benjamin se preocupa sempre com o momento utópico encontrado no negativo – nas passagens encardidas e barulhentas, nas extravagâncias de grandville, na permuta de aforismos entre a moda e a morte, no papagaio barato de feuilletoniste, em baudelaire exclamando: “hélas! tout est abîme”. ninguém negaria que tudo isso faz parte do enredo. todo louvor a benjamin por trazer à luz esses fatos. mas, curiosamente, talvez tenhamos chegado a um momento da história em que é preciso reafirmar o outro lado da dialética do século XIX: não só os desejos e as potencialidades urdidos, contra as probabilidades, pelo negativo, mas antes de tudo aquilo que as formas de lucidez e positividade mais altivas do século (suas realizações efetivas) revelaram do terror – o verdadeiro abîme – entretecido ao sonho de liberdade da burguesia

Deixe uma resposta

Post Navigation