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FRANKENSTEIN REVISITADO

–– um poema colagem do romance de Mary Shelley ––

Só há pouco fui ler Frankenstein, um dos marcos fundadores da ficção científica. Encantado com passagens do lirismo depurado da Sra. Shelley, passei a recortá-las (de um original barato), como quem colecionasse versos soltos, achados nos rios, chuvas e ventos.

Fui guardando as linhas na ordem da leitura.

Terminado o livro, fiz da prosa picotada um poema colagem. Ficou assim:

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Em seguida, e sempre a ouvir concertos para violino do repertório sinfônico romântico, dediquei-me à traduzir o poema recém-montado. A nova criatura ora se publica na plaqueta Frankenstein revisitado – poema colagem do romance de Mary Shelley.

Leitores queridos receberão a plaqueta em casa.

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* oportunidade *

A Touro Bengala contrata revisor(a) de texto para um projeto editorial um tanto monstruoso e desafiador. O livro, primeiro título de uma tetralogia de Guilherme Coube, editor-chefe da casa, é um Longo Ensaio Imaginativo com o tema da Formação, ou do amadurecimento exemplar, e mistura diversos gêneros literários conhecidos e outros nem tanto, além de mudar amiúde de tom, de estilo, de lugar de fala e de contexto sociolinguístico. Tais premissas pedem um trabalho de revisão não mecânico e com certo rebolado.

Envie seu currículo para nosso e-mail.

Obrigado!

Este problema, em sua aurora esboçativa, nasceu enquanto caminhava numa noitinha. Sentado na primeira mureta que vi, rabisquei seus prenúncios: tanto Conceito quanto Percepção, aqui concepto e percepto, são tríades cognitivas que interpolam um sujeito mais ou menos conhecedor e um objeto mais ou menos conhecido. Entre os dois pólos, no entanto, diferem radicalmente as terceiras presenças. Para o concepto, há, entre sujeito e objeto, uma interface. Para o percepto, um intercâmbio. Fechada a caderneta, zanzei por uns barzinhos, virei dois conhaques, tomei uma tônica e voltei. Desenvolvi um bocado a ideia no quadro, fotografei, e segui com minha vida. Hoje volto porque há um problema novo no quadro, e seu eu deixasse passar muito tempo, as coisas embolariam. Notar: havia resíduos de notas passadas. Na empolgação da epifania, não apaguei tudo. O que não estiver explicitamente relacionado ao problema, peço não levar em conta.

No quadro, sobreveio a ênfase do viés não cru, mas político, do problema. Ora, se o concepto, esta habilidade que carece de acesso referencial a uma interface (corpo exógeno construído, mais ou menos dinâmico, perecível, atualizável) foi inflado nos últimos, digamos, 300 anos, assim ocorreu em contraponto a certa deflação do percepto, para não dizer a certa estigmatização. Donde ‘conhecer’ por meio de intercâmbio (dois corpos em troca sensorial ativa, sendo a terceira presença não um corpo exógeno, mas um julgo harmônico) ter sofrido paulatina dilapidação ante a cognição em interface. A pergunta que segue é dupla: há perda agregada com o desequilíbrio de valor entre concepto e percepto? (lembrando que mesmo um concepto ligeiríssimo quase imediato não deixa de ser um concepto); se sim, que fazer para reequilibrá-los?

De modo a aprofundar-me, mas num tatear neblinoso, recontei as sagas díspares de concepto e percepto lançando mão dos modos de existência latourianos, por um lado, e matematizei, sofregamente, a Área Eventual da Presença, medida de influência e disponibilidade navegacional do sujeito cognoscitivo, fórmula em que pesam os quoeficientes derivados de concepto e percepto, do outro. Nenhum destes dois exercícios de desdobramento me levaram muito longe, ainda, mas pude suspeitar: quando ORG valeu-se de REL e de REF, não seria estranho (para ela) valer-se de FIC, e FIC seria o modo onde preponderasse o percepto; e, fará sentido convocar o décimo-sexto modo (conforme sugiro em meu longo ensaio, ainda inédito), MEM, para determinar o quoeficiente de intercâmbio, ou sua humorada potência perceptora, do sujeito cognoscitivo?

