PLANA 17

Ao fim do mundo, diz-se no escritório da editora Touro Bengala Livros Fictícia. Para 2017, dois trabalhos literários serão lançados em livro nos dias 17, 18 e 19 de março, na Plana Festival Internacional de Publicações de São Paulo.

headd

NEM SOFÁ, NEM CULPA
por Luisa Cretella Micheletti

‘Nem Sofá, Nem Culpa’ é uma seleção de sete contos criados a partir de experiências de Luisa como atriz, repórter e mulher, mas marcados sobretudo por alto poder inventivo e inusual pendor literário. 

De um gato siamês narrador que teria sido neto do gato do famoso ladrão inglês dos comboios de Glasgow a Londres refugiado no Brasil a conversas de sedutora densidade psicanalítica da atriz L. com a personagem shakespeariana Lavínia num parque de diversões aparentemente nonsense, vemos a estreia de Micheletti com surpresa, tanto pela rica paleta figurativa, alusiva, simbólica e arquetípica, quanto pela sobriedade do compromisso narrativo com os assombros epifânicos que se espera das formas breves.

Ela sempre concordou: a colher intimida mais que a faca. Se fosse fazer um filme de terror, seu assassino usaria colheres para assombrar e eventualmente executar as vítimas. É mais seco e inapropriado, diria. No entanto, nossa memória sensorial, bagagem de abacate, cural de milho, papaya e mingau, não costuma relacionar colher com violência. E se alguém afirma o contrário, a etiqueta sugere silenciar e respeitar: a pessoa deve ter, infelizmente, sofrido horrores na mão da pobre colher, e agora, num impulso de expurgação do trauma, sai apontando por aí, tão ameaçadora quanto um escargot cansado. Tampouco vem daí o caso dela. Isso que botou na cabeça, tudo indica que sem mais nem menos, até poderia ter sido uma lição empírica, memorizada na dura submissão aos anéis da experiência. Mas não. Aqui o caso lembra desde sempre uma crença esdrúxula que, escondida no bolso de dentro do genérico trench coat plagiado da Burberry, logrou engodar fronteira adentro os oficiais de imigração de Heathrow. Na cabeça dela, uma excitante vitória do terrorismo.

O MEME É A MENSAGEM
por Bruno Galan

Em sua terceira colaboração conosco, Galan entrega seu mais virulento e engraçado manifesto ou repente político-filosófico até a data. Depois da alucinação caipira-under de ‘Da rise and fall of da tower’ e a semana atabalhoada do trabalhador paulistano em ‘Taco da Lôka’, o primeiro esgotado e o segundo quase, em ‘O meme é a mensagem’ o ativíssimo carteiro de Facebook e draga e composteira mêmica reitera seu apetite por colher na superfície agitadiça da fala das redes a sustância mais possível de desdobrar-se em crítica cultural e alerta jocoso a mim, você, ele, elas, nós e eles. Featuring Neide Spears, Gretchen e a Grávida de Taubaté, confusão e graça é o que não vai faltar aos leitores deste clássico galânico.

o massacre do carandiru sendo esquecido e começa o ano com massacre no amazonas, paraíba e roraima. na xanadu do capitalismo, exclusão e punitivismo. de dentro da bolha parece tudo limpinho, fresquinho e organizado, não é? pois é. não dá pra prender e matar todo mundo, uma hora vai estourar sua bolha, bubble boy. uma família de comunista em cada banheiro, é isso que escuto desde pequeno. o comunismo não só não chegou como a produção capitalista e a inclusão dos mais pobres nesse sistema é que aqueceu a economia e subiu um grau a mais na terra. se há consumo, há de ter inclusão, apesar de parecer paradoxal. isso que é inaceitável pra muita gente. esse é o motivo do grande ódio. ódio gera ódio. exclusão gera violência. aí nego fica puto mesmo. te arranca os svarovski da cara, pegam seu celú onde vc, dani, pati e carol mandam uma aécia, catam seu ecosport, pisam na sua barbie. então é bom pensar melhor antes de excluir o amiguinho. por que todo mundo quer sentir o quentinho e úmido do capitalismo.

teaser-TB-17

Deixe uma resposta

Post Navigation