A Marcha Ingênua

Este exercício de tradução pretende apaziguar um poema distante de nós num semblante dos mais próximos: a redondilha maior. Aqui monostrófica pois que em primado sintético, ela desce em rimas quase sempre fáceis desde a exemplaridade dos cordéis nordestinos.

É de perguntar como tamanhas liberdades serão admissíveis num transporte cuja partida se dá no ambiente moralizante e indubitavelmente antilírico da originária filosofia chinesa.

Em primeiro lugar, não são liberdades. As redondilhas e as rimas exigiram redesenhos e adaptações as mais complicadas para que a versão sacrificasse o tanto quanto sem que se fosse o princípio, a Origem, de cada uma das 81 peças. Chamaríamos tal ginástica, antes de liberdade, de necessária mente-corpo ante à demanda.

Além disso o Tao, e em que pese numerosa tradução seja mainstream seja acadêmica, corre em dívida com a audiência lusófona. Corre em dívida porque sua compreensão, quando a tradução limpa o terreno da equivocidade, não casou-se amiúde com a contrapartida encantatória do conselho literário, função que em parte vulgariza mas em parte harmoniza o ponto da sabedoria com a fala corrente.

Este trabalho quer demonstrar portanto que o Tao eventualmente corria em dívida com a audiência lusófona.

Sua demanda foi tirar tão importante cartilha do ostracismo por assim dizer plástico para brindá-lo com a liberdade duma mente-imagem atinente ao hábito radiofônico e cirandeiro do mundo atual brasileiro.

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