[em relação aos modos latourianos, ver]
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querido diário

Fica no 33 da antiga Rua São José a redação e a oficina do ‘Farol Paulistano’, primeiro jornal de São Paulo impresso em tipografia. Sai aos 7 de fevereiro de 1827. Antes, aos 22 de setembro de 1823, nascia ‘O Paulista’, manuscrito, redigido por Mestrinho, Antônio Marques, paulistano professor desde os quinze anos. Mestrinho é mais velho Juiz de paz, vereador, deputado provincial e vice-presidente da província. Aos 8 de janeiro de 1823, portaria do Ministro da Fazenda pede que se envie, em nome do Imperador, um prelo antigo da Imprensa Nacional até São Paulo, decisão revogada ante o bafafá da Constituinte. O ‘Farol’ circula até 1833, sendo acusado de abuso em 1829 (sem procedência). Sai, em 31x21cm, duas vezes por semana até 1829, e então três. No editorial de lançamento do farol, outro mestre, José da Costa Carvalho, Chefe dos Ministros do Império quando da promulgação da Lei 581 de 1850 que extingue a importação de escravos e Marquês de Monte Alegre em 1854, chama, em primeira do plural, “tão árdua quanto perigosa” a tarefa nossa da imprensa. Em 1988, sem interesse por diversas atividades, uni-me a outras três crianças e redigimos ‘O Paiolino’, jornal daquela temporada do acampamento montanhês Paiol Grande, para o qual realizei uma reportagem sobre a humilhação de quem deixava, no refeitório, a bandeja cair. Também desenhei um logotipo recusado pelos colegas e liderei o encadernamento e a grampeagem. Conforme vivemos, os jornais estão em servidores vários na internet, e replicamos suas páginas em nossos aparelhos. A redação está difusa: centenas de milhões de jornalistas publicam informação, análise, comentário, arte visual e humor várias vezes ao dia, e são diversos os métodos e ferramentas de que dispõe o leitor para organizar e regular, no tempo, seu consumo. Cada um lê um jornal, que pode sempre mudar, mas pode sempre melhorar. Lemos o que queremos, e lemos o que outros leem. Hoje mais cedo, participando de um seminário sobre ‘fake news’, percebi a ideia ainda pequenina mas, intuo, potente, de que vivemos a necessidade de pensar a descrença e a normalização do cinismo trabalhando junto à, e não duvidando da, inteligência artificial, enxugando e lapidando seus termos fortes (no que ligam e fazem perdurar os objetos caros) e neles insistindo em viva discussão.

uma resenha de resenha

Publicada na revista Quatro cinco um de maio, ‘O’Hara é o cara’, de Sérgio Alcides, merece nossa atenção por conseguir, na meia página em que resenha Frank O’Hara. Meu coração está no bolso, apresentar o autor em suas facetas histórica e artística, relacionar a obra com a sensibilidade do tempo e o autor com produtores contemporâneos em diálogo explícito ou implícito. A “figura” de O’Hara, capaz de ser percebida na “amostra pequena, mas primorosa” da coletânea poética editada pela Luna Parque, tem, para o resenhista, produção “ágil como um ciclista, terna como um bate-papo na hora do almoço, muito urbana e altiva (…) que vai a pé até os grandes temas, como o amor, o desejo e o luto.” Alcides tece com transparência um breve curso biográfico de O’Hara que dá a segura sensação de reconhecimento familiar, e exalta a jornada autônoma do poeta num modernismo que condenaria tanto o isolamento desinformado quanto a filiação obtusa, citando uma observação de John Ashbery, outro epítome da geração da Escola de Nova York dos anos 1950: “Para Ashbery, O’Hara era a síntese daquele momento, por ser ‘muito descolado para os quadrados e muito quadrado para os descolados.'” O poeta nascido em Baltimore em 1926 seria proprietário de referências não necessariamente canônicas, sem entretanto deixar de incorporar o lingo atual e espontâneo “da gíria e dos temas ‘baixos’ de uma cultura industrial”. Para o professor de Letras da UFMG e doutor em História pela USP, O’Hara é “whitmaniano e torrencial”, acena tanto a Rimbaud quanto a Mallarmé, ecoa Pollock na multiplicidade sem amarras do fazer num plano quase infinito, e pode ser lido como “parente próximo de Ana Cristina Cesar ou Francisco Alvim.” ‘O’Hara é o cara’ é uma resenha a um tempo leve e rigorosa, detalhada e acessível, que deixa patente no leitor a vontade de ler mais.

 

um trecho de lima barreto

Toda a gente que lidou com qualquer espécie de administração, se não nos altos pastos, mas simplesmente em lugares convenientes de altas situações, sabe bem que pendor extraordinário para essa sabença de regulamentos têm os homens medíocres e as mulheres.

A primeira coisa que faz um amanuense de vocação é aprender todas as disposições do regulamento de sua secretaria, das demais repartições, não só os regulamentos, mas também os avisos explicativos e outros atos referentes.

A sua inteligência, sentindo-se por si mesma fraca, não quer ser de surpresa colhida no estudo ou na informação de um caso que, de antemão, não tenha para resolvê-lo três linhazinhas impressas, promulgadas, publicadas, adotadas pelas autoridades competentes.

Não se fia a sua inteligência nela mesma; quer o apoio de outras que, valendo tanto ou menos que a dele, têm entretanto o prestígio sobre-humano do Estado.

