Que houve em 1972?

Muito se fala do ano de 1972 na música brasileira. Mas bate-se não raro nas mesmas teclas: em 1972 ganhamos Transa, de Caetano Veloso, Expresso 2222, de Gilberto Gil, Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, Acabou Chorare, dos Novos Baianos, e Dança da Solidão, de Paulinho da Viola.

Os cinco discos essenciais para entendermos nossa música nunca antes tão aberta e misturada, experimentada e internacional. Depois da revolução de João Gilberto, os músicos populares da contracultura brasileira, e mesmo os da cultura corrente, entenderam não haver descontinuidade entre apuro inventivo e levada do samba.

O suíngue brasileiro, nos anos que serpenteiam 1972, marcou-se pelo fabuloso violão de Jorge Ben, e pelas guitarras elétricas e percussões psicodélicas da abundância solar de um país lutando para se reimaginar.

Outro dia, postei três sambas de escola de 1972, na minha opinião entre os melhores já gravados.

Ora, é muita boa música num mesmo ano. Não fiz vasta pesquisa, mas será escarafunchar e ver sair mais coisa dali.

Neste post, Romulo Fróes lembra de mais um disco importante, do mesmo marcante ano em que o Brasil constrói seu primeiro computador e vende seu primeiro vinho em caixinha, Jards Macalé, estreia homônima e retumbante do Jards, com Mal Secreto e Vapor Barato.

Que houve em 1972? Enquanto pensamos, aproveito para recomendar mais dois:

Se o caso é chorar, de Tom Zé, trabalho de poesia depurada, samba autoral leve, jogo musical atual até hoje, narrativa gostosa e dramaticidade cristalina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cicatrizes, do MPB4, publicado aqui na música Canto de Nanã, de Dorival Caymmi. O álbum é ricamente arranjado, e destaca-se pelo trabalho de vozes, difícil de achar na mpb.

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