Força e entendimento

Diferença é ser para o outro. Diferença não disto ou daquilo, mas diferença em si – equivalência universal de Força. Para que possa ser, Força há de estar livre do pensar. Há de estar colocada, antes, como substância da diferença, inteiramente.

Por si, tem dois momentos: i) manter-se Força (Noção de Força); ii) desdobrar-se em coisas (que parecerão coisas mas serão expressão de Força).

Não pode estar Força num momento sem estar no outro, ou deixaria de ser Força.

O que pode e acontece é Força solicitar Força. Força pensada a livrar-se do pensar e a expressar Força na coisa que segue. Em verdade, porém, só sabemos Força no pensamento.

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O breve desenho hegeliano é metódico. Para o leitor, resta continuar, prolongar o que diz o filósofo. Compor o entendimento é tarefa de uma mente. Quanto mais importante o tema, mais importante continuá-lo.

Onde está a diferença, ao fim? Na coisa que segue. Porque Força, não mais pensada, e ainda Noção de Força, desdobrou-se.

Dizer entretanto inteiramente colocada como substância da diferença parece desmerecer a dignidade existencial do momento i. Ou haverei de cogitar Noção como a história de uma noção.

Pois se está colocada inteiramente como substância da diferença, Força parecerá coisa. É preciso perguntar se tal processo avariaria a chance construtiva da noção do que não é coisa.

O fluxo filosófico (Arfeu) persegue a coisa (Aretusa) para que a Fama espalhe a boa nova: o que era potência atualizou-se.

Não se faz contudo Itália de Noções. Antes, Itália é ela mesma coisa de coisas, completamente; que tampouco seria sem Força.

Ora, se Itália tem a coisa história da Itália, por aí pressuponho um caminho.

Na história dessas coisas, nada leviano contará que perdure, uma vez que o historiador exaure o pão filosófico da dúvida. Então, coisa que segue foi diferença – consubstanciada.

Momentos ii saltarão ao cenáculo. A disciplina solidária crescerá, da petrificação meramente germinativa da marcação orgânica Força nas buscas do historiador, sua Noção.

Donde fica demonstrada, na arte de Hegel, a priorização secundária de i (Noção de Força) graças a ii (expressão), chance ilesa dessa construção.

Mas: ponta solta: por que, livra-se do pensar? Porque coisa nenhuma comunica. Simulacro nenhum ganha força. Força pensada seria Força na proeza absurda de já não ser i e não ser já ii.

Se vossa ideia é criticar os modos contemporâneos, o fluxo filosófico dá-se em ponto de partida? Pergunte: a coisa comunica ou apenas aparenta? Desconfie que, muito provavelmente, apenas aparenta. Nossa forte crença é que coisa nenhuma comunica, simulacro nenhum ganha força.

Nossa forte crença é que o que há são diferenças nas quais Força, livre do pensar, desdobra-se em coisas.

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