dois álbuns indispensáveis

‘Marinheiro só’ (1973), da Clementina de Jesus, e ‘Samba de roda’ (1975), do Candeia, salvaguardam a completude do que gostamos chamar samba, das cruezas indigestas às altas cocções, do humor mais salpicante à doçura chorada numa bochecha gordinha. Estilisticamente, as duas obras-primas cobrem o campo do batuque melódico brasileiro com sobra de alguns palmos, dando berimbas, dolências, hinários, cantigas, pontos, marchas, partidos, breques, delongas, cirandas, dilemas, ladainhas, preces, imprecações, romances, mintiras, improntus, pagodes, risos, broncas, sodades, sais, gritos, xingos, loas, dengos, lençóis, muxoxos, tramas, mandingas e repentes. Trinta anos passados e ajustado no simples o samba, como nos álbuns a seguir provam o samba disse mais do que disseram do samba, vergonha a qual não serve tanto de remorso quanto de empuxo. Isto porque a crítica não faz samba só da vida, como faz o samba; antes, faz a crítica samba da vida e do samba, donde o leve atraso.

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