É dessa natureza intelectual que me parece ser o famoso general Lundendorff.

É ler-lhe um trecho ao acaso de suas Reminiscências, para se sentir logo o burocrata guerreiro, exato, meticuloso, sabendo bem todos os regulamentos, o de ligação, o de retaguarda, o de vanguarda, não esquecendo sequer nenhuma das abreviaturas consagradas e estabelecidas. Vejam só este pedacinho, como denuncia bem essa singular mentalidade de guerreiro moderno, metade amanuense, metade chefe de horda bárbara do século V da nossa era. Ei-lo:

A ordem de batalha era a seguinte: XI C.E., imediatamente ao nordeste de Cracóvia; Corpo de Reserva da Guarda, X C.E., XVII C.E., 35 D.R., entre Kaptowitz e Kareuzburg; 8º D. Ca., D. Lwd. Conde von Bredow, entre Kempem Kalisch.

O engraçado é que, com toda essa meticulosidade burocrática, procurando tudo prover e prever, empregando automóvel, aeroplano, telefone e telégrafo, as suas batalhas, se não começam por uma grande confusão, um entrevero, como dizem os nossos vizinhos, acabam nisso.

A tal famosa vitória dos lagos masurianos, no dizer dele mesmo, terminou numa baralhada com batalhões e magotes de alemães. Se houvesse mesmo ódio entre uns e outros, se a guerra não fosse uma coisa político-capitalista, a coisa tinha desandado em um tumulto de rua, em uma bagarre a que deviam atender, para restabelecer a ordem, simples agentes de polícia e guardas-civis armados de São Benedito.

Está aí em que dá a famosa preparação para a guerra que os doutores militares tanto preconizam e nós estamos fazendo com os indispensáveis discursos e chás dançantes.

[…]

Em todo o caso, o exemplo de Joffre é elucidativo de que, tanto cá como lá, o que imperou foi o acaso, a serviço da mediocridade; a vitória coube às forças obscuras da sociedade e da natureza que, desencadeadas, nenhum homem soube captar em seu próprio proveito ou dos homens de sua e das futuras gerações. Todos tateiam nas trevas e apalpam os regulamentos com medo de se perderem neles.

Houve um único que se lançou ousadamente pelo “Mar Tenebroso” em fora; e este foi Lênine. É este o grande homem do tempo, que preside, com toda a audácia, uma grande transformação social da época, enquanto Joffre, o êmulo de Alexandre, César e Napoleão, vai presidir partidas de futebol…

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Excerto de ‘Memórias da Guerra’, de 17/4/1920, reunida no volume Lima Barreto – A crônica militante, Expressão Popular, 2016

General Ludendorff e Papa Joffre

mentolado&remelento

Querido roteiro,

nossa vida é um tecido, comungado com a idade da Terra. Nossa escolha não tem pressa, pois é carro da vontade justa. Não é ilusão que a solicitude está entre o grátis e o barato, mas também não é ilusão que o ‘caro’ indica o bem quisto, o graças a nós ficante. A revolta pode ser justa e alegre, como pode ser um baque de derrota a ver navios de expulsão, exclusão, extinção. Entre a revolução e a reforma, conspira e aflige a Alma Mãe (a casa grande que nos guarda é ela, mas nem viagens para Marte são capazes de ser o que não são) o típico trepidar do fraco.

Kkkk

Bom dia.

Por questões técnicas, essa foto preparada para o Facebook transferi para o sítio online da editora. Não que o Facebook seja incompetente tecnicamente, pelo contrário, são bons em muita coisa, mas como player de cores vetorizadas não prestam. Mesmo a função ‘álbum’, onde seria possível aceitar mais pixels por polegada, não interessa tanto ao repórter cidadão a colher muitas vezes pautas no calor do momento, sem a preocupação da “fruição familiar”: nem todo conteúdo se enquadra como tal. De resto, a compactação em PNG, propalada como corretora, não é. Ao menos não a ponto de quem cuida da própria por amor de persuadir e não marcar ponto sem dar o endereço pras crianças, concordar. O wordpress também comprime. Mas muito menos que lá. Nem seria para tanto, a foto resultou medíocre. Mas como acabei memeficando (com saturação ideal-contínua), parte da graça iria embora porque a aplicação emporcalha. Em nota, a editor da editora pronunciou na rede de microblogs Twitter que o Facebook, “se não pode pagar ninguém que forneça conteúdo”, pode achar modos de gerir a angústia de haver tanto upload concomitante à necessidade da editorialização ou cura humano-algorítmica. E deu uma ideia: “que publicadores de sucesso ganhem privilégios como o de, por exemplo, estar isento da compactação a que se sujeita o usuário médio”. Não houve retorno da Incorporação.

