VERSO


Porque fica ao metro fiel, o poema cá finge-se apto a, enquanto versa, ajuizar. Quer, não bastasse desafiar o leitor às cifras quase estafantes das tantas dezenas de sonetos octossilábicos e das outras tantas dezenas de ‘teresinos quevedianos’ (forma aqui mais ou menos inventada), convidar a leitura à comparação do que se disse já de objetos repisados como o pau-Brasil, o ipê, o café, a poética, o dinheiro, as Minas Gerais, o português brasileiro, os ‘Operários’ da Tarsila, a ‘Mulher morta com filho’ do Flávio de Carvalho, o calçamento paulistano, a Dandara e o Gangazumba, o mito da onça e do tamanduá, a rua Maria Marcolina, o casamento da água com o fogo, o suor.
| 978-65-81594-00-8 | 70 pgs. |

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Barros é um livro sobre nomes, sobre a atividade relacional das palavras, sobre o pulso desta música antiga que é a poesia, antes que um livro sobre sacadas, sobre cenas da cidade, sobre ideias. Com quem fala o poeta, se o que falam ou querem falar sã dos nomes seus laços, delícias a outros nomes? Um livro sobre nomes, antes que sobre modos, se furtará de passar mensagens? Amiúde opacas, aos poucos elas se abrem à esperança da releitura, ao reconhecimento dos ritmos, à apreciação cadenciada dessa música antiga que é a poesia! Decifrar este breve ajuntamento de sonetos é resistir à tentação de dar nomes aos nomes antes que os nomes deem o que deles não sabíamos ainda ver.
| 978-85-923493-9-4 | 64 pgs. |

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Ao longo de 61 poemas, o leitor enfrentará pares de haikais tradicionais e redondilhas maiores em onze versos que tratam, de leve mas formalmente, do que resta de sombra na luz do samba. “Observando os bandos de pombos tão marcantes no chão duro de São Paulo”, diz o autor, “imaginei-os ordenando seus saltitos na imparidade clássica do samba brasileiro. São as sílabas dos versos, esses saltitos.” O samba não chega a firmar-se aporte motívico explícito, mas é difusa, se reiterada, paisagem ao fundo desta obra em que protagonizam as palavras, como no haikai à página 19, que diz: Fio prateado liame / Entre os galhos de araucária / Frágil teia de aranha.
| 978-85-923493-8-7 | 68 pgs. |

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Os poemas de Neve no remo foram escritos parte em 2013, parte entre 2017 e 2018 em ocasiões, lugares, suportes e tempos diferentes. Os versos tomados ao vento e às chuvas quando das andanças do autor pelos bairros da Barra Funda e Santa Cecília eram à mão deitados incertos em surrada caderneta. Os poemas de barco e rio foram batidos à máquina há mais de cinco anos durante uma desditosa crise de depressão nas imediações dos Jardins. Improvisados ao computador, a prosa poética episódica nasceu enquanto o autor ouvia atento, em modo repetido, cronológico, vivo e sistemático, cada um dos movimentos das onze sinfonias de Heitor Villa-Lobos.
| 978-85-923493-5-6 | 50 pgs. |

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Redigido entre janeiro de 2016 e julho de 2017, Praha mistura três gêneros literários para duvidar da, limitar, quase desfazer e retomar a língua. As vozes não alejam a leitura do tradicional volume lírico, sem contudo deixar de fazer escorregar a experiência da página num mantra de espanto, descrença sem descrédito, falsa finitude. Numa ponta o jornalismo surrealista, na outra o crítico vouyer, na outra o estrênuo do poeta. Conquanto siga tentando, a língua é finda na medida mesma em que o artesão se deixa esgarçá-la, revirá-la, revolvê-la, retomando-a com reverência quem sabe para sugerir, esperançoso, que a necrose da matéria letrista era fake news.
| 978-85-923493-0-1 | 48 pgs. |

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Reúnem-se neste livro os quatro primeiros volumes de produção poética do autor, por si editados e compostos entre 2009 e 2016. Os experimentos em ordem cronológica equivalem ao voo errático de um artesanato tateante, imitador, semiarbóreo, distante da coesão do poemário temático. As peças, no que guardam de avulsas e polimórficas, entregam a coragem da imersão batalhuda comum nos caprichos estudiosos de versificação. Visitam as brasileiras redondilhas, a dicção popular, a terça dantesca, o soneto lusitano, certo construtivismo, os dísticos, o haikai, o enredo explícito, o não poema, a escrita automática, o enigma, o episódio histórico, a colagem, a lista, gongorismos, a frase feita, o minimalismo, a confissão.
| 978-85-923493-3-2 |112 pgs. |