querido diário

Fica no 33 da antiga Rua São José a redação e a oficina do ‘Farol Paulistano’, primeiro jornal de São Paulo impresso em tipografia. Sai aos 7 de fevereiro de 1827. Antes, aos 22 de setembro de 1823, nascia ‘O Paulista’, manuscrito, redigido por Mestrinho, Antônio Marques, paulistano professor desde os quinze anos. Mestrinho é mais velho Juiz de paz, vereador, deputado provincial e vice-presidente da província. Aos 8 de janeiro de 1823, portaria do Ministro da Fazenda pede que se envie, em nome do Imperador, um prelo antigo da Imprensa Nacional até São Paulo, decisão revogada ante o bafafá da Constituinte. O ‘Farol’ circula até 1833, sendo acusado de abuso em 1829 (sem procedência). Sai, em 31x21cm, duas vezes por semana até 1829, e então três. No editorial de lançamento do farol, outro mestre, José da Costa Carvalho, Chefe dos Ministros do Império quando da promulgação da Lei 581 de 1850 que extingue a importação de escravos e Marquês de Monte Alegre em 1854, chama, em primeira do plural, “tão árdua quanto perigosa” a tarefa nossa da imprensa. Em 1988, sem interesse por diversas atividades, uni-me a outras três crianças e redigimos ‘O Paiolino’, jornal daquela temporada do acampamento montanhês Paiol Grande, para o qual realizei uma reportagem sobre a humilhação de quem deixava, no refeitório, a bandeja cair. Também desenhei um logotipo recusado pelos colegas e liderei o encadernamento e a grampeagem. Conforme vivemos, os jornais estão em servidores vários na internet, e replicamos suas páginas em nossos aparelhos. A redação está difusa: centenas de milhões de jornalistas publicam informação, análise, comentário, arte visual e humor várias vezes ao dia, e são diversos os métodos e ferramentas de que dispõe o leitor para organizar e regular, no tempo, seu consumo. Cada um lê um jornal, que pode sempre mudar, mas pode sempre melhorar. Lemos o que queremos, e lemos o que outros leem. Hoje mais cedo, participando de um seminário sobre ‘fake news’, percebi a ideia ainda pequenina mas, intuo, potente, de que vivemos a necessidade de pensar a descrença e a normalização do cinismo trabalhando junto à, e não duvidando da, inteligência artificial, enxugando e lapidando seus termos fortes (no que ligam e fazem perdurar os objetos caros) e neles insistindo em viva discussão.

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