corretivos pré-programados, enjauladas por muitas e muitas aspas.

Avaro há muito frequentava o ?Parque? Augusta. Milita um tanto discreto, mais no silêncio da reza. No canto da sala do pequeno apê que divide com Gábi, há duas dúzias de vasos de onde sobem os verdes em galhos e folhas variadas. Na parede atrás, uma plaquinha diz: Parque Augusta.

Avaro é também muito grato. Nunca o visitei sem notar, às vezes simplesmente do nada, gestos e falas de gratidão genérica ao planeta e a tudo. É bonito ver.

Aqui você pode ouvir o set musical mais recente de Avaro:

YUI 393 estará na mesa da Touro Bengala na Feira Plana, de 15 a 17 agora.

todos soltos

À página 66 do livro Todos soltos, o leitor depara com as dezenove linhas de um poema que, nas palavras do poeta,

eu não lembro exatamente o sermão do Vieira que no Carnaval de 2014 eu lia. Mas lá ele dizia, no sermão de que não lembro, das tenças claramente; eu não lembro se eram necessariamente as tenças da segunda; e eu não lembro, também, se eram ou não grossas as tais tenças. Muito hip-hop eu ouvia, muita canção advinda da dor blues apenas quase subjugando a marcha eu consumia nas horas vazias daquela desalmada Brigadeiro, confusa na razão, até que como exatamente, muita confissão eu lia dos tuberculosos, os chamados góticos eu lia, os advindos da dor

. Sem dúvida um poema estranho porém marcado por negação e desamparo. Depois, pessimista. Seu fim, “já não imagina”, é também o bordão do desistente, daquele de quem os sonhos e os ossos pegaram no sono. Assim, numa transmutação goyana, produz-se monstruosidades

e eu acrescentaria ainda que não, parte-se uma bolha de sabão, com sorte, com um dedo, e assim nascem duas menores, duas bolhas menores completamente desinteressadas. Não é o caso neste poema. Aqui há tão somente uma bacia de latão carcomida em parte, demasiado amassada pois vê-se quedas, quinas, dedadas e martelos, toda sorte de pedra se vê e mais chapisco, lascas, resinas, ferrugens e metais e um geral estrago alma da segunda, se assim acreditarmos, ou desde uma compreensão tolerante diante das cruezas da situação. Quem gostaria de ser “infensa por decreto”? Cadê a transparência, ela gritava; “tripas na vitrina”, concluía.

A página não revela outra coisa, apesar de fazer pouca ou nenhuma diferença

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Há um problema na depressão, bastante sintomática no poema, quando dá-se o que a psicanálise chama de “cansaço em expressar a si mesmo”. Ora, nós não podemos esperar nada de sujeitos cuja trajetória de autocriação e reconhecimento tenham sido por esta ou aquela contingência guilhotinada. As últimas linhas são brutais quando aniquilam os trapinhos de autoestima e convocam a guarida da melancolia for good.

Tal seria um problema menor. Acontece que há, na modernidade vigente, uma série de arapucas camufladas de estradas, gaiolas camufladas de automóveis. Não é fácil perceber. Eles dizem: você não precisa articular suas vivências em linguagem compartilhada e tecnologicamente desperta, basta render-se à “hiperexcitação contínua da festa”, e sair correndo, e abraçar a cisma superegóica da promessa do gozo. Vem assim, não por acaso, prescrito o descaso com a ansiedade via quem? ele mesmo: o consumo; do qual, aliás, poucos de nós (os monges, bichos) estaríamos livres ou soltos. O que o mundo tal como o erguemos nos parece pedir, sem vergonha, então, é: anule sua voz e viva o tempo morto de quem trabalha para comprar arapuca por estrada.

É mais difícil do que parece, pois os seres da Organização estão à solta e são gigantes. Um deles, inclusive, pretende “cuidar” de nós os depressivos. E cuidariam, talvez, não fosse um detalhe: quando fazem circular inibidores disto ou daquilo (testados baixo o domínio do Earning Per Share), o que circulam, em verdade, é o discurso mal acabado do “fim da era dos conflitos”, quando nada muito drástico, em esfera alguma, e por mais contraditória, pode ou deve ser incitado. Pare eles, estaria “tudo certo”.

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Reunindo dois anos de produção, Todos soltos é o primeiro cujo nome do autor, Guilherme Coube, vai à capa. Por quê?

