lendo os novos: sem vista para o mar

Nem maremática mnemografia matura assustadiça, nem ripanço febril da ortodoxia sintática em privilégio: o livro é nada tranquilo vem lido na garupa da motoneta, velha, engasopada.

Caminhoneira, nem tampouco em meimendro transgênero pueril faz desejar sexozinhos de anjos recém-quistos. Não desbasta sobrancelhas casimira a narradora rosiana?

Forma breve é susto cômico cinemático, trote casquicheio na ramela craniana do leitor arrebatado; num segundo instante, arrebitado, todo respeito.

Ela ordenha numa mão e a outra sufoca, ducta muito em peso lépido, concentra e sapateia, voz inseminada bucha olhos da pele. Tem calos na mão e shortinho de ginasta embaixo da saia. Desencantada, desenganada, amplo gesto coração sagaz.

À página 107:

O grito aciona o cordado a fazer o que sabe e voa reto pra fonte o buraco escuro da minha cara onde ainda perfuma o chocolate quente. Esguio pro lado mas o cabelo que não se penteia e mal se lava faz triscar a cartilagem da asinha em armadilha que não queria ser. Bate debate a minha orelha e uma pastilha mentol desce bombeira pela espinha dorsal. Respira cavado que a calma acalma ele.

Casos assim suscitam, logrará frevo tão prisco se na forma menos breve? Tornará a salsa rímica, einsensteiniana, em arrimo das estâncias do quedar menos bailoso, mais esticado? A ver.

* * *

Sem vista para o mar
de Carol Rodrigues
Edith, 2014
124 páginas
R$ 30,00

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