Promoção de Carnaval

Leitores!

Na página abaixo, número 230 da primeira edição do livro Da família, um longo ensaio imaginativo, há um curioso enigma na forma de poema. Diz o autor:

Não é bem um enigma na forma de poema, posto ser natural, do poema, uma sua feição enigmática. Mas sim que aludem, as cinco estrofes, a cinco personagens femininos da mitologia grega, das mais famosas, portanto rapidamente vislumbradas por quem nutre-se de elegância. Contudo, o que poderia acabar aí, complica-se. Quem lê o livro e tenta associar as personagens aos cinco arquétipos de Mãe trabalhados no capítulo dois do livro (Mãe Gaia, Mãe África, Mãe Bahia, Mãe Paulista, Mãe Magia), entende que, no poema, acertando-se a relação mãe arquetípica – personagem mitológico, dá-se não na ordem direta das seções de um a cinco, mas numa sorte de baralhamento, um outro jogo-texto e, em si, outro poema-enigma, assim significativo.

Eis no que consiste, o concurso cultural imaginativo: o primeiro leitor que encaminhar a correta atribuição das personagens da mitologia grega às estrofes do poema ao e-mail casa@tourobengala ganha um exemplar do livro, livre de qualquer custo.

Boa pesquisa!

QUAL SERÁ MEU FIM?

OFERTA

Se sua editora atua no mercado jovem ou do ensino médio, este autor informa ter bem encaminhado um livro de filosofia com o título Qual será meu fim? – O desejo e a cidade. Para obter mais informações, tratar em casa@tourobengala.com.

SINOPSE

Sem encostar na história da filosofia, nem tratar de teorias disso ou daquilo, mas citando o exemplo de homens inspiradores como Sócrates e Jesus Cristo, o opúsculo pretende apascentar as práticas do autoexame e da crítica social a partir de problemas atuais, levando em conta a novidade digital e a exaustão das grandes cidades.

As narrativas de Sócrates e Jesus como epítomes do homem político bastam para uma apreensão filosófica sólida. Formam, através de um alicerce ético descomplicado, o patamar da independência e da voz ativa singular. Daí, se busca e se cria, administrada a sismografia do constrangimento psicológico e da incompletude mal aceita, as novas, necessárias e importantes possibilidades de autodescrição e felicidade.

FRNKNSTN

FRANKENSTEIN REVISITADO

–– um poema colagem do romance de Mary Shelley ––

Só há pouco fui ler Frankenstein, um dos marcos fundadores da ficção científica. Encantado com passagens do lirismo depurado da Sra. Shelley, passei a recortá-las (de um original barato), como quem colecionasse versos soltos, achados nos rios, chuvas e ventos.

Fui guardando as linhas na ordem da leitura.

Terminado o livro, fiz da prosa picotada um poema colagem. Ficou assim:

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Em seguida, e sempre a ouvir concertos para violino do repertório sinfônico romântico, dediquei-me à traduzir o poema recém-montado. A nova criatura ora se publica na plaqueta Frankenstein revisitado – poema colagem do romance de Mary Shelley.

Leitores queridos receberão a plaqueta em casa.

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‘DA FAMÍLIA: UM LONGO ENSAIO IMAGINATIVO’ em pré-venda por R$ 40,90 :: update: fim da pré-venda

Nosso principal lançamento de 2017, o livro Da família: um longo ensaio imaginativo, de Guilherme Coube de Carvalho, está em pré-venda pelo preço promocional de R$ 40,90.

Reserve seu exemplar autografado e receba-o em casa, com frete grátis, a partir de 18/12.

O livro é um romance de formação com vinte personagens multifacetados, e a prosa se aproxima da tradição do ensaio familiar brasileiro. Há, além de trechos gostosos de autoficção, dramaturgia e ficção científica, traduções de Anne Carson e John Keats, uma releitura do processo condenatório de Frei Caneca, e a síntese da trajetória de Johann Sebastian Bach como artesão exemplar e um dos pais da nossa música. O livro mira na grande filosofia da maturação para entregar um tarô divertido, híbrido e aqui e ali sortílego, acerca dos possíveis da paz aos espíritos modernos.

