dois sambas do adoniran

Epítome do caipira paulista clownesco a desafiar a civilização urbana, Adoniran Barbosa, pseudônimo de João Rubinato (1910-1982), filho de italianos natural de Valinhos, começa a carreira artística, depois de inumeráveis fracassos, graças à voz, potente e versátil, e à habilidade autodidata de cronista. Consegue emprego na rádio, com que citava e dava voz aos muitos tipos paulistanos em suas aflições afetivas e infortúnios materiais. Quando nota que cantar por acaso daria ainda mais ibope que a comédia, resolve compor suas próprias canções, e emenda uma centena de pérolas que o firmariam como um dos patrões do samba paulista, famoso pela dicção estampa de uma cidade que reiventava o português brasileiro. Adoniran canta e conta dos sabores e das durezas da vida do caipira presa ao que Antonio Candido diz “mínimos sociais e vitais”, os mínimos de quem perde padrões europeus para improvisar táticas de sobrevivência de forma rústica e não raro primitiva numa São Paulo de pobres indignos. A seguir, ‘Conselho de mulher’ e, numa roda com Elis, ‘Iracema’.

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