Manifesto Comunista e República Popular da China

No aniversário de 170 anos do Manifesto Comunista, duas tarefas se impõem:

1) Reler e comentar o texto de Marx e Engels bem como as ideias por trás; e

2) Olhar para a China, que, após uma série de esforços de Mao para cá, anuncia hoje (25) via Comitê Central do Partido Comunista a possível inclusão do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para a Nova Era na Constituição do País.

Pronunciando pelo Presidente Xi em 2017 no 19º Congresso do Partido, o Pensamento de Xi tem 14 pontos (adaptados aqui em segunda mão do inglês):

1) Liderança do Partido sobre todas as formas de trabalho da China
2) Interesse público centrado nas pessoas
3) Continuidade na agenda de reformas estruturais
4) Inovação com tecnologia, sustentabilidade e compartilhamento
5) Povo no poder
6) Governança nas regras da lei
7) Prática do Socialismo raiz comunista
8) Garantia e melhora da qualidade de vida via desenvolvimento
9) Harmonia entre humanos e natureza
10) Segurança nacional forte e holística
11) Exército do povo sob controle estrito do Partido
12) Promoção da reunificação nacional (Hong Kong e Macau)
13) Comunhão pacífica do povo chinês com o ambiente internacional
14) Exercício da disciplina e da governança

Olhar para a China não apenas pela direção que lhe confere o Manifesto 170 anos depois, mas por ser, hoje, aquela a mais interessante e forte economia do mundo. País que gerou ~ 126 GW de energia fotovoltaica em 2017 (o Brasil tropical, com 160 GW de capacidade instalada, promete 3,7 GW para 2020). País que acaba de incluir, no juramento que devem prestar todos os funcionários públicos, o tão politicamente infrequente termo “beleza”. Sim, pois a sentença final do juramento diz:

… e tornar a China um país socialista moderno próspero, forte, democrático, culturalmente avançado, harmonioso e belo, e rejuvenescer a nação.

Se a China, que forma centenas de milhares de engenheiros de ponta todos os anos, estiver a entender deveras de que se trata a nova era, e tudo indica que sim, os países em desenvolvimento têm um novo modelo onde inspirar sua política e suas aspirações.

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