um post sobre política

Supondo um Brasil só, excetuadas as mãos autoritárias, tendo conhecido um partido desde o Império. Que seu nome, Poder Moderador, servia tal prática utópica da mente necessariamente sã do regente tencionado a exemplificar a ordem constitucionalista do governo possível e não a disputar showmícios como encantador midiático, como fazem, em graus e estilos variados, a totalidade dos quadros eleitoreiros. Não deixando de contar com o encontro utópico, não do ponto de vista de vocabulário, mas outra vez da prática (da ética), entre as gestões públicas dispostas não a remediar doenças locais sem que se germine ou ative o orgulho patriótico com as boas práticas empresariais em situações mais ou menos normais de competição, escrutínio societário e regulador. Que tal partido tomou de empréstimo, nas sucessivas idades democráticas da República, chavões ideológicos exógenos pouco depurados por uma intelectualidade também estilisticamente confusa e assim inócua na lavagem cerebral da classe política, chavões estes que resultavam em grandes intervenções pouco acuradas no efeito reformador apesar do calor narrativo eventual (protocomunismo, 50 anos em 5, banho de lucidez, salvacionismo, nossa vez, país nos trilhos etc). Que a mais recente polarização pós arrefecimento da híper-inflação entre os dois socialismos quasi-brasileiros mas literalmente de meia tijela posto ter o PSDB reservado metade da sua tijela à velharia do PFL e o PT metade da sua ao anarcocapitalismo incompetente apenas fez confirmar a tese da batalha naval mediada por dissonância cognitiva e pouca libido por vitórias profundas, quando errava-se o alvo, nos projetos públicos de grande escala, baixo o pretexto desleal de produzir oportunidades de discurso eleitoreiro contra ‘o outro time’. Que a exaustão de crédito das ruas à representação partidária incorre em risco grave de niilismo epistêmico e de desengajamento paulatino especialmente das gerações mais novas. E que tal tendência desdobra-se em círculos viciosos de distanciamento do crucial sentimento de orgulho pelas coisas da terra e do caráter do país, em relativismo de subsistência carburado pela estética mercadológica da superficialidade do jogo sem passado e sem futuro, e consequente brutalização do leque de desejos e aspirações a trocar o norte da construção por absurdos e repetitivos jorros de ansiedade por segurança escatológica, este weblog compromete-se a:

1) não admitir amigos ou colegas não fluentes em Esquerda e Direita no que a primeira pretende reinaugurar e a segunda preservar, e fluentes não para arrogar certezas entusiasmantes de nada mas para provar sustentável a habilidade de agir na discussão, e antes de agir deliberar, e ao deliberar ouvir e processar, bater termos e falas nas rodas do evento com os nós e rios da sua não meramente observadora mas partícipe experiência de vida e, só então, falar;

2) não ver na ruína do sistema político-partidário interesse de restauro;

3) não ver na ruína do sistema político-partidário interesse de ainda mais demolição;

4) entender o conteúdo de verdade produzido por disputas de discursos como só possíveis quando os partícipes nela não entram com nada fixo, isto é, nela entram esvaziados de Verdades prévias de qualquer sorte mantendo evidente a sanidade e assim abertos para as mesmo insuspeitas maravilhosas surpresas das novas formas de felicidade humana graças à resolução de mais um problema comungado;

5) não cansar de dizer que disputas pré-programadas de discurso não dão em nada;

6) levar adiante que a eleição popular de cargos para representação não precisa, como se treme um e se range outro lado da mesa arcaica, deixar de existir por um bom tempo, do mesmo modo que a eleição do Poder Executivo da noite para o dia pode não ser mais popular, e simplesmente técnica por agregado de notório saber e aleatoriedade da nossa gente;

7) reclamar que estamos gastando nosso tempo ao falar de recomeçar do zero, pois o medo é tão cafona quanto a crença adolescente de que amanhã tudo vai ser do nada diferente. Pior que a preservação além da conta e a revolução indevida, só a terceira postura, demagoga, niilista, cínica, orgulhosa, de desprezar o comum;

8) disputar com a narrativa de que a democracia brasileira pode largar a mão de fixações menores que o orgulho de ser brasileiro. Este podemos ter mais ou menos em medidas salutares e germinativas, e daí virão sensações fiáves de desgosto ante a injustiça e a desigualdade;

9) lembrar de que estar no mercado pode ser excitante mas lembrar que, antes, urge-nos cuidar do corpo despreparado do Estado ou nada será excitante;

10) lembrar: enquanto houver entrada de receitas e saída de custos fixos e variáveis a política pública qualquer uma será às claras de portas abertas, nos termos correlatos dos envolvidos (realizadores e comunidades afetadas em concerto);