Leia abaixo oito páginas de Da família.

dezasete

Hoje em nossa página EPUBS (sigla convencionada para indicar ‘publicação eletrônica’), um novidade: o livro Dezasete, cujos 50 exemplares impressos em 2013 logo evaporaram. A publicação é um pequeno exercício de rememoração levado a cabo em fevereiro de 2013 por Guilherme Coube. A compõem 10 sextetos em redondilha maior (donde o título, dez-a-sete) a tratar de algumas das mais fortes lembranças da infância do autor em Bauru, onde viveu, entre o campo e a cidade, de 1987 a 1997. Na sequência dos poemas, lê-se uma sua inicial tarefa ensaística, em que o autor compara duas leituras da novela Campo Geral, de João Guimarães Rosa, a primeira naquela infância, a segunda no fazer do exercício, 20 anos depois.

>> Em ePub ou PDF

Lançamento 2 de n

Gente lida, viajada e estudada desse brasilzão, assuntíneos, contratíneos, familiares e festeiros, pessoal do bairro e das muitas casas do caralho espalhadas à vontade nesta densa são-rio, é prazer receber as suas graças sorrisos pratas sábado agora dia 8 próximo neste simpático café-restô da Vila Buarque. Os autores os saúdam e dizem que não desadoram adorar, adoram não desadorar, vocês mesmos suas testas mãos e línguas de leitores de tão quentes livros. Sábado agora! dia 8 próximo!

Dispare os cartazes abaixo em seus grupos de zap valeu [submergir] ♥

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Handy Zine n.1

Está inaugurada a série The Handy Zines, livretos de 12 lâminas em papel kraft com dimensões de 11 x 14 cm. São peças únicas montadas manualmente, interessadas em tocar o ‘hoje’ com alta eficácia semiótica e populismo sensorial. O idealizador do projeto e autor da primeira edição, Guilherme Coube, afirma em nota esperar um leve quem sabe rebuliço no mercado, apesar do preço “praticamente inacessível”. Novos artistas serão chamados a manufaturar as edições subsequentes, “desde que entreguem alta eficácia semiótica e populismo sensorial, isto é, desde que toquem, com denso e matador minimalismo, os discursos tópicos correntes e fabulem uma assembleia fruível com delícia”, explica. A presente edição, intitulada ‘O So Con & Troub’, fala segundo Coube das “dualidades inseparáveis do fazer e do poder”.

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Apresentando Luisa Micheletti

Luisa Micheletti nasceu em 1983 em São Paulo e trabalhou de 2003 a 2010 na MTV Brasil, onde foi produtora, editora e apresentadora. Atriz, integrou montagens de Ibsen, Jean Genet e Roberto Alvim. Tocou baixo por dois anos no femme trio de dance-metal Fantasmina. Nem sofá nem culpa, seleta de contos a ganhar por este selo as falanges do público, sai no primeiro semestre de 2017 e marca a estreia de Micheletti em livro desde predicados próximos de maturidade, ouvido musical, íntegra abertura mística. O trecho a seguir, pinçado de um dos contos, casa bem com a série Mãe,

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Luisa Micheletti diz: Mãe,

Aos treze graus de Sagitário, dilatava rumo aos limites do círculo, claro insulto aos astros mais distantes das orgânicas córneas. Absteve-se de escolher. Determinara que faria parte de tudo e de propósito cravou-se, limiar da primeira, cúspide da segunda; assim, seria ambas. A estreita oposição mercurial em mortífera oito, perspectiva que mais tarde ensinaria a integrar valores ao que é dito, submeteria a fala do bebê vermelho às mais limpas verdades sempre, nesta infinita linhagem de matrioskas honesticidas. O inverno ameno o suficiente para que pudesse descer nua e com três jóias douradas empedradas de Vênus: era assim que posaria no momento de se consumar o retrato da carta nascente.

