ψαλμός XLIV:24–26

Evigila, quare obdormis, Domine?
Exsurge et ne repellas in finem.

Quare faciem tuam avertis,
oblivisceris inopiae nostrae et tribulationis nostrae?

Quoniam humiliata est in pulvere anima nostra,
conglutinatus est in terra venter noster.
Exsurge, Domine, adiuva nos
et redime nos propter misericordiam tuam.

Porque hoje aniversaria a segunda batalha dos Guararapes da Guerra Luso-Holandesa, lembro anotar este entrecho do Padre Vieira, sermão em cujo tema está o salmo acima.

Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade, que tem, quem não pede favor, senão justiça. Se a causa fora só nossa e eu viera a rogar só por nosso remédio, pedira favor e misericórdia. Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa, e como venho a requerer por parte de vossa honra e glória, e pelo crédito de vosso nome – Propter nomen tuum – razão é, que peça só razão, justo é, que peça só justiça. Sobre este pressuposto vos hei de arguir, vos hei de argumentar, e confio tanto da vossa razão, e da vossa benignidade, que também vos hei de convencer. Se chegar a me queixar de vós e a acusar as dilações de vossa justiça, ou as desatenções de vossa misericórdia: Quare obdormis: quare oblivisceris: não será esta vez a primeira em que sofrestes semelhantes excessos a quem advoga por vossa causa. As custas de toda a demanda também vós, Senhor, as haveis de pagar, porque me há de dar vossa mesma Graça as razões com que vos hei de arguir, a eficácia com que vos hei de apertar, e todas as armas com que vos hei de render. E se para isto não bastam os merecimentos da causa, suprirão os da Virgem Santíssima, em cuja ajuda principalmente confio. Ave Maria.

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