11) perguntar sempre, se o agente pode tanto fluir na poesia do mundo que virá, quanto na poesia do mundo que vem ficando porque assim queremos, dobrar-se ao cinismo do não engajamento ruidoso e melancólico não fará brotar um fardo alienável?

um jogo

No Mundaparede™ v1, o objetivo é transportar um seu mundo para a parede perto do sono
no Mundaparede™ v1, vence quem plasmar o lúdico-prático deste um mundo na parede perto do sono


Atenção, pois as regras a seguir são importantes:
as regras a seguir são tudo o que temos

Será que posso ver a evolução da correção
as quase perfeitas massas atmosféricas sopradas
se por nada por diferenças de pressão; você sabia
que não existe um exato instante em que a atmosfera acaba
e o espaço sideral começa?
o que existe, todavia, é uma convenção
graças a elas, cosmólogos e engenheiros podem
trocar e revisar papéis uns dos outros

um lar chegado ao chão, água e fogo dentro
quem não quer?

quero e vou salvaguardar o luxo
de poder olhar em tantas nossas caras
visitas às casas da rua

no Mundaparede™ v1, perde quem não perde
por esperar

duas falas* do piva

O ritmo do jazz é inseparável da minha poesia. Aliás, agora que está na moda badalar o Chet Baker, você observa que em 1963 eu já falo dele em um verso meu. Agora ele está na moda, descobriram o cara quando ele está em uma ruína, quando está em franca decadência, está democrático, convidando uns caras do Rio de Janeiro, um pessoal que não sabe nem o que diz nem o que toca, para tocar com ele. Ele democratizou essa sua energia, e daí perdeu todo o pique. Atualmente ele é um cara totalmente sem aquele pique, aquela genialidade, sem aquela energia de transformação e de invenção que ele tinha, a ponto de influenciar a nossa bossa nova. E todo esse balanço da bossa é o balanço da minha poesia. Uma poesia sem música, sem jogo de cintura, é uma poesia rígida, dos comunistas, dos marxistas, uma poesia absolutamente trancada dentro de um túmulo que é o túmulo do leninismo, que já está fedendo. É claro que o rock também me influenciou, mas não teve a mesma importância que o jazz, o cool jazz. Mas há evidentemente alguma influência do rock, uma vez que pessoas como Jim Morrison, Bob Dylan, Frank Zappa são excelentes poetas. Então o rock me influenciou também, e até mesmo antes do jazz. Eu fui, por exemplo, um dos caras que em 1957 foi receber o Bill Haley, com um grupo de jovens, lá na Praça do Patriarca, onde ele se hospedou. Fomos fazer uma manifestação de carinho, de afeto. Posteriormente o jazz me influenciou e, logo em seguida, a bossa nova. Eu fui apaixonado pela bossa nova. Então essas três correntes – o rock, a bossa nova e principalmente o jazz – são uma constante da influência musical na minha obra.

– em entrevista a Floriano Martins, publicada em O começo da busca, Escrituras, 2001

Poesia=xamanismo=técnicas arcaicas do êxtase. Xamã: sacerdote-poeta inspirado que, em transe extático, percorre o inframundo, florestas, mares, montanhas e sobe aos céus em “viagens”. Dante foi um xamã cabalista que conheceu, em sua viagem pelos três mundos, os orixás travessos da sombra. Deixe a visão chegar. É a hora da despedida dos deuses do deserto & da chegada dos deuses da vegetação. Minha poesia é magmática, de magma: como Dante, sou exilado em minha própria pátria. Como Dante, sou monarquista e reacionário. Como diria Pasolini, sou uma força arcaica, um bárbaro. & não sou um homem normal, isto é, um racista, um colonialista. Ecologia da linguagem: os poetas brasileiros têm que deixar de ser broxas para serem bruxos. Estados alterados de consciência. Há quem disseca os versos, mas não conhece o êxtase, que é a alma dos versos (Mckenna / Gordon Wasson). O caminho do poeta/xamã é o caminho do coração. “e parve di costoro / quelli che vince, nos colui che perde.” Dante, Inferno, canto XV.

– em depoimento à revista Poesia Sempre, FBN, 1997

* ambas coletadas no volume Encontros | Roberto Piva, Azougue, 2009

dois pensares

Outra nudez já tinha surgido no horizonte cultural da Europa, com o aparecimento do homem americano. E se houve um ponto de encontro entre a Renascença e o Humanismo, esse se deu no entusiasmo comum pela natureza que a Idade Média difamava.

Era, porém, tão terrível e grosseiro o preconceito que aureolava o mundo helênico que, quando com as Cartas de Vespúcio e pelas Utopias se divulgou a existência de uma super-humanidade perdida do outro lado da terra, se perguntava a respeito dessa gente: – Serão gregos? Ou pelo menos mediterrâneos? O cristianismo dólico-louro trabalha e deforma tudo. Petrarca protesta contra a ideia de que Cícero pudesse ter ido para o inferno, pelo desconhecimento do Cristo. Ele e Sócrates são tidos como “colaborantes do cristianismo”.