[…]

Sônia foi mãe três vezes. Dois vingaram. Pioneira em desquite, sol em leão, acelerada, válvula mecânica. Tinta dourada no cabelo, Aldemir Martins na parede, homens do PSDB e suas malas de dinheiro. A praia, ela viu, a novela, o mar. Ter tido um neto médico. Ter sido Shirley Temple. Ria. Ensinou não correr atrás de homem, escolher entre os que vêm e permanecem. Memória em molho netuniano que perpassa carne, bolognesa, sangue. Por dentro as que já foram, encuba, guarda, estão por vir. Em Uberlândia nasceu avó Sônia, lua da minha mãe, caçula de Antonieta poeta, neta de Leopoldina, filha de todas as filhas das matrioskas lunares honesticidas.

mântica

Mântica é um livro de poemas escrito pela Tatiane Vesch, que toca com o João Maia a produtora camaleão. Ano passado, o casal fez a curadoria de um projeto transdisciplinar refletindo obra e processo em Hilda Hilst chamado Antrohh.

A Tati escreve desde uma antiguidade diante da qual é difícil não abrir as mãos.

Há uns meses, ela pariu a Viola; agora, Tatiane e João cuidam da filha e vivem a vivaz mitorritmia do milênio. Isso quer dizer entre outras coisas fazer a comida e não desesperar.

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A esta poeta não nos parece faltar tanto o que aprender quanto o que simples esperar. Disturba um pouco o monte de poesia que ali acabou aportando. Agora é ondas, voos de vegetação e passos dados trabalhando sem esforço.

deuxième

Muito natural e colorido, um hábito sócio-literário sem fronteiras com outras práticas, isto é, imiscuído no fruir atento (ela suporta a biomecânica circense) em que permeiam a mãe e a poeta em modo contínuo, é ela contar os sonhos, complexas psicodelias sem mudar o tom de voz. A admissão não exotizante do onírico acusa alcances irreversíveis de percepção.

2 2A

É da beleza de um canto espontâneo que salva e encena e planta o que resta por remar de que fala a Tati.

Neste almoço, em momento algum Viola deixou o contato do corpo da mãe. A filha muitas vezes fixada nas cores, ruídos, aromas à frente: todos os tatos da panela. E a poeta firme operou os fogos; usou mais de quatro panelas e bastantes temperos em compartimentos diferentes (exigindo assim diferentes modos de abrir e fechar), conchas, colheres, garfos, facas, tábuas, pegadores, escorreu a água fervendo e migrou molhos de lá para cá, misturou, misturou e serviu, pedindo desculpa aos convivas porque todas as cumbucas menos uma não existiam mais.

4 5

No poema ‘kort de amuzas’, Tati faz uma graça nas delicadeza e efeito que os críticos costumam atribuir às poetas velhas. Como se vê, um erro:

autre-même
autre-même
autre-même
muita gente no balanço

7

Você consegue um exemplar de Mântica na Feira Plana ou escrevendo para casa@tourobengala.com

marque isso: um brinde pra feira

entre tudo o que pode acontecer
ao marcador
notamos no escritório os nossos
aos poucos perdendo espaço
regredindo a pedaços
menores e menores
quem nasceu
para evitar orelhas livros
de bruço for
çando a espinha
quando some é que aprendeu
a viver mais
de uma vida sem capricho
que a defina
os nossos sumindo
invariavelmente sumindo e terminando
comigo calhou, disse um
do marcador acabar junto com o livro
rá, dissemos, o marcador acabou
junto com o livro, nunca mais
que caso difícil
significa que o livro exigiu na leitura o exato
número de piteiras
disponíveis no marcador

§

Na Feira Plana, os livros da Touro Bengala acompanham um marcador que traz em si a marca, a sugestão processual e diríamos a rota mesma de seu próprio fim. Um marcador para tempos que não passam conforme pensamos.

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fotolivro: yui 393

Mais um xamã acessível (lembrando que o xamã, de fato, não há tanto quanto grupos fortuitos onde, do eventual, um ou mais esforços acessam o xamanismo em processo, que virá comunicar e administrar perspectivas cruzadas) na Frei Caneca lá embaixo, aonde vou bastante.

