dois poemas: hilda hilst

Épura, que translúcida
Se projeta.

Épura, feixe solar,
E de cristal. E ereta.

Épura, que a um só tempo
Se renova. E sem limite
Ou aresta

Toma corpo no Todo
E recomeça.

* * *
Do livro Exercícios para uma ideia (1967)
* * *

Túlio: há palavras escuras,
Guardadas, duros ramos
Dentro das arcas. Roxura
Por exemplo. É ânsia.
Convém lembrá-las
Porque me faço mordente
Nesta minha armadura,
Soberbosa, cansada
Do teu silêncio
E do laivoso das gentes.
Há palavras escuras.
Hederoso, por exemplo.
É abundante de heras.
Habena, que é chicote.
E há uma palavra rara
Em milenar repouso
No teu peito duro.
Convém lembrá-la, Túlio.
Do amor é que te falo.

Acorda a tua palavra.
Usa o chicote
Antes que eu me faça escura.

* * *
Do livro Júbilo, memória, noviciado da paixão (1974)
* * *

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