colagens visuais, sonoras e textuais – durante muitos séculos tradições relativamente fugazes (uma mistura aqui, um pastiche popular acolá) – foram o centro explosivo de uma série de movimentos no século 20: futurismo, cubismo, dadaísmo, música concreta, situacionismo, pop art e o apropriacionismo. na verdade, a colagem, o denominador comum nessa lista, pode ser considerada a forma de arte por excelência do século 20, sem falar do século 21. mas deixemos de lado, por ora, cronologias, escolas ou mesmo séculos. à medida que os exemplos se acumulam – a música de igor stravinsky e de daniel johnston, a pintura de francis bacon e henry darger, os romances do grupo oulipo e de hannah crafts (a autora que se valeu do bleak house de dickens para escrever the bondwoman’s narrative), assim como os textos favoritos, que se tornaram problemáticos para seus admiradores após a descoberta de elementos ‘plagiados’, como os romances de richard condon ou o sermões de martin luther king jr. – fica evidente que a apropriação, a imitação, a citação, a alusão e a colaboração sublimada consistem em uma espécie de condição sine qua non do ato criativo, permeando todas as formas e gêneros no campo da produção cultural

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