A Cícero e a Sócrates, que são considerados deístas, incorpora-se então uma legião de sub-humanistas católicos que têm, hoje, nomes inteiramente esquecidos. É tão grave a deformação cristianizante que a mitologia pagã passa a ser uma teologia velada, as Metamorfoses de Ovídio são a Gênese. Até Homero é um pronunciador de mistérios católicos.

(…)

A Renascença modela e disciplina grandes assuntos. Sempre o seu triunfo técnico se sobrepõe ao tema, à inspiração e ao sentimento. Enquanto isso, o Humanismo dá o estofo das Utopias futuras. Ele cria o Direito Natural. Ele produz, na longínqua América, a primeira experiência de uma sociedade nova – a República Comunista Cristã do Paraguai. No século XVIII, ele dá os fundamentos da Filosofia das Luzes e realiza a Revolução Francesa. No século XIX consegue o abalo sísmico das agitações liberais. E hoje, mais do que nunca, é no Humanismo e na sua tradição revolucionária que se fundamenta a conquista de uma vida melhor para todos os povos.

Oswald de Andrade, no artigo A marcha das Utopias I, publicado n’O Estado de São Paulo aos 5/7/1953, e reunido no volume A utopia antropofágica, Globo, 2001

Alguém é um pai apenas porque existe outrem de quem ele é o pai: a paternidade é uma relação, ao passo que a peixidade ou a serpentitude é uma propriedade intrínseca dos peixes e cobras. O que sucede no perspectivismo, entretanto, é que algo também só é peixe porque existe alguém de quem este algo é o peixe.

Mas se dizer que os grilos são os peixes dos mortos ou que os lameiros são a rede das antas é realmente como dizer que Nina, filha de minha irmã Isabel, é minha sobrinha, então, de fato, não há nenhum relativismo envolvido. Isabel não é uma mãe para Nina, do ponto de vista de Nina, no sentido usual, subjetivista, da expressão. Ela é a mãe de Nina, ela é real e objetivamente sua mãe, e eu sou de fato seu tio. A relação é interna e genitiva – minha irmã é a mãe de alguém, de quem sou tio, exato como os grilo dos vivos são os peixes dos mortos –, e não uma conexão externa, representacional, do tipo “X é peixe para alguém”, que implica que X é apenas representado como peixe, seja lá o que for “em si mesmo”. Seria absurdo dizer que, desde que Nina é filha de Isabel mas não minha, então ela não é uma “filha” para mim – pois de fato ela o é, filha de minha irmã, precisamente. Em Process and reality, Whitehead observa: “a expressão ‘mundo real’ é como ‘ontem’ ou ‘amanhã’ – ela muda de sentido conforme o ponto de vista” (apud Latour 1994). Assim, um ponto de vista não é uma opinião subjetiva; não há nada de subjetivo nos conceitos de “ontem” e “amanhã”, como não há nos de “minha mãe” ou “teu irmão”. O mundo real das diferentes espécies depende de seus pontos de vista, porque o “mundo” é composto das diferentes espécies, é o espaço abstrato de divergência entre elas enquanto pontos de vista: não há pontos de vista sobre as coisas – as coisas e os seres é que são pontos de vista (Deleuze 1969). A questão aqui, portanto, não é saber “como os macacos veem o mundo” (Cheney; Seyfarth 1990), mas que mundo se exprime através dos macacos, de que mundo eles são o ponto de vista.

(…)

O sangue dos humanos é o cauim do jaguar exatamente como minha irmã é a esposa do meu cunhado, e pelas mesmas razões. Os numerosos mitos ameríndios que põem em cena casamentos interespecíficos, demorando-se nas difíceis relações entre os genros ou cunhados humanos e seus sogros ou cunhados animais, não fazem senão combinar as duas analogias em uma só. Vemos assim que o perspectivismo tem uma relação estreita com a troca. Ele não apenas pode ser tomado como uma modalidade de troca, mas a troca mesma deve ser definida nestes termos – como troca de perspectivas.

Eduardo Viveiros de Castro, no ensaio-fundição Perspectivismo e Multinaturalismo na América Indígena, reunido no volume A inconstância da alma selvagem, Cosac Naify, 2001; Ubu, 2017

um protótipo de dispositivo móvel de bolso

funções: telecomunicação (sic, posto que eu não vou ficar te encostando de língua se eu quero te falar, vou sempre manter uma distância respeitosa, do grego, tele), pagamentos (swipe cash), lista de contatos (swipe biz card), multimedia mash&play (acompanha oclinhos e feijões auriculares), gravação cidadã (deixem a ‘fotografia’ para os fotógrafos, lesks), doutor íntimo (você engole sensores e ele te mantém postado sobre os índices), navegador (que onde quando), chaves (entre onde quer que você possa).