Talvez eu tenha amadurecido. Talvez, agora, eu sinta mais firmeza na ideia de fazer circular um livro apenas mais um, sem que o nome do autor tenha medo de aparecer. Mas eu não mandaria ninguém embora se este ninguém dissesse assim mesmo: o que houve foi que regrediu, você, você regrediu. Antes era contido na forma mínima que programa o desterro da autoria, morriam longe tantas influências prosaicas, e víamos ali algo que não se dói desprezar. Agora? Agora você tão somente deseja ser um e só mais um, mais um comum. Você voltou atrás, quando muito…

Todos soltos foi distribuído em residências aleatórias do bairro Bela Vista na semana que passou, infelizmente sem registro fotográfico. Mesmo assim, será lançado entre 15 e 17 de janeiro no Museu da Imagem e do Som de São Paulo por sintonia da edição preto e branco da Feira Plana.

acho que não sou mulher

Acontece de se desferir certos golpes já em adulto. Violência interregna no ambiente avesso, ambiente-defesa construído ao redor. Acontece que Murilo Mendes pedia-nos aos dedicados sermos fiéis à luta pela paz.

Quando: no meio do ano. Eu queria descobrir quem eram os rapazes a entrar no prédio com mesa de montar e laptops. Escrevi assim para uma detetive particular, que passou um orçamento e uma mensagem escondida dizendo: “não são quem verá”

Como: Acuado, recorri à amiga Juliana Frank. A Ju escreve dramas exógenos desde a tenra idade, dedicada hoje que está ao tarô goiano. Eu disse Ju, estou demasiado distraído. Procuro certa abertura.

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a ajuda veio mais q pronta

Por quê: Não é fácil ancorar a língua.

A seguir, Juliana e Mário Ivo, os dois supostos autores de Acho que não sou mulher respondem quatro perguntas cada.

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Quatro perguntas a Mário Ivo Dantas Cavalcanti

1. Você é mesmo o MI da Loli Rouge e o livro ‘Acho que não sou mulher’ de fato vos pertence? Dizemos isso porque o editor free-lancer que editou o objeto sofria de psicodelia no instante da montagem e, como dizem na polícia de São Francisco, “ele não voltou mais”. Assim que não sabemos nada além daquele PDF. Caso não tenha nada a ver com isso, desde já nos desculpamos.

Dizem que fui visto ao lado da Loli R uma noite de verão, mas por pura falta de inverno. A bem da verdade, é engraçada a referência à São Francisco. Estávamos, nessa noite, próximos a uma ponte parecida com aquela de Vertigo, mas muito mais kitsch, Loli era então Jane A, como Madeleine parecia ser Carlotta Valdes e depois se mostraria Judy. Conversando com Truffaut, Hitchcock diz que contou a história num ritmo lento porque a partir do ponto de vista de um homem que é emotivo, um homem que, ao tentar vestir uma mulher que se parece com outra (e na verdade é a outra mesmo), procura na verdade despi-la. Nesse caso, o meu e o de Loli R, é o inverso: ela é quem se despe pra mim, e a história é contada (ou assim foi editada pelo editor psicodélico) quase toda sob o ponto de vista dela e, quando eu saltei da ponte, ela não ‘tava lá, pra me carregar nos braços. Nenhum de nós ‘tava lá.

2. Encabulados com o status depreciado da poesia, inúmeros poetas atuais vêm camuflando e torcendo seus poemas para enganar leitores ao fazê-los à imagem de não poemas. Poetas fingindo ensaio, poetas fingindo roman a la clef, poetas fingindo pareceres e resenhas, poetas fingindo cruzes jornalismo. Está ruim assim a coisa? Você finge seus poemas doutra coisa para entrar onde quer que seja? Onde vamos dar com isso?

A coisa sempre ‘teve ruim pra poesia, por isso que ela é tão boa. A gente finge ser gente, finge escrever, finge viver, finge entrar, finge sair, por que danado seria diferente nos versos ensaios romances resenhas jornais? Gosto muito da história do pescador, cutucando o dedão com a peixeira pra dali extrair um bicho-de-pé. Tá fazendo o quê? perguntaram. Tô aqui, cavoucando um poeta, respondeu. Daí esse destino nobre, de desserventia, de inutilidade, de realeza, mesmo.

3. Há muito desencontro em ‘Acho que não sou mulher’. Há, antes, uma nítida-baça paixão. Há também uma parte em que você se derrama em amor e quem responde não é Loli Rouge, mas a mãe de Loli Rouge, dizendo que a filha não está e dando um número. Você liga e, pronto, ela também não atende. E nada ocorre, e você volta a derramar um belo poema de serenidade mais ou menos machucada. A gente está fadado a se frustrar para sempre com as mulheres fortes? A Loli é forte? Ou é só ingrata?

Deixemos as mulheres fracas aos enfermeiros de plantão. Fiquemos com as mulheres fortes, com as chamadas não atendidas, com mães que dão número. A Loli não é forte, só precisa parecer. Agora, a Jane A é outro papo: frágil como um sibite, é uma potência, uma potestade. E, quanto à gratidão, que besteira.

