Na boa Bahia de 1900 que eu tenho uma pena enorme de não ter conhecido, pois foi talvez a melhor e mais completa das Bahias, na plena pompa de sua maturidade matriarcal de cultura urbana harmonizada com a paisagem do trópico – as igrejas, os sobrados, as Nossas-Senhoras, os Meninos-Deus, as iaiás brancas, os doutores pálidos, as negras velhas, as gameleiras, o arcebispo primaz, o governador, os portugueses ricos, os frades, os cônegos, os bolos, as laranjas, os cocos, as empadas, quase tudo gordo e como que saído do mesmo massapê, do mesmo ventre ou do mesmo forno, cozido pelo mesmo sol, sombreado pelos mesmos mistérios, temperado pelo mesmo azeite de dendê, fortalecido pelo mesmo óleo de baleia, amolecido pelos mesmos pecados, adoçado pelo mesmo clima, tocado pelas mesmas graças de civilizações antigas e de combinações novas de sangue e de cultura.

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