Muito mais do que arcaico, Nelson Cavaquinho (como Cartola) parece ter nascido já extemporâneo, na contramão da “promessa de felicidade” da década de 50 e da agoridade exigente dos anos 60. É desse patamar que Nelson e Cartola compõem, esquecidos, mas também preservados – e é desse mesmo lugar que Paulinho da Viola enxerga o mundo, embora, digamos, sabendo disso. O extemporâneo, característica de tanta coisa boa produzida no Brasil (difícil explicar a força de um Machado de Assis, por exemplo, através de sua relação com seus contemporâneos), pode ser diferenciado do arcaico se o compreendermos como este mesmo arcaico, mas liberto de seu oposto, o contemporâneo/moderno, afirmando-se para além dessa dualidade, conquistando o chão onde pisa.

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