4. Qual a vista da janela mais próxima a você agora mesmo? Qual a importância (a dignidade ontológica) da Janela num mundo de muros e paredes demais? Quem deixa a rede de deitar pendendo em frente à janela à noite pega espírito?

A noite preta, as luzes amarelas marcando um relevo que se perde entre prédios até o morro de Mãe Luíza.
O mundo tem muros, paredes e janelas demais. Quem sai ao aberto, quem fica no relento, não precisa de nenhuma das três indignidades – a janela uma delas, mero artifício da parede, pura ilusão do muro.
A rede tem que tá sempre balançando com gente dentro.

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Quatro perguntas a Juliana Frank

1. Você é mesmo a Loli Rouge do MI e o livro ‘Acho que não sou mulher’ de fato vos pertence? Dizemos isso porque o editor free-lancer que editou o objeto sofria de psicodelia no instante da montagem e, como dizem na polícia de São Francisco, “ele não voltou mais”. Assim que não sabemos nada além daquele PDF. Caso não tenha nada a ver com isso, desde já nos desculpamos.

Sou sim, psicodelicamente falando. Não precisamos aqui pedir desculpas ao entrar nem ao sair – principalmente no caso de emergência. Acredito em enlouquecimento coletivo. A linguagem tem esse poder de arrastar multidões. Nesse caso vejo apenas três personagens inocentes até que se prove o orgasmo.

2. Encabulados com o status depreciado da poesia, inúmeros poetas atuais vêm camuflando e torcendo seus poemas para enganar leitores ao fazê-los à imagem de não poemas. Poetas fingindo ensaio, poetas fingindo roman a la clef, poetas fingindo pareceres e resenhas, poetas fingindo cruzes jornalismo. Está ruim assim a coisa? Você finge seus poemas doutra coisa para entrar onde quer que seja? Onde vamos dar com isso?

Nasci com o destalento de des-poetizar. Nos mundos onde falam as línguas dos homens, é comum que esqueçam as línguas dos anjos, de Aram, e é assim. A gente vai esquecendo a brisa em boa parte das vidas. Mas o disfarce é um dos grandes vícios de escrever e por ele persisto. Muitas vezes sem saber porque diabos ainda insisto nesse trabalho de Penélope. O disfarce torna o outro mais criativo.. Afinal, quem somos nessa toada? A resposta é simples, mas o salto pode ser alto. Nesse ponto sou contemporaníssima. Os disfarces e as confusões de vozes são o grande ápice, a sacada dos tempos sombrios. Ninguém sabe alcançar miragens, não é mesmo? Daí o dia a dia de quem escreve é cheio de trapaças. E eu gosto delas. Das fábulas e personas escondidas em frases aparentemente simples. A artificialidade, a histeria, a inocência, a idiotice sempre escondem altos vôos.

3. Há muito desencontro em ‘Acho que não sou mulher’. Há, antes, uma nítida-baça paixão. Há também uma parte em que o MI se derrama em amor e quem responde não é Loli Rouge, mas a sua mãe, dizendo que você não está e dando um número. Ele liga e, pronto, você também não atende. E nada ocorre, e ele volta a derramar um belo poema de serenidade mais ou menos machucada. O homem está fadado à frustração eterna nas mãos das mulheres fortes? O MI é forte? Ou é só ressentido?

O desencontro é a única beleza que existe entre os dois. Não existe herói, heroína, força ou fúria no meio desses dois desentrelaçados. Os celulares estão quebrados. As rotas de fuga de Loli Rouge estão, a cada dia, mais silenciadas. O caminho dela é liso e nítido e adiante. Acredito que ela não precisa de um celular. Assim como é inútil a presença de um poeta na vida de uma mulher como ela.

Mulheres fortes são temas de revista feminina, de banca de jornal. Foram feitas no molde do tédio. Só poetas, bêbados e crianças podem acreditar em uma imagem tão fabulosa. Mulheres fortes são mulheres, no geral, vivas. Nenhum homem está fadado à frustração. Mas falo do falo, do homem, do homem e do homem. Já de poetas não entendo, nem mesmo suas poesias. A linguagem é imprestável para o amor. A inteligência é irrelevante. A Loli não encontra com MI. I jamais, porque gosta de estradas e mentiras. Ela não sabe ser forte no molde do tédio. E ficar ali fumando na janela, engolindo fumaça e pequenas lorotas. A Loli do meu livro só gosta de ex-presidiários, tatuados na Rússia, construtores e tapadores de piscinas instantâneas, loucos e fugitivos. Enfim, os homens que inventam o mundo e dão forma a ele. Os poetas, geralmente, tem uma certa mania de aniquilar o mundo, de pisar no mundo como se massacra uma guimba de cigarro. Nesse caso, M.I tem uma linguagem forte. Se for ressentido, melhor pra ele, pras suas graves poesias. Mas, conversa de literato não me pega – nem morta. Com veneno de poeta eu adoço meu café.