Avaro veio de Córdoba, Argentina, formado nas artes do DJing e da fotografia. Por vários motivos instalou-se em São Paulo onde vive e trabalha há cinco anos.

Não raro, Avaro deixa escapar indignações e desejos utópicos que poderiam ser ditos, sem tirar nem por, por mim mesmo. É um tanto espantoso o quanto, às vezes quando encontramos, as falas das bocas orbitam conceitos e percepções que não podemos chamar de próprias, mas de plenamente compartilhadas.

Isso, é claro, quando se pode a mínima complexidade na articulação (para excluir eventos ~meramente catárticos, por exemplo), ou seja, quando é possível abrir espaço para a produção de novos ou para a visita crítica de conhecidas percepções e conceitos não interessadas senão na direção da Verdade.

Há pouco, por uns quatro ou cinco dias, Avaro foi visitado pela enorme mariposa Canthela, nome de trabalho. Não há dúvida, Canthela não era só uma mariposa. Avaro diz que ela o seguia, que se aquietavam ambos quando queriam, e também que se agitavam concomitantes, passando da cozinha à sala e da sala ao banheiro. Eu disse: Avaro,

há pesquisa entre as mariposas, elas levam pranchetas mentais e ali esquadrinham sua ciência. Ela só queria uns dados. Rimos, mas sabemos: sob a máscara animal de Canthela, há, de fato, uma forma humana capaz de ver Avaro como um deslocado rinoceronte de cativeiro ou, mesmo, como uma mera mariposa.

“Vendo os seres não humanos como estes se veem (como humanos)”, diz Eduardo Viveiros de Castro em seu famoso ensaio, “os xamãs são capazes de assumir o papel de interlocutores ativos no diálogo transespecífico; sobretudo, eles são capazes de voltar para contar a história, algo que os leigos dificilmente podem fazer. O encontro ou o intercâmbio de perspectivas é um processo perigoso, uma arte política – uma diplomacia.”

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Avaro é apurado compositor, cioso das decisões que chamaríamos clássicas da operação harmônica. Regras de ouro, a forma clara, a beleza fora do grito, o ruído sequestrado pelo esquadro tanto quanto a dor pelo algorítimo luz, e ainda assim um pórtico, uma ponte entre estranhezas, uma sólida passagem para o espanto.

Em tempos de fotolivros ligeiríssimos, de tutoriais de fast-linguagem, de repetições de errinhos estetizados um tanto além do ponto naquela ociosa chave da frouxidão casual hipster, é salutar apresentar YUI 393, um fotolivro canônico. A seguir, um spread:

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Canônico, atenção, quando as “”rupturas”” disponíveis nos aportam tal qual filtros corretivos pré-programados, enjauladas por muitas e muitas aspas.

Avaro há muito frequentava o ?Parque? Augusta. Milita um tanto discreto, mais no silêncio da reza. No canto da sala do pequeno apê que divide com Gábi, há duas dúzias de vasos de onde sobem os verdes em galhos e folhas variadas. Na parede atrás, uma plaquinha diz: Parque Augusta.

Avaro é também muito grato. Nunca o visitei sem notar, às vezes simplesmente do nada, gestos e falas de gratidão genérica ao planeta e a tudo. É bonito ver.

Aqui você pode ouvir o set musical mais recente de Avaro:

YUI 393 estará na mesa da Touro Bengala na Feira Plana, de 15 a 17 agora.

todos soltos

À página 66 do livro Todos soltos, o leitor depara com as dezenove linhas de um poema que, nas palavras do poeta,

eu não lembro exatamente o sermão do Vieira que no Carnaval de 2014 eu lia. Mas lá ele dizia, no sermão de que não lembro, das tenças claramente; eu não lembro se eram necessariamente as tenças da segunda; e eu não lembro, também, se eram ou não grossas as tais tenças. Muito hip-hop eu ouvia, muita canção advinda da dor blues apenas quase subjugando a marcha eu consumia nas horas vazias daquela desalmada Brigadeiro, confusa na razão, até que como exatamente, muita confissão eu lia dos tuberculosos, os chamados góticos eu lia, os advindos da dor