Por que circular? Por causa do universo. Fica melhor na mão, na vista, no bolso, pendurado, na pochetinha (acompanha pochetinha).

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dois recortes de coluna

A economia internacional modernizou o agronegócio brasileiro obrigando-o a respeitar padrões de qualidade. Contudo, quando operam no mundo do poder brasileiro, os empresários fogem do século 21 e aninham-se na primeira metade do 20, quando seus antecessores administravam matadouros.

A Operação Carne Fraca começou com um lastimável grau de amadorismo megalômano e espetaculoso da Polícia Federal, mas isso não convida empresários, mandarins e ministros a adotarem a postura arrogante dos empreiteiros no nascedouro da Lava Jato. Como ensina um velho provérbio napolitano, “seja honesto, até mesmo por esperteza”.

– Elio Gaspari hoje na FSP

PLANA 17 | sacola

É difícil dizer se o mix da sacola nossa será deveras representativo, pois a pergunta a seguir seria: representativo de quê? Ora, de um nosso rolê, se tanto, pelas frestas de tempinho n’algazarra do market. Foi o que deu para fazer, no entanto, seria dizer pouco. Digamos assim: nossa, nossa sacola trouxe as marcas de gravuras quasi-orgânicas, trouxe essa questão do simulacro-game, trouxe o simulacro meta-metá da (na/por/pela/sob/sobre/entre/em) filosofia dos filósofos, muito humor, remixed literature, o neo-portrait cptm, brindes e delírios. Valeu.
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uma portaria

PORTARIA Nº 886, DE 20 DE ABRIL DE 2010

Institui a Farmácia Viva no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe confere o inciso I, parágrafo único, do art. 87, da Constituição, e

Considerando a Portaria nº 971/GM/MS, de 3 de maio de 2006, que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS);

Considerando o Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, que aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências;

Considerando a Portaria Interministerial nº 2.960, de 9 de dezembro de 2008, que a prova o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e cria o Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos;

Considerando que compete à direção nacional do SUS identificar os serviços estaduais e municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões técnicos de assistência à saúde, conforme disposto no inciso XI do art. 16 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990;

Considerando a Resolução nº 338, do Conselho Nacional de Saúde, de 6 de maio de 2004, que aprova a Política Nacional de Assistência Farmacêutica; e

Considerando a necessidade de ampliação da oferta de fitoterápicos e de plantas medicinais que atenda à demanda e às necessidades locais, respeitando a legislação pertinente às necessidades do SUS na área, resolve:

Art. 1º Fica instituída, no âmbito do Sistema Único de Saúde -SUS, sob gestão estadual, municipal ou do Distrito Federal, a Farmácia Viva.

§ 1º A Farmácia viva, no contexto da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, deverá realizar todas as etapas, desde o cultivo, a coleta, o processamento, o armazenamento de plantas medicinais, a manipulação e a dispensação de preparações magistrais e oficinais de plantas medicinais e fitoterápicos.

§ 2º Fica vedada a comercialização de plantas medicinais e fitoterápicos elaborados a partir das etapas mencionadas no parágrafo primeiro.

Art. 2º A Farmácia Viva fica sujeita ao disposto em regulamentação sanitária e ambiental específicas, a serem emanadas pelos órgãos regulamentadores afins.

Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

PLANA 17 | relatório

As relações públicas da editora concluiu agora pela manhã o relatório final, conclusivo, do evento deste final de semana. Impresso e dobrado ao meio, ele se torna facilmente uma publicação independente. Confira.

UPDATE: O leitor Augusto Trindade informa o glitch não voluntário da reportagem: as dimensões mais acuradas do Pavilhão da Bienal seriam ‘um décimo de milésimo do estado do Piauí‘. Obrigado, Augusto!

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por bolsa reversa em tradução

Porque o mercado dos livros carece mais de novidade e oxigenação em todas as suas presenças (ver os 4, 5 ou 7 ‘P’s do marketing em Kotler et al.) que das rotinas de repetição de subsistência dita profissional apenas. Porque o ofício da tradução pode ser decisivo para manter no jogo um autor em potência numa terra que enfrenta a leitura. Porque a formação do tradutor é, antes, a formação do poeta, donde o medo ante a ‘especialização’ limpinha (“neat”) vir coberto de razão. Porque a relação obra-tradutor-obra’ marca e fica e assim se desdobra e floresce mais intensamente quando é matéria de episódios afetivos difíceis de prever, mapear, travar, encomendar, e esta é uma barreira (estará o tradutor mais certo para a obra tal longe das evidências?) mas também uma oportunidade (não foi fácil achá-lo mas agora a obra traduzida pesa tanto quanto ou mais ou diferente que a original, não é uma sua mera licencinha (“its timid proxy”) e o editor se vê premiado e não apenas pago, deu seis horas, fui (“when all of a sudden he dropped his pen”)). Na bolsa reversa, as editoras listam as obras que pretendem traduzir e os tradutores dão seus lances. Um lance pode ser um documento composto: excertos exemplares da obra querida, pretensões de cachê-cronograma, justificativa from : to, por que eu? Expansão meritocrática e falação (“buzz”) a respeito desse novo modo-operação no curto prazo, incremento da qualidade poética das obras traduzidas no médio, fortalecimento do arsenal de tradutores e da cultura geral de tradução no longo, as consequências.