4. Qual a vista da janela mais próxima a você agora mesmo? Qual a importância (a dignidade ontológica) da Janela num mundo de muros e paredes demais? Quem deixa a rede de deitar pendendo em frente à janela à noite pega espírito?

Janelas foram feitas para que se fume perto delas, planejando novas fugas. Há muito ainda, elas dizem, para escapar.

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Abaixo, uma página do livro, se é que faria diferença:

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Existe, a propósito, uma pendenga no sítio facebook entre editor e autora, mas tudo deve se resolver simbioticamente.

Ontem, no entanto, antes de surtar aparentemente, a mesma Juliana enviou, em privado, esta mensagem ao editor:

anos de ciganagem. nem o meu sonho sabe onde é minha casa. sonho com casas cada vez mais surrealistas. os sonhos misturam pessoas e cidades, os rostos das pessoas nunca combinam com a geografia. os sonhos vão misturando praias com cerrados com invernos e raios de fogo. é comum que chova e faça dia e noite e sol ao mesmo tempo. as vozes das pessoas estão trocadas, dubladas, seus corpos são artificiais ou estão misturados. já não existem muros nos meus sonhos. normalmente eu caio do avião e flutuo pelas nuvens que desenham rostos errados. tenho asas de pelugem negra. e converso com anjos caídos, eles me contam sobre rotas e linhas e pontilhados feitos para escapistas. me dizem que há muito, ainda, pra fugir. foi o sonho que me alertou que devo parar. que continuar viajando seria o próprio enlouquecimento. então vou ordenar minha cabana fixa. vou ordenar. isso, terei apenas uma residência, vou atirar minhas malas no lixo e pretendo organizar as roupas q sobraram num armário de verdade. e também vou sorrir e sacar da bolsa o comprovante de residência quando a pessoa do guichê pedir. vou dizer: ok, está aqui, simplesmente. e entregar. ao invés da estúpida confusão que vira minha mente ao me pedirem coisas simples. e também vou sonhar com ladrões entrando em uma casa. não ladrões de nuvens ou anjos terríveis que tomam drinques em telhados em forma de carrosséis ou cavalos que cantam em uma linguagem indecifrável. não dormirei mais. isso. não viajo nem durmo mais, a partir de hoje. desembarco.

Acho que não sou mulher será lançado, caso não embargado, também na Feira Plana junto a muita gente.

taco da lôca

Um caso a ser seguido em nossa prosa, musicada e imaginada durante uma semana em que o narrador e protagonista insiste no que talvez chamássemos singularidade não constrangedora, isto é, aquela que respeita a platitude segundo a qual o seu desejo tem duas e apenas duas opções: realizar-se sem restringir o desejo do outro OU realizar-se para provar que o desejo do outro, na verdade, não compensa ou até mesmo não existe. Neste livro, os desejos de grandes conglomerados corporativos e políticos profissionais, por exemplo, são atacáveis porque são inválidos, não humanos.  Insiste-se: o autor é paciente com o mau desenho social sem ser acrítico.

a coisa do eu. até as lamas na questão do si. mesmo, no caso. no caos. sobrevivendo no inferno. umbigo, 2 bigo. taxista ouvindo pan, no programa da tarde o ex bbb bam bam. humanista agressivo. os que sentam no corredor e dão meia licença, os que pedem info na porta do busão sem dar uma nesga pra quem quer entrar.

os direitos dizimados um a um, dia a dia. a real humanitik q regaça como todo mundo o xingú e posta brum.
mata uma aldeia a cada carregada do aifone 5. quem nunca? as mortes por selfie, que ultrapassam ataques de tubarão.

o ex de anita. a publicação do tico.
o meme da vez.
prêmio hídrico, jornalismo wando. você não me avisou, amor. podemos tirar se achar melhor. todos estão surdos, todos estão soltos.

ins-galan

Ao contrário, Bruno Galan apresenta, como no trecho acima, a descrição nevrálgica do romancista decantado de mãos dadas com a crítica. Engaja-se, pois. Não abre mão de ser e pensar o político dentro do experimento e entende que um sujeito nunca se esvaziará o suficiente para pronunciar abobrinhas do tipo “não ligo para política”.

No posfácio da presente edição, o editor Guilherme Coube arrisca hipóteses:

Não é só o desejo de ‘ser escritor original’ no pátio de reproduções majoritariamente insossas e inconsequentes do Facebook, mas é, sobretudo, a coragem de ‘mostrar como escrevo’ aquilo que você não perde por esperar.

Isso ou não, o livro passa fincado em nossa época, na forma e no fundo.

Taco da lôca é lançado 15 de janeiro na Feira Plana com esperadas aparições do sr. Galan.