dois poemas: lucas bonolo

A flor precária

Não desistir da flor precária
Ou atirar-se ao mar das camas
Despossuir bem a quem amas
Na doce aventura diária

Admirar os modos parcos
Conhecer da selva as ternuras
Talhando no homem usuras
Como aos planos se drena os charcos

Louvar o amor e o povo em chamas
Ainda que em via contrária
Escrever com a pena arbitrária
Em que o vento encena as tramas

E não viver de amarraduras
Nem de triunfos arcos
Mas voar em tantos barcos
Quantas do sol as posturas

– – –

Tais campos

Na cidade
Entre as casas
Pedras ficam
Pra contar a história
Todos já partiram
Por desgraça ou pandemia
O vinho estragou, não há memória
Ou rios santos

Mas são meus,
Que comprei ali
Ao tempo, sob a ponte
Os mais regados de pena,
Tais campos

* * *
do livro –Gaia primavera, o amor vai à guerra! (2018)
* * *

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