por bolsa reversa em tradução

Porque o mercado dos livros carece mais de novidade e oxigenação em todas as suas presenças (ver os 4, 5 ou 7 ‘P’s do marketing em Kotler et al.) que das rotinas de repetição de subsistência dita profissional apenas. Porque o ofício da tradução pode ser decisivo para manter no jogo um autor em potência numa terra que enfrenta a leitura. Porque a formação do tradutor é, antes, a formação do poeta, donde o medo ante a ‘especialização’ limpinha (“neat”) vir coberto de razão. Porque a relação obra-tradutor-obra’ marca e fica e assim se desdobra e floresce mais intensamente quando é matéria de episódios afetivos difíceis de prever, mapear, travar, encomendar, e esta é uma barreira (estará o tradutor mais certo para a obra tal longe das evidências?) mas também uma oportunidade (não foi fácil achá-lo mas agora a obra traduzida pesa tanto quanto ou mais ou diferente que a original, não é uma sua mera licencinha (“its timid proxy”) e o editor se vê premiado e não apenas pago, deu seis horas, fui (“when all of a sudden he dropped his pen”)). Na bolsa reversa, as editoras listam as obras que pretendem traduzir e os tradutores dão seus lances. Um lance pode ser um documento composto: excertos exemplares da obra querida, pretensões de cachê-cronograma, justificativa from : to, por que eu? Expansão meritocrática e falação (“buzz”) a respeito desse novo modo-operação no curto prazo, incremento da qualidade poética das obras traduzidas no médio, fortalecimento do arsenal de tradutores e da cultura geral de tradução no longo, as consequências.

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