Se o retorno ao passado visa abolir o presente, transformando o passado em utopia a ser resgatada, o milenarismo atua pelo mesmo objetivo. Novamente, o presente não deve ser transformado, mas abolido, porém, agora, o alvo é o futuro, a ser atingido em um movimento absoluto que visa anular o próprio tempo. O futuro já não nasce das condições do presente, e quase não há mais continuidade entre um e outro. O futuro é uma promessa cuja realização integral implica uma ruptura também integral e sem compromissos. Em um caso, o retorno à tradição anula a modernidade; no outro, a modernidade a ser realizada sem vínculos com o presente o eclipsa. Ambos os projetos, por ambos os motivos, fogem à história e buscam realizar-se em um tempo alheio a ela.

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