Cinco nomes brasileiros – atualização

Na foto, o volume à esquerda é o manuscrito original. Ao lado, a impressão da primeira revisão. Usei dezoito dias na releitura, consultando as fontes da pesquisa e apoio (livros de papel, eletrônicos, páginas na internet, sonhos lúcidos e podas na imaginação, voz alta, escuta atenta, conselhos e amenas memórias). O livro foi de 132.906 a 129.854 palavras. O volume entregue ao escritório de direitos autorais da Biblioteca Nacional tem 411 páginas.

Deixarei o segundo tratamento decantar perto de duas semanas, e então partirei para outra revisão. Se a primeira revisão quer dar ao texto a limpeza grossa, por coesão e fluidez contra redundâncias, lacunas involuntárias e confusão, a segunda vai além. Mais que legibilidade, quer do autor burilar o estilo.

Parágrafos com frases musicalmente firmes no ritmo e na melodia pedem perra sujeição aos dicionários, pelo amor de umas mais belas clarezas. É o caso, no romance, dizer não apenas, mas com graça sugestiva dizer, e sedução e aderência. A escola, sem novidades, são e serão os romances que lhe caiam bem.

Um parágrafo de Húmus, do português Raul Brandão, por exemplo de estilo elegante, capaz de atravessar os tempos:

Passa no mundo a estranha ventania: é a morte que custa a separar da vida. O rasto que fica atrás, a perspectiva que fica adiante foi cortada. A morte está aqui dum lado, está do outro a vida. Tinha raízes enormes: arrancaram-lhe de vez. Agora atrevo-me a tudo. O turbilhão colérico abala o mundo, ouro e negro, esplêndido e feroz. Desenraíza tudo. As almas acordam num sobressalto, e não há homem que se não ponha à escuta. Passa no mundo a doida ventania das nossas aspirações secretas, das nossas dúvidas, dos nossos desesperos. É uma voz – são muitas vozes. É um grito – são muitos gritos. – É o grito contido há milhares de anos, o grito dos mortos libertos.

Cinco nomes brasileiros é o título, estreia deste autor no romance. As ações são centradas nos anos de 1622, 1722, 1822, 1922 e 2022. Os protagonistas são respectivamente um menino quilombola, um guarani convertido, d. Pedro I, um médico paulista e um professor gamer. Logo mais notícias.

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