. Sem dúvida um poema estranho porém marcado por negação e desamparo. Depois, pessimista. Seu fim, “já não imagina”, é também o bordão do desistente, daquele de quem os sonhos e os ossos pegaram no sono. Assim, numa transmutação goyana, produz-se monstruosidades

e eu acrescentaria ainda que não, parte-se uma bolha de sabão, com sorte, com um dedo, e assim nascem duas menores, duas bolhas menores completamente desinteressadas. Não é o caso neste poema. Aqui há tão somente uma bacia de latão carcomida em parte, demasiado amassada pois vê-se quedas, quinas, dedadas e martelos, toda sorte de pedra se vê e mais chapisco, lascas, resinas, ferrugens e metais e um geral estrago alma da segunda, se assim acreditarmos, ou desde uma compreensão tolerante diante das cruezas da situação. Quem gostaria de ser “infensa por decreto”? Cadê a transparência, ela gritava; “tripas na vitrina”, concluía.

A página não revela outra coisa, apesar de fazer pouca ou nenhuma diferença

pg-TS-blog

Há um problema na depressão, bastante sintomática no poema, quando dá-se o que a psicanálise chama de “cansaço em expressar a si mesmo”. Ora, nós não podemos esperar nada de sujeitos cuja trajetória de autocriação e reconhecimento tenham sido por esta ou aquela contingência guilhotinada. As últimas linhas são brutais quando aniquilam os trapinhos de autoestima e convocam a guarida da melancolia for good.

Tal seria um problema menor. Acontece que há, na modernidade vigente, uma série de arapucas camufladas de estradas, gaiolas camufladas de automóveis. Não é fácil perceber. Eles dizem: você não precisa articular suas vivências em linguagem compartilhada e tecnologicamente desperta, basta render-se à “hiperexcitação contínua da festa”, e sair correndo, e abraçar a cisma superegóica da promessa do gozo. Vem assim, não por acaso, prescrito o descaso com a ansiedade via quem? ele mesmo: o consumo; do qual, aliás, poucos de nós (os monges, bichos) estaríamos livres ou soltos. O que o mundo tal como o erguemos nos parece pedir, sem vergonha, então, é: anule sua voz e viva o tempo morto de quem trabalha para comprar arapuca por estrada.

É mais difícil do que parece, pois os seres da Organização estão à solta e são gigantes. Um deles, inclusive, pretende “cuidar” de nós os depressivos. E cuidariam, talvez, não fosse um detalhe: quando fazem circular inibidores disto ou daquilo (testados baixo o domínio do Earning Per Share), o que circulam, em verdade, é o discurso mal acabado do “fim da era dos conflitos”, quando nada muito drástico, em esfera alguma, e por mais contraditória, pode ou deve ser incitado. Pare eles, estaria “tudo certo”.

TS-tease-blog

Reunindo dois anos de produção, Todos soltos é o primeiro cujo nome do autor, Guilherme Coube, vai à capa. Por quê?

Talvez eu tenha amadurecido. Talvez, agora, eu sinta mais firmeza na ideia de fazer circular um livro apenas mais um, sem que o nome do autor tenha medo de aparecer. Mas eu não mandaria ninguém embora se este ninguém dissesse assim mesmo: o que houve foi que regrediu, você, você regrediu. Antes era contido na forma mínima que programa o desterro da autoria, morriam longe tantas influências prosaicas, e víamos ali algo que não se dói desprezar. Agora? Agora você tão somente deseja ser um e só mais um, mais um comum. Você voltou atrás, quando muito…

Todos soltos foi distribuído em residências aleatórias do bairro Bela Vista na semana que passou, infelizmente sem registro fotográfico. Mesmo assim, será lançado entre 15 e 17 de janeiro no Museu da Imagem e do Som de São Paulo por sintonia da edição preto e branco da Feira Plana.