dois pensares

Decerto a história do socialismo europeu, ao longo de seus quase 200 anos, é o maior e melhor exemplo da esperança por justiça posta em prática. Mas há uma diferença entre essa história e Marx. Eu concordo com Kolakowski quando ele diz

O apocalipse da crença na consumação da história, a inevitabilidade do socialismo, e a sequência natural das ‘formações socialistas’; a ‘ditadura do proletariado’, a exaltação da violência, a fé no efeito automático da indústria nacionalizante, as fantasias de uma sociedade sem conflito e uma economia sem dinheiro – tudo isso não tem nada em comum com a ideia do socialismo democrático. O propósito deste último é criar instituições capazes de gradualmente reduzir a subordinação da produção ao lucro, eliminar a pobreza, reduzir as desigualdades, remover barreiras às oportunidades de educação, e minimizar, ante as liberdades democráticas, a ameaça do estado burocrático e das seduções do totalitarismo.

Como muitos de nós social-democratas anglófonos, Kolakowski não considera Marx o epítome do socialismo, mas uma sua distração. Não só porque Marx era deslumbrado pela filosofia, nem porque ele teve o azar de ser usado como volante de toda uma galeria de tiranos sanguinários, mas sim porque ele não explica muito bem como criar instituições que possam dar conta das diversas tarefas em aberto. A talvez única sugestão construtiva de Marx, a abolição da propriedade privada, foi tentada. Não deu certo. Agora é pois difícil achar aquilo que Derrida chamava de ‘imperativo político’ em Marx – seja este um imperativo mais específico ou mais inovador que a velha, velha necessidade de impedir que os ricos sigam roubando os pobres.

Richard Rorty, trecho do ensaio ‘Um espectro ronda os intelectuais: Derrida sobre Marx’ (in Philosophy and Social Hope, Penguin, 1999), tradução minha

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Penso que dar à gente que clama por liberdade o poder de organizar-se é bem diferente de aumentar o poder de organização daqueles que só querem controlar (geralmente porque já estão no controle).

Quando a gente sem poder ganha poder, nasce uma diferença de modo. Quando os poderosos ganham poder, há uma diferença de grau. Poder onde não havia poder é bem diferente de um pouquinho a mais de poder onde o poder já estava concentrado.

Não acho que o fim dessa história possa ser predeterminado. Em dias ruins, fico gelado só de pensar até onde poderia um déspota usar a tecnologia para espionar sem falhas e coordenar sem falhas um exército de bandidos.

Mas mesmo nesses dias ruins, acredito que a melhor resposta a este medo seja a posse dos meios de informação e a garantia de que os benefícios da tecnologia sejam distribuídos a todos, não só aos poderosos. A recusa a se engajar com (ou proteger) a tecnologia não implica que os bad guys não vão usá-la–mas que os good guys vão acabar desarmados nas lutas por vir.

Edward Snowden, nossa autoridade solitária e confiável no que diz respeito ao poder das agências de espionagem, afirma que a criptografia funciona. Tecnologias de rede boas e seguras permitem que a gente no dia a dia possa falar entre si com tal grau de segurança que mesmo as mais poderosas e aptas agências de vigilância do mundo falham ao tentar espionar. Qualquer coisa que consiga manter fora os espiões também pode manter fora os golpistas, os voyeurs e outros esquisitinhos.

Noutras palavras, é a primeira vez na história da humanidade que a gente comum consegue coordenar entre si o que deve e pode ser feito sem se preocupar com intrusos na comunicação a corromper ou atrapalhar. Tal é o benefício da tecnologia, além de qualquer preço, um tesouro cujo valor não tem precedência na história.

Mas tal benefício será nosso conquanto a infraestrutura seja livre e justa. Será nosso somente se superarmos a narrativa Hollywood-versus-Google, se resistirmos a que nossa produção seja parasitada a serviço da censura, da espionagem e do controle.

Cory Doctorow, trecho do livro ‘Information Doesn’t Want to Be Free’ (McSweeney’s, 2015), tradução